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Novo muda estratégia enquanto Eli Lilly amplia vantagem no mercado das canetas emagrecedoras
Publicado 25/09/2026 • 12:00 | Atualizado há 46 minutos
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Publicado 25/09/2026 • 12:00 | Atualizado há 46 minutos
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SERGEI GAPON/AFP
Novo Nordisk
Sempre que a Novo pede aos investidores que olhem para o futuro, a Eli Lilly dá a eles mais um motivo para olhar para trás e observar a vantagem cada vez maior sobre a farmacêutica dinamarquesa.
A Novo apresentou nesta semana uma estratégia ambiciosa para retomar o crescimento além das injeções de Wegovy e Ozempic, seus produtos mais vendidos, que enfrentarão o vencimento de patentes em mercados importantes no início da década de 2030. Durante o Capital Markets Day, realizado na segunda-feira, a companhia apresentou uma lista de potenciais produtos de grande sucesso comercial, incluindo medicamentos que ampliariam sua atuação para além de seu principal segmento, o de obesidade e diabetes.
Mas, até o momento, Wall Street não parece convencida pelo plano da Novo. Investidores penalizaram as ações da farmacêutica, decepcionados com metas de crescimento alinhadas às médias do setor, em vez de superiores a elas. Também demonstraram ceticismo diante da falta de clareza sobre um plano de recuperação no curto prazo.
Ao mesmo tempo, a Lilly continua avançando sobre a participação de mercado da rival – inclusive no segmento em rápida expansão de medicamentos para obesidade em comprimidos.
A Novo espera manter sua vantagem inicial no mercado de medicamentos orais para perda de peso após o lançamento bem-sucedido do comprimido de Wegovy, meses antes da chegada do concorrente da Lilly, o Foundayo. O CEO da Novo, Mike Doustdar, disse à CNBC na terça-feira que a adoção inicial sugere que os pacientes podem estar esperando uma alternativa às injeções.
“Se isso continuar na proporção que estamos vendo, então, sim, matematicamente, até o fim da década, haverá uma parcela maior de pacientes usando comprimidos do que injetáveis”, afirmou.
Mas a Lilly está logo atrás, apoiada por sua força comercial.
Em entrevista exclusiva à CNBC na segunda-feira, o CEO da Lilly, Dave Ricks, afirmou que o novo comprimido contra obesidade da farmacêutica, o Foundayo, está ganhando espaço gradualmente nos Estados Unidos. Um terço dos novos pacientes que iniciam tratamentos com GLP-1 em comprimidos está usando o medicamento da Lilly, e a participação da empresa nesse mercado oral cresce “semana a semana”, disse Ricks à CNBC em Houston, no Texas.
A Lilly também afirma ter assumido uma liderança inicial no mercado recém-estabelecido do Medicare para medicamentos contra obesidade, depois que o programa federal começou a cobrir esses tratamentos em julho. Ricks disse que 700 mil idosos começaram a usar medicamentos GLP-1 pelo Medicare após o início da cobertura, e que 70% desses pacientes utilizam medicamentos da Lilly.
Ele acrescentou que os pacientes do Medicare demonstraram uma preferência particular pela injeção contra obesidade Zepbound, o que ajudou a empresa a se tornar a principal companhia no mercado mais amplo. A Lilly afirmou em agosto que detinha cerca de 61% do mercado de GLP-1 nos Estados Unidos no segundo trimestre, enquanto a Novo tinha aproximadamente 39%.
Embora os investidores tenham demonstrado querer mais detalhes sobre os planos da Novo para crescer após Wegovy e Ozempic durante o evento com investidores de segunda-feira, a farmacêutica aposta que pode haver mais de um sucessor para sua franquia de medicamentos de grande sucesso.
Para a Novo, o desafio não é apenas substituir a receita de Wegovy e Ozempic quando os medicamentos perderem a exclusividade e enfrentarem maior concorrência de genéricos. A companhia precisa convencer os investidores de que pode recuperar o ritmo em um mercado de GLP-1 que ajudou a criar anos antes da entrada da Lilly, enquanto a rival continua ampliando sua vantagem.
Enquanto a Novo tenta se recuperar após dois anos difíceis, marcados por diversos contratempos, analistas afirmam que a Lilly possui várias vantagens que podem ajudá-la a manter sua posição no topo do mercado de medicamentos contra a obesidade.
“A Lilly está na posição de liderança, e acreditamos que continuará nessa posição forte, considerando sua vantagem comercial significativa, sua iniciativa global para ampliar ainda mais a presença de seus produtos e também seu pipeline avançado de novos candidatos”, afirmou David Risinger, analista da Leerink Partners, em entrevista.
Risinger espera que a participação do Foundayo no mercado de GLP-1 oral continue crescendo, destacando a “enorme força comercial” da Lilly e sua maior capacidade de investimento para promover o medicamento. O analista, porém, prevê que o Foundayo eventualmente domine o mercado global de comprimidos, em parte porque deve ser menos caro de fabricar em escala do que o comprimido de Wegovy.
O Foundayo é um medicamento de molécula pequena, que pode ser fabricado de maneira diferente e mais facilmente em larga escala do que medicamentos peptídicos, como o comprimido de Wegovy e os atuais GLP-1 injetáveis. Embora o Foundayo provoque, em média, uma perda de peso menor do que o comprimido de Wegovy, não exige restrições relacionadas ao consumo de alimentos e água, o que pode ser um diferencial para alguns pacientes.
Executivos da Novo não responderam diretamente nesta semana às perguntas sobre se o Foundayo é mais fácil de fabricar e ampliar em escala. A Novo está investindo bilhões de dólares em instalações de produção e, segundo os executivos, pretende aumentar em dez vezes, até 2030, o número de pacientes que utilizam seus medicamentos GLP-1. Os executivos têm afirmado repetidamente que a oferta não é um problema e que a Novo não enfrentará as mesmas dificuldades de abastecimento registradas com as versões injetáveis nos primeiros anos de Ozempic e Wegovy.
Para a Lilly, a maior eficácia do Zepbound em relação às doses originais de Wegovy também foi fundamental para conquistar a liderança sobre a Novo no mercado de medicamentos injetáveis. A Novo tentou reduzir essa diferença de eficácia com uma versão de dose mais alta do Wegovy lançada neste ano, que proporciona uma perda de peso aproximadamente semelhante à do Zepbound.
Mas a Lilly não está parada.
A companhia possui uma linha de medicamentos contra obesidade de próxima geração que pode ampliar sua vantagem para além de Zepbound e Foundayo, afirmou Risinger. Entre eles está o retatrutide, um agonista triplo que atua sobre três hormônios intestinais e apresentou uma perda de peso maior do que a dos medicamentos contra obesidade existentes em testes clínicos. A Lilly pretende solicitar aprovação para o medicamento no primeiro trimestre de 2027.
A Lilly também está desenvolvendo uma injeção semanal que atua sobre o receptor de amilina, uma via relacionada ao apetite e à saciedade diferente das abordadas pelos tratamentos atuais. Risinger afirmou que o medicamento tem “um potencial muito maior do que o mercado atualmente percebe”, especialmente porque uma parcela significativa dos pacientes não tolera ou não responde adequadamente aos medicamentos GLP-1.
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Siga o Times | CNBC“Estamos bastante entusiasmados com o pipeline da companhia de medicamentos que virão depois do Zepbound e do Foundayo”, afirmou Risinger.
Enquanto os investidores têm se concentrado intensamente no número de perda de peso apresentado pelos medicamentos de próxima geração da Novo e da Lilly, a Novo vê um mercado mais fragmentado pela frente.
O diretor científico da Novo, Martin Holst Lange, disse à CNBC nesta semana que a amplitude do futuro pipeline da companhia dará a médicos e pacientes mais opções e aumentará a adesão aos tratamentos. A empresa está estudando os efeitos de novos medicamentos sobre fatores como tolerabilidade, preservação muscular, impacto sobre doenças relacionadas à obesidade, conveniência e outros aspectos.
“Não podemos fazer isso com um único medicamento”, afirmou Lange.
Para a Novo, a resposta à liderança da Lilly é uma grande aposta no que vem pela frente.
A Novo pretende lançar mais de cinco medicamentos com potencial para gerar mais de US$ 1 bilhão em vendas cada até 2030 e alcançar mais de 150 bilhões de coroas dinamarquesas, ou cerca de US$ 23 bilhões, em vendas de seu pipeline até 2035. A companhia também planeja ter pelo menos cinco programas de Fase 3 em obesidade e diabetes e outros cinco em diferentes áreas terapêuticas, enquanto tenta diversificar seu pipeline.
A dimensão desse plano evidencia o problema que a Novo tenta resolver. A empresa tem proteção de patente sobre a semaglutida, princípio ativo de Wegovy e Ozempic, até 2032. Os dois medicamentos respondem por cerca de dois terços das vendas da Novo e registraram, juntos, US$ 31 bilhões em receita em 2025.
A Novo precisa convencer os investidores de que seu pipeline de novos medicamentos será capaz de preencher o espaço deixado quando concorrentes genéricos entrarem no mercado. Até agora, a companhia não conseguiu interromper uma queda de vários anos em suas ações após uma série de contratempos.
A nova linha de medicamentos em que a empresa aposta inclui o CagriSema, combinação de semaglutida com cagrilintida, um medicamento que atua sobre a amilina. O produto deve ser lançado no início do próximo ano. Na sequência, devem chegar a cagrilintida isolada e uma versão de dose mais alta do CagriSema, em 2028, entre outros novos produtos contra a obesidade.
Wall Street não está particularmente entusiasmada com o CagriSema. Ensaios clínicos anteriores em estágio avançado decepcionaram os investidores porque o medicamento apresentou uma eficácia na perda de peso abaixo das expectativas.
A Novo, porém, mantém que o CagriSema é eficaz e suficientemente diferenciado para ser comercialmente viável. Lange disse à CNBC que doses individualizadas podem ser o caminho para a próxima grande aposta da companhia e destacou novos dados de estágio avançado divulgados nesta semana.
Os dados mostraram que o CagriSema produziu uma perda de peso maior do que a tirzepatida — princípio ativo do Zepbound e do Mounjaro, da Lilly — em um estudo comparativo entre pessoas com diabetes tipo 2.
Os resultados, porém, vieram acompanhados de ressalvas: o estudo utilizou doses menores dos dois medicamentos, enquanto a tirzepatida já havia superado o CagriSema em um estudo comparativo separado de Fase 3, que utilizou doses mais altas dos dois tratamentos.
Enquanto isso, a Novo continua apostando no crescimento do mercado de medicamentos orais contra a obesidade.
A Novo acredita que a participação de mercado não será a única medida de sucesso que os investidores deverão observar daqui para frente. O volume absoluto de pacientes também importa, afirmou Doustdar à CNBC, destacando que o mercado de obesidade ainda pode crescer significativamente.
A Novo planeja ampliar sua capacidade de produção o suficiente para atender 15 milhões de pessoas que utilizem tratamentos orais contra a obesidade até 2030 e afirmou que os comprimidos poderão, no futuro, representar até metade do mercado global de medicamentos contra a obesidade. A empresa diz que seu comprimido de Wegovy já alcançou 7 milhões de prescrições nos Estados Unidos, sendo que 90% dessas vendas ocorreram por meio de canais de pagamento direto pelos pacientes.
Leia também: Fabricante do Ozempic processa Eli Lilly, do Mounjaro, por propaganda enganosa sobre a molécula GLP-1; entenda
O problema é que os investidores parecem exigir mais do que um pipeline promissor.
Analistas questionaram os executivos da Novo na segunda-feira sobre as premissas de preços da companhia, perguntando se a próxima geração de medicamentos do pipeline será capaz de sustentar preços premium quando Wegovy e Ozempic perderem a exclusividade.
A projeção de receita da Novo para 2026 a 2030 também prevê crescimento em linha com seus pares da indústria farmacêutica, em vez de uma retomada do crescimento acima da média registrado quando Wegovy e Ozempic começaram a ganhar força.
Isso deixa a Novo diante de um difícil equilíbrio. A companhia precisa defender sua atual franquia de medicamentos contra obesidade diante da Lilly e, ao mesmo tempo, investir nos produtos que deverão substituí-la.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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