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Banco Master usando ‘laranjas’? Entenda o que isso significa

Publicado 18/01/2026 • 16:00 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • O Banco Master passou a ser citado em investigações que apontam o uso de “laranjas” e de estruturas consideradas artificiais para movimentar recursos e inflar patrimônio.
  • As apurações, conduzidas pela Polícia Federal (PF) com base em relatórios da Procuradoria-Geral da República (PGR), ainda estão em andamento.
  • Mas, afinal, o que significa “usar laranjas” em um caso como esse e por que isso chama a atenção das autoridades?
Fachada do Banco Master

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Banco Master usando ‘laranjas’ Entenda o que isso significa

O Banco Master passou a ser citado em investigações que apontam o uso de “laranjas” e de estruturas consideradas artificiais para movimentar recursos e inflar patrimônio.

As apurações, conduzidas pela Polícia Federal (PF) com base em relatórios da Procuradoria-Geral da República (PGR), ainda estão em andamento, mas levantam dúvidas sobre o funcionamento de parte das operações do banco.

Mas, afinal, o que significa “usar laranjas” em um caso como esse e por que isso chama a atenção das autoridades?

O que são “laranjas” em investigações financeiras?

No mundo jurídico e financeiro, “laranja” é a pessoa física ou jurídica que aparece formalmente como dona ou responsável por uma empresa ou contas bancárias, mas que não é a real beneficiária do negócio. Em geral, essas pessoas não têm envolvimento com os valores e atuam apenas como intermediárias.

O uso de laranjas costuma ser investigado quando há indícios de que a estrutura serve para ocultar quem realmente controla os recursos, dificultar a fiscalização ou dar aparência de legalidade a operações que não se sustentariam economicamente.

“Emprestar contas bancárias para receber créditos fraudulentos é crime, além de provocar um dano considerável aos cidadãos, quer pelo potencial ofensivo deste tipo de conduta delitiva, que tem sido um dos principais vetores de financiamento de organizações criminosas, como também pelos prejuízos financeiros a milhares de brasileiros”, afirmam a Polícia Federal e a Polícia Civil do Distrito Federal.

Investigações sobre Banco Master

Conforme publicado anteriormente, o Banco Central encaminhou ao Ministério Público um levantamento que reúne 36 companhias, várias delas sob suspeita de serem empresas sem atividade real, usadas como estrutura para operações simuladas de crédito que, somadas, alcançam R$ 11,5 bilhões.

O documento descreve o que o BC define como um verdadeiro “passeio do dinheiro”. Segundo o órgão, valores levantados pelo Master junto a investidores por meio de CDBs, com proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), eram direcionados a essas empresas de pequeno porte, muitas ligadas ao ramo da construção e com capital social inferior a R$ 1 mil.

Em média, cada operação envolveu R$ 288 milhões. Entre os casos citados, a Brain Realty se destaca por concentrar sozinha R$ 449,36 milhões.

O papel da REAG e as cártulas do Besc

A fraude se concentrava em fundos da Reag, especialmente o FIDC High Tower. As 36 empresas tomavam crédito do Banco Master, aplicavam os recursos em fundos da gestora e, em seguida, o dinheiro era usado para comprar cártulas sem liquidez do antigo Besc, reavaliadas artificialmente.

Em um caso, papéis adquiridos por R$ 850 milhões foram registrados por R$ 10,8 bilhões. Com isso, o High Tower chegou a divulgar retorno anual superior a 10.502.205,65% em 2024, resultado de capital do próprio Master que retornava ao banco por meio de aplicações em nome de laranjas para simular aumento de capital.

Conexão entre fraudes e a REAG

As apurações do Banco Central ligaram o esquema à venda de R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes ao BRB e a tentativas de aumento de capital com recursos de contas laranjas abastecidas pela operação da Reag.

Já investigada na Operação Carbono Oculto, a gestora teve seis fundos apontados como centrais, levando ao pedido de congelamento de R$ 11,5 bilhões para ressarcir credores, incluindo fundos de pensão e o FGC.

O dinheiro passava pelos fundos D Mais e Bravo e seguia para o FIDC High Tower, onde cártulas sem liquidez do antigo Besc eram compradas a baixo custo e reavaliadas artificialmente.

Uso de “laranjas” e auxílio emergencial

Entre as aplicações financeiras consideradas irregulares, chamou atenção a transferência de R$ 361 milhões a uma clínica médica de pequeno porte de Belo Horizonte. As informações foram divulgadas pelo Estadão e investigadas pela Polícia Federal, que apurou que a empresa levava, de forma indireta, à irmã do banqueiro, Natália Vorcaro.

As apurações da PF apontaram ainda que a clínica não oferecia qualquer tipo de garantia financeira, possuía capital social zerado e registrava um faturamento anual baixo, de R$ 54 mil. A presidente da instituição, Valdenice Pantaleão, não tinha bens compatíveis com os valores movimentados e recebeu auxílio emergencial nos anos de 2020 e 2021, o que reforçou a suspeita de que atuava como “laranja” também.

Entre os investigados na operação do caso do Banco Master também estão o pai e a irmã de Daniel Vorcaro e Valdenice Pantaleão.

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