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Ações da Abivax despencam mais de 40% após casos de câncer levantarem dúvidas sobre medicamento para colite ulcerativa
Publicado 02/06/2026 • 13:24 | Atualizado há 27 minutos
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Ações da Abivax despencam mais de 40% após casos de câncer levantarem dúvidas sobre medicamento para colite ulcerativa
Publicado 02/06/2026 • 13:24 | Atualizado há 27 minutos
KEY POINTS
Canva e Divulgação abivax
Ações da farmacêutica despencaram após a divulgação de novos dados sobre seu principal medicamento experimental para colite ulcerativa.
As ações da farmacêutica francesa Abivax despencaram até 40% após a divulgação de novos dados sobre seu principal medicamento experimental para colite ulcerativa, apagando bilhões de dólares em valor de mercado e levantando dúvidas sobre uma possível aquisição da empresa.
O medicamento atingiu os objetivos do estudo ao demonstrar eficácia clínica significativa e uma taxa de remissão ajustada por placebo de aproximadamente 40% em ambas as doses testadas. No entanto, os resultados também mostraram a ocorrência de casos de câncer entre pacientes que receberam a dose mais elevada.
“O sinal de câncer complica a situação”, afirmou um analista do Jefferies. “Mesmo que se trate de um ruído estatístico sem relação com o tratamento, acreditamos que a preocupação permanecerá, especialmente considerando a ausência de outros eventos relevantes de geração de valor ao longo do próximo ano.”
No grupo analisado, foi registrado um caso de câncer de próstata, um de câncer de mama e um de displasia do cólon. Segundo a Abivax, os investigadores consideraram que nenhum deles estava relacionado ao tratamento, sem evidência de concentração dos casos em um órgão específico.
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Também foram registrados quatro casos de câncer de pele entre os pacientes que receberam a dose de 50 mg. A empresa informou que dois desses casos foram considerados não relacionados ou improvavelmente relacionados ao medicamento, enquanto os outros dois ocorreram em pacientes com histórico prévio da doença.
Os analistas do Jefferies afirmaram que existe uma explicação plausível para os casos observados, mas destacaram que a questão “não parece ser uma preocupação que possa ser facilmente descartada”. Diante disso, rebaixaram a recomendação das ações de compra para manutenção.
Apesar da forte queda desta terça-feira, os papéis da Abivax acumulavam valorização de quase 1.700% em 2025. Antes da divulgação dos resultados, as ações já haviam recuado 7%.
Por volta da tarde, os papéis registravam queda de 40,5%.
Os dados divulgados na noite de segunda-feira são provenientes de um estudo de manutenção que avaliou os efeitos do medicamento obefazimod durante um período de 44 semanas.
O estudo sucede os resultados positivos de um teste clínico de fase avançada divulgados em meados de 2025, que superaram até mesmo as projeções mais otimistas do mercado.
Analistas descrevem o obefazimod como um potencial tratamento de referência para a colite ulcerativa. A Abivax também está testando o medicamento para a doença de Crohn, ampliando sua atuação para um mercado bilionário de doenças inflamatórias intestinais.
“O mecanismo inovador, a remissão clínica sustentada e o perfil favorável de segurança no longo prazo destacam seu potencial para atender uma necessidade médica importante na colite ulcerativa”, afirmou David Rubin, diretor do Centro de Doenças Inflamatórias Intestinais da Universidade de Chicago e colaborador da Abivax.
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Já o analista Damien Choplain, do Stifel, ressaltou que os dados de eficácia foram robustos.
“Embora o sinal de malignidade não possa ser ignorado, vemos isso mais como uma possível preocupação regulatória de rotulagem do que como evidência de um risco de segurança claramente causado pelo tratamento”, disse.
Ele destacou ainda que o medicamento Rinvoq, da AbbVie, utilizado para colite ulcerativa e outras doenças inflamatórias, possui alerta da agência reguladora americana sobre risco de câncer e, ainda assim, gerou vendas de US$ 8,3 bilhões em 2025.
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Seguir no GoogleA Abivax vinha sendo apontada pelo mercado como um dos principais alvos de aquisição da indústria farmacêutica, em meio a rumores não confirmados de interesse de grandes laboratórios na empresa liderada pelo CEO Marc de Garidel.
Em entrevista à CNBC em março, De Garidel afirmou estar confiante em resultados positivos do estudo de manutenção e indicou que a empresa não tinha pressa para fechar uma parceria ou vender o negócio, já que os termos poderiam se tornar mais favoráveis após a divulgação dos dados.
O mercado também esperava que a Abivax fosse adquirida antes do lançamento comercial do obefazimod. O executivo afirmou anteriormente que a companhia planejava captar recursos após a divulgação dos resultados de junho.
Na segunda-feira, a empresa reiterou a expectativa de solicitar a aprovação do medicamento junto à agência reguladora americana no quarto trimestre deste ano, com potencial lançamento comercial em 2027.
Segundo Choplain, o cenário mais provável agora é que a Abivax aguarde a divulgação completa dos dados do estudo, prevista para outubro, para obter mais detalhes e confirmar que os casos de câncer não têm relação com o tratamento.
O analista acrescentou que potenciais compradores também devem esperar a divulgação do conjunto completo de resultados antes de tomar qualquer decisão sobre uma possível aquisição da companhia.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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