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Fabricante do Ozempic processa Eli Lilly, do Mounjaro, por propaganda enganosa sobre a molécula GLP-1; entenda
Publicado 21/07/2026 • 10:53 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 21/07/2026 • 10:53 | Atualizado há 3 horas
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MKPhoto / stock.adobe.com
A farma dinamarquesa Novo Nordisk entrou com um processo contra a Eli Lilly nos Estados Unidos alegando que as campanhas publicitárias da empresa para o Mounjaro – medicamento líder global em vendas – foram elaboradas para enganar os consumidores sobre uma suposta eficácia superior em relação às injeções concorrentes, como Ozempic e Wegovy, da Novo.
A Novo contestou especificamente os anúncios veiculados nos Estados Unidos que citam o que a empresa chamou de ensaios clínicos “desatualizados” para comparar as doses mais altas dos medicamentos da Lilly com doses mais baixas dos medicamentos da Novo Nordisk.
Segundo a acusação, as campanhas não incluem novas evidências sobre a versão de alta dosagem da injeção contra obesidade da Novo, o Wegovy, recentemente aprovada, que chegou ao mercado em março e proporciona uma perda de peso mais comparável à dos produtos da Lilly.
Leia também: Mounjaro domina 57% do mercado de GLP-1 no Brasil antes da chegada dos genéricos do Ozempic
Isso “os leva à inevitável conclusão de que os medicamentos da Lilly são superiores aos da Novo, e isso não é verdade”, disse John Kuckelman, consultor jurídico geral do grupo Novo, em entrevista na segunda-feira. Ele afirmou que o processo surge depois que a Lilly se recusou a retirar ou corrigir certos anúncios, apesar de um pedido formal de cessação e desistência feito pela Novo em abril.
Na ação judicial movida no Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito de Nova Jersey, a Novo solicitou que o tribunal impeça permanentemente a Lilly de veicular os anúncios e obrigue a farmacêutica a publicar anúncios corretivos. A dinamarquesa também busca indenização por danos financeiros, embora o valor não esteja claro.
A empresa afirmou ter alertado a Lilly de que, caso os anúncios não sejam removidos voluntariamente, pretende solicitar uma liminar nos próximos dias para bloqueá-los imediatamente enquanto o processo estiver em andamento.
A Lilly não respondeu aos pedidos de comentário da CNBC.
A Novo Nordisk trava uma batalha agressiva contra a Lilly para recuperar participação no mercado de GLP-1, posicionando seu novo comprimido para obesidade, cortes nos preços e o novo Wegovy em alta dosagem para competir com a injeção para obesidade mais vendida de sua rival, o Mounjaro.
Nos últimos anos, os medicamentos da Lilly tornaram-se os tratamentos preferidos entre muitos médicos e pacientes devido à sua alta eficácia. Mas o Wegovy em altas doses, que demonstrou uma perda de peso média de cerca de 19%, é a resposta da dinamarquesa para isso.
A Novo afirmou que está apresentando queixas específicas em âmbito federal e estadual por concorrência desleal e publicidade enganosa, inclusive com base na Lei Lanham, na qual as empresas farmacêuticas já se apoiaram no passado para responsabilizar concorrentes por publicidade enganosa.
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Siga o Times | CNBCO processo alega que as campanhas da Lilly na televisão e nas redes sociais são prejudiciais porque os consumidores frequentemente se baseiam na publicidade para formar sua compreensão sobre os GLP-1, diferentemente dos profissionais de saúde, que têm acesso a todas as evidências científicas disponíveis.
“A campanha publicitária da Lilly priva os consumidores das informações verdadeiras, atuais e completas de que precisam para tomar decisões informadas sobre as opções de tratamento disponíveis”, diz o processo.
O processo cita um comercial de TV que apresenta o Mounjaro e o Wegovy em uma comparação direta lado a lado, afirmando visual e verbalmente que os pacientes que usam o medicamento da Lilly perdem, em média, 22,7 kg (50 libras), em comparação com os 15 kg (33 libras) perdidos com a dose de 2,4 miligramas do tratamento da Novo. Essa informação se baseia em um estudo clínico comparativo anterior que comparou as doses mais altas de Zepbound com as doses de 1,7 e 2,4 miligramas de Wegovy.
Mas a Novo afirmou no processo que um estudo mais recente mostra que a dose alta de 7,2 miligramas de Wegovy ajudou os pacientes a perderem, em média, 21 kg (47 libras), o que é “clinicamente consistente” com a perda de peso observada com o Zepbound no estudo mais recente e rigoroso da Lilly sobre o medicamento.
A Novo afirmou que a Lilly reconhece a existência dessa dose alta de Wegovy em uma “pequena nota de rodapé”, mas a classificou como “ambígua, confusa, praticamente ilegível e totalmente inadequada”, pois não comunica que ela é significativamente mais eficaz do que as doses mais baixas do medicamento.
No processo, a farma dinamarquesa acrescentou que não foram realizados estudos comparativos diretos entre as doses mais elevadas de Wegovy e Mounjaro atualmente disponíveis no mercado, portanto a Lilly “não tem base para fazer essas alegações comparativas” de que seus medicamentos são mais eficazes.
“Embora pudesse ser correto dizer isso antes da disponibilidade da dose de 7,2 miligramas de Wegovy, não é mais correto afirmar isso”, disse Kuckelman. “Acreditamos que eles têm uma obrigação legal, mas, ainda mais importante, têm a responsabilidade perante os pacientes de compartilhar informações precisas.”
O processo acrescentou que o comercial de TV da Zepbound recebeu mais de 700 milhões de visualizações desde que começou a ser veiculado no final de abril, o que demonstra a dimensão do dano competitivo causado à Novo Nordisk.
Também é alegado que a Lilly adota a mesma abordagem ao comparar a eficácia do Mounjaro e do Ozempic em seus anúncios, omitindo novos dados sobre uma dose mais alta do medicamento da Novo, aprovada há mais de quatro anos.
“Acreditamos que temos aqui um caso muito forte para demonstrar que a Lily realmente enganou os consumidores com a publicidade”, disse Kuckelman.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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