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EXCLUSIVO: IA exige controle e pé no chão para gerar valor, diz José Caodaglio, CEO da ColmeIA

Publicado 11/06/2026 • 23:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • José Caodaglio afirma que empresas precisam separar ganhos reais de IA de promessas supervalorizadas.
  • CEO da ColmeIA cita estudo do MIT segundo o qual 95% dos projetos de IA em grandes empresas não saíram da fase piloto.
  • Executivo diz que empresas seguem responsáveis por promessas feitas por robôs e assistentes em canais oficiais.

José Caodaglio, CEO da ColmeIA

A inteligência artificial já traz ganhos relevantes para empresas, mas parte do mercado tem exagerado promessas sobre o impacto da tecnologia, afirmou José Caodaglio, CEO da ColmeIA.

Em entrevista exclusiva ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC durante o Web Summit Rio, o executivo disse que a IA precisa ser adotada com critérios claros, controle e foco em casos de uso viáveis.

“Hoje parece que estão tentando transformar uma tecnologia maravilhosa em algo controverso”, afirmou. “A IA realmente traz muitos frutos. É inacreditável o que a gente pode fazer, porém a gente vê empresas utilizando promessas supervalorizadas.”

Caodaglio citou estudos do MIT para defender uma visão mais cautelosa. Segundo ele, uma das pesquisas mostra que 95% dos projetos de IA feitos por grandes empresas não saíram da fase piloto.

Outro levantamento, também citado pelo executivo, analisou ocupações e habilidades no mercado americano e apontou que cerca de 12% das competências poderiam ser substituídas pela tecnologia.

“Esse número é estrondoso. Nós estamos falando em torno de US$ 1,3 trilhão ao ano, mas não é nada do que a gente ouve que vai acontecer”, afirmou.

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Casos precisam ser escolhidos

A ColmeIA atua com jornadas digitais em canais como WhatsApp, Instagram, Telegram, voz e e-mail. Segundo Caodaglio, a automação é necessária quando empresas atendem centenas de milhares de pessoas por dia, mas nem todo atendimento deve ser entregue à IA.

“Existem casos de uso para IA e existem casos de uso em que a gente precisa fazer um atendimento humano”, afirmou.

O executivo disse que empresas precisam acompanhar indicadores para avaliar se a IA está gerando conteúdo de qualidade e se está pronta para atuar em determinados processos.

“A IA tem o papel dela garantido. Não existirá um mundo sem ela, mas os casos de uso têm que ser escolhidos”, disse.

Empresas respondem pelo que a IA promete

Caodaglio afirmou que um dos principais riscos para empresas é deixar assistentes automatizados fazerem promessas que a companhia depois terá de cumprir.

Ele citou o caso da Air Canada, que foi obrigada a honrar uma informação dada por um chatbot em canal oficial.

“Você não pode ir dentro de uma corte e falar: ‘Foi a IA que prometeu, não foi a minha empresa’. O juiz falou: ‘Não tem essa’. Tudo que o seu canal oficial falou, você é responsável”, afirmou.

Segundo o CEO da ColmeIA, por isso os usos mais seguros da tecnologia são aqueles que podem ser revertidos ou corrigidos antes de gerar uma obrigação comercial, financeira ou contratual.

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IA não entende consequência

Caodaglio afirmou que as empresas precisam considerar que modelos de IA podem alucinar e gerar respostas incorretas. Segundo ele, esse risco exige processos de curadoria, acompanhamento e evolução gradual.

“As IAs alucinam. Elas são feitas sobre um modelo probabilístico, e é natural que, entre 100 mil atendimentos, possam alucinar 4% ou 5% das vezes”, disse.

Para o executivo, a adoção deve ser feita de forma controlada, com expansão à medida que a empresa ganha segurança sobre os resultados.

“Você tem que fazer de uma maneira muito pé no chão, muito estudada, muito controlada, para ir ganhando força e corpo com o passar do tempo”, afirmou.

Caodaglio disse ainda que a IA não compreende o impacto de suas respostas porque não tem consciência.

“A IA não sabe o que é uma consequência. Ela nunca vai compreender que o que ela fez é ruim, porque ela não tem consciência”, afirmou. “A IA parece que pensa, mas ela não pensa.”

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