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Energia

TIMES | CNBC LAWINFRA: Infraestrutura teme ruptura de contratos após eleição, diz Sérgio Leverdi

Publicado 01/10/2026 • 16:41 | Atualizado há 54 minutos

KEY POINTS

  • Setor de infraestrutura não teme a eleição, mas mudanças que comprometam contratos e regras já estabelecidas, afirma Sérgio Leverdi.
  • Projetos podem atravessar cinco ou seis governos, o que torna segurança jurídica essencial para investimentos de longo prazo.
  • Avanço dos data centers acrescenta a infraestrutura digital à relação entre energia e economia e amplia desafios de regulação.

A principal preocupação do mercado de infraestrutura com a troca de governo não é o resultado da eleição, mas o risco de rompimento de contratos ou de mudanças nas regras já estabelecidas, segundo Sérgio Leverdi, CEO da Lawinfra. Para ele, a duração dos projetos exige que compromissos assumidos sobrevivam às diferentes administrações.

No TIMES | CNBC LAWINFRA, quadro do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC dedicado aos principais debates sobre infraestrutura, investimentos e segurança jurídica, Leverdi ressaltou que contratos de setores como portos e redes de transmissão podem atravessar cinco ou seis governos e eleições. Por isso, mudanças de prioridades são naturais em uma democracia, mas precisam preservar a segurança jurídica dos investimentos existentes.

“O mercado de infraestrutura não tem medo das eleições. A preocupação é com o rompimento, especialmente rompimento dos contratos ou das regras”, disse.

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Segundo o executivo, um novo governo pode incorporar prioridades e responder a transformações econômicas e tecnológicas. O avanço da inteligência artificial e dos data centers, por exemplo, criou demandas que não tinham o mesmo peso no debate público há poucos anos.

“A mudança entra pela porta da frente, ela é analisada, são feitas regras de transição, manutenção da segurança jurídica nos contratos que já existem. O problema é quando há um rompimento das regras em nome do que há de novo”, explicou.

Data centers entram na equação

Leverdi apontou a expansão da infraestrutura digital como uma nova variável na relação entre crescimento econômico e demanda por eletricidade. Segundo ele, o comportamento do consumo de energia permite antecipar movimentos da atividade econômica.

Leia também: LAWINFRA SUMMIT: Insegurança jurídica pode afastar investimentos de longo prazo em energia, diz desembargadora Maria do Carmo Cardoso, presidente do TRF1

“A curva de carga da energia elétrica é considerada o eletrocardiograma da economia”, comparou. De acordo com o executivo, uma projeção de crescimento de 4% da demanda de energia elétrica até 2030 também sinaliza perspectiva de expansão econômica.

Nesse cenário, os data centers aumentam a necessidade de conciliar infraestrutura digital, disponibilidade de energia e desenvolvimento econômico. Leverdi citou o Nordeste como uma região que passou a enxergar novas perspectivas com a chegada desses empreendimentos.

“Essa equação parecia que tinha só duas variáveis, economia e eletricidade. E aí veio a infraestrutura digital. Hoje essas três variáveis precisam conviver”, observou.

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Redata exige acompanhamento

Para Leverdi, o Redata tem papel importante no estímulo à instalação de data centers no país, mas os incentivos precisam vir acompanhados de controle institucional e da verificação das contrapartidas exigidas das empresas.

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Segundo o executivo, o programa estabelece condições relacionadas ao tráfego de dados no Brasil, metas ambientais e transferência de tecnologia. “O Redata veio estimular a economia de data centers, mas ele demanda controle institucional. Isso não quer dizer burocracia, quer dizer que tem regra”, destacou.

Leverdi defendeu que a regulamentação não impeça o avanço tecnológico e econômico, mas permita avaliar de maneira objetiva o cumprimento das condições estabelecidas.

Regulação da inteligência artificial

Ao comparar o Brasil com os Estados Unidos, Leverdi mencionou uma recente reunião do presidente americano com representantes de grandes empresas de tecnologia e infraestrutura digital, entre elas Nvidia, Google, OpenAI e Anthropic.

Na avaliação do executivo, o encontro demonstra que infraestrutura digital, energia e economia passaram a ser tratadas conjuntamente no mais alto nível do governo americano.

Leia também: LAWINFRA SUMMIT: Data centers envolvem segurança nacional e exigem prevenção à judicialização, diz a desembargadora Mônica Sifuentes, presidente do TRF6

Leverdi afirmou que o modelo dos Estados Unidos deposita maior confiança nos compromissos assumidos pelas próprias companhias. No Brasil, por outro lado, destacou a existência de instituições e agências reguladoras, mas lembrou que o marco legal da inteligência artificial está parado no Congresso desde dezembro de 2024.

“Nós sabemos que dentro dessa visão liberal da economia é muito importante empurrar as empresas para que elas produzam receita, rendas, divisas. Então, a ideia é que a burocracia não atrapalhe aquilo que está acontecendo”, afirmou.

Para Leverdi, o Brasil poderia incorporar elementos dessa abordagem, buscando regras que ofereçam controle institucional sem criar obstáculos desnecessários ao desenvolvimento da infraestrutura digital.

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