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Braskem continua sem acordo com parte dos credores; recuperação judicial ganha força

Publicado 30/07/2026 • 12:50 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A Braskem conseguiu consenso com grande parte dos credores na nova rodada de negociações.
  • Companhia se aproxima da possibilidade de recorrer à recuperação judicial.
  • Principal obstáculo está nas conversas com investidores que ampliaram suas posições comprando títulos no mercado secundário.

A Braskem ainda não alcançou consenso com uma parcela relevante dos credores na nova rodada de negociações realizada na terça-feira (28). Sem o apoio de ao menos um terço dos detentores dos créditos que pretende reestruturar, a companhia se aproxima da possibilidade de recorrer à recuperação judicial, alternativa considerada por seus principais acionistas.

A empresa está sob tutela cautelar desde o fim de junho, medida que suspende cobranças e execuções por 60 dias enquanto busca uma solução para sua estrutura financeira.

De acordo com o Valor Econômico, a Braskem mantém apoio de investidores que adquiriram títulos de dívida na emissão original, além de grandes bancos financiadores e, potencialmente, de debenturistas.

Leia também: Braskem confirma negociações com credores sobre possível reestruturação de dívida

O principal obstáculo está nas conversas com investidores que ampliaram suas posições comprando títulos no mercado secundário. Esse grupo defende condições diferentes das apresentadas pela companhia para aderir ao plano de reestruturação.

Entre as propostas está a concessão de novos empréstimos à Braskem, desde que a operação tenha como garantia o conjunto de seus ativos. Os credores também sugerem que a IG4, controladora da companhia ao lado da Petrobras após a transferência da participação da Novonor para o fundo Shine, e a Petrobras realizem aportes de capital para reduzir parte do endividamento.

Companhia confirma propostas em análise

Em resposta a um questionamento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Braskem confirmou ter recebido propostas indicativas e não vinculantes de grupos de credores para uma eventual reestruturação financeira.

Segundo a empresa, as sugestões incluem alternativas como capitalização e oferta de ativos em garantia, mas ainda estão em análise e não há definição sobre o formato final da operação.

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Endividamento limita alternativas

O Valor também infrormou que a avaliação dentro da companhia é de que a empresa já possui elevado nível de endividamento, o que reduziria a viabilidade de novas operações de crédito. No mesmo entendimento, um aumento de capital poderia diluir a participação dos acionistas sem trazer benefícios proporcionais.

As fontes também afirmam que não haveria disposição da Petrobras para ampliar sua participação na Braskem, diante do risco de incorporar os passivos da petroquímica em seu balanço.

Leia também: Petrobras entra em ação para tentar evitar recuperação judicial da Braskem; entenda

A companhia possui dívida bruta próxima de R$ 50 bilhões. Com a tutela cautelar obtida no fim de junho, deixou de desembolsar cerca de R$ 2,7 bilhões em obrigações com vencimento em julho, principalmente referentes a cupons de títulos emitidos no mercado internacional, preservando sua liquidez durante as negociações.

Recuperação judicial passa a ser considerada

Antes das negociações mais recentes, a Braskem havia apresentado aos credores um plano de recuperação extrajudicial que previa três anos de carência e extensão de cinco anos no prazo de pagamento das dívidas, sem aplicação de desconto sobre os valores devidos. A proposta, no entanto, foi rejeitada.

Com o prazo da tutela cautelar se aproximando do fim e sem um acordo entre as partes, cresce a possibilidade de a companhia recorrer à recuperação judicial como alternativa para conduzir a reestruturação financeira e preservar suas operações.

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