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EXCLUSIVO: Indústria de bebidas lidera consultas de FIDCs por necessidade de capital de giro entre pagar e receber, mostra estudo

Publicado 20/10/2026 • 11:30 | Atualizado há 55 minutos

KEY POINTS

  • Bebidas registra 816,8 empresas consultadas a cada 100 mil negócios, à frente de máquinas e equipamentos, com 434,3
  • Levantamento reúne 4.045 consultas de 36 FIDCs a 3.543 CNPJs entre janeiro e setembro de 2026
  • Empresas com mais de dez anos de existência somam 60,9% do total e 68,9% não têm sinais de restrição
fabricação terceirizada de bebidas prontas para consumo

Levantamento mostra que fabricação terceirizada de bebidas prontas para consumo saltou de 3% para 45% em uma década no Brasil.

No universo de empresas que passam pelo crivo dos fundos de crédito estruturado, o setor de bebidas aparece com a maior presença proporcional. A primeira edição do Radar Assertiva de Demanda por Crédito Estruturado contabilizou 816,8 empresas consultadas por Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) a cada 100 mil negócios da indústria de bebidas.

O levantamento foi feito pela Assertiva, empresa de inteligência de dados para crédito, compartilhado com exclusividade ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, e parte de 4.045 consultas feitas por 36 FIDCs entre janeiro e setembro de 2026. Elas envolvem 3.543 CNPJs distintos.

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Bebidas supera máquinas e têxteis em consultas por 100 mil empresas

Na comparação proporcional, o segmento de bebidas fica à frente de máquinas e equipamentos, com 434,3, e de têxtil, vestuário e calçados, com 111,6. Metalurgia e siderurgia aparece com 97.

Diferentemente de estudos que acompanham o patrimônio dos fundos ou o volume de operações, o Radar identifica as características das empresas que passaram por análise de crédito na base observada.

Consultas de FIDCs por setor
Empresas consultadas entre janeiro e setembro de 2026, em proporção ao tamanho do setor e em números absolutos
Setor Consultadas por 100 mil empresas CNPJs analisados
Bebidas 816,8 n/d
Máquinas e equipamentos 434,3 145
Têxtil, vestuário e calçados 111,6 536
Metalurgia e siderurgia 97 273
Comércio varejista n/d 640
n/d: dado não informado no estudo. O indicador por 100 mil mede a presença relativa de CNPJs analisados em cada segmento e não a probabilidade de obter crédito. A amostra reúne 4.045 consultas de 36 FIDCs e não representa estatisticamente toda a indústria.
Fonte: Radar Assertiva de Demanda por Crédito Estruturado, 1ª edição. Elaboração: Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC

Varejo reúne maior número absoluto de CNPJs analisados

Em números absolutos, porém, o comércio varejista concentra o maior volume, com 640 empresas. Já máquinas e equipamentos somam 145, metalurgia e siderurgia, 273, e têxtil, vestuário e calçados, 536.

Na classificação mais ampla do estudo, indústria, construção e logística respondem juntas por 51,1% das empresas observadas.

“Quando olhamos apenas para o número total de empresas analisadas, atividades com uma base muito grande de CNPJs naturalmente aparecem em destaque”, afirma Hederson Albertini, CEO da Assertiva. Segundo ele, a comparação com o tamanho de cada segmento permite identificar setores industriais com presença proporcional maior nas análises.

Capital de giro pesa na cadeia de bebidas

Para Rafael Nakamoto, CEO da Vitório, empresa de soluções de crédito B2B, a indústria financia insumos, embalagens, produção, armazenagem e distribuição antes de receber dos clientes.

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“Quanto maior essa distância entre pagar e receber, maior a necessidade de capital de giro”, diz o executivo. Na avaliação dele, estruturas baseadas em recebíveis podem atender a essa dinâmica.

Os FIDCs financiam empresas por meio de direitos creditórios, incluindo recebíveis comerciais. Conforme a operação, podem antecipar recursos de vendas feitas a prazo.

Empresas com mais de dez anos somam 60,9% das analisadas

Sobre o perfil das companhias, 60,9% tinham mais de dez anos de existência e 68,9% não apresentavam sinais de restrição. Para a Assertiva, os números indicam que a atividade dos fundos não ficou concentrada em empresas recém-criadas ou com registro de dificuldade financeira.

Nakamoto afirma que “crédito não é uma necessidade exclusiva de empresas endividadas ou em dificuldade”. Ele cita o financiamento de estoques, a ampliação da capacidade de produção e a oferta de prazos aos distribuidores como exemplos de uso por indústrias saudáveis.

Albertini, por sua vez, diz que existe associação frequente entre a busca por alternativas de financiamento e empresas em dificuldade. Os dados, porém, mostram negócios estabelecidos e sem restrição entre os consultados, o que reforça a avaliação do crédito a partir do comportamento financeiro e da atividade econômica de cada empresa.

Amostra de 36 fundos não representa mercado de FIDCs

A Assertiva faz ressalvas. A amostra não representa estatisticamente a indústria de FIDCs, e as consultas não comprovam solicitação, aprovação ou contratação de financiamento. O Radar também não identifica a finalidade de cada operação.

O indicador por 100 mil empresas mede a presença relativa de CNPJs analisados em cada segmento, e não a probabilidade de obter crédito.

Série histórica vai detalhar setores e regiões

A Assertiva pretende acompanhar os indicadores nas próximas edições do Radar. Com a formação de uma série histórica, será possível observar mudanças na distribuição das consultas entre setores, regiões e perfis empresariais.

“Com o acompanhamento ao longo do tempo, será possível entender melhor como essa composição se modifica e quais segmentos passam a ganhar relevância nas análises de crédito estruturado”, diz Albertini.

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