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Oncoclínicas tem prejuízo de R$ 3,67 bi, mas EBITDA ajustado chega a R$ 831 milhões em 2025
Publicado 10/04/2026 • 10:42 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 10/04/2026 • 10:42 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Divulgação Oncoclínicas
Oncoclinicas atinge R$ 1 bi em aumento de capital e alivia pressão da dívida
O prejuízo líquido da Oncoclínicas chegou a R$ 3,67 bilhões em 2025, uma deterioração expressiva frente aos R$ 717 milhões negativos registrados no ano anterior. O número, no entanto, carrega uma camada de ajustes contábeis não recorrentes e sem efeito caixa que, somados, superam R$ 2,7 bilhões e distorcem a leitura do desempenho operacional da maior rede oncológica privada do Brasil.
Retirados esses efeitos, o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado da companhia fechou 2025 em R$ 831 milhões, com margem de 14,5%.
O balanço da empresa foi divulgado na noite de quinta-feira (9), fora do período de balanços, a pedido da companhia.
Leia também: Oncoclínicas renova conselho e avalia proteção judicial para reorganizar dívidas
Dois ajustes concentram a maior parte da distância entre o resultado operacional e o prejuízo líquido. O primeiro é o reconhecimento de R$ 2,27 bilhões em impairment ao longo de 2025, referente à reavaliação do valor recuperável de ativos em determinadas unidades da rede.
O segundo é a baixa integral de R$ 430,9 milhões em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) mantidos junto ao Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central. Desse total, R$ 217 milhões foram baixados no terceiro trimestre e R$ 213,9 milhões no quarto trimestre. Ao final de dezembro de 2025, a Oncoclínicas não contabilizava mais nenhuma posição de caixa na instituição.
Ainda no campo dos ajustes não recorrentes, a companhia registrou a baixa de R$ 374,7 milhões em ativos fiscais diferidos, após revisão das projeções de resultados tributáveis futuros com base no plano de negócios vigente. Esse ajuste não tem efeito caixa.
🔍 Impairment é o reconhecimento contábil de que um ativo vale menos do que o registrado nos livros da empresa. Quando uma companhia avalia que determinadas unidades, equipamentos ou direitos contratuais não vão gerar os retornos esperados no futuro, ela é obrigada a reduzir o valor desses ativos no balanço, lançando a diferença como despesa no resultado. O efeito é uma piora no lucro líquido, mas sem saída de caixa: o dinheiro não sai do caixa, apenas o valor contábil do ativo é ajustado para baixo. Por isso, analistas costumam excluir o impairment ao avaliar o desempenho operacional recorrente de uma empresa.
Excluindo os itens não recorrentes, o efeito não caixa do plano de incentivo de longo prazo e as operações hospitalares em processo de desinvestimento, o EBITDA ajustado somou R$ 831 milhões em 2025, contra R$ 1,22 bilhão em 2024, uma queda de 32%. A margem recuou de 19,6% para 14,5%.
No quarto trimestre isolado, o EBITDA ajustado foi de R$ 238,8 milhões, com margem de 17,4%, praticamente estável em relação ao terceiro trimestre, quando havia atingido R$ 241,4 milhões e margem de 17,1%. A administração atribuiu a estabilidade sequencial às iniciativas de redução de custos e ao ganho de eficiência operacional ao longo do ano.
🔍 O EBITDA mede o resultado de uma empresa antes de descontar juros, impostos, depreciação e amortização. Na prática, é o indicador que mais se aproxima da capacidade de geração de caixa da operação em si, sem o ruído de decisões financeiras, estrutura de capital ou ajustes contábeis. Por isso, analistas e investidores usam o EBITDA para comparar empresas de setores e portes diferentes, ou para avaliar se uma operação é saudável independentemente do nível de endividamento ou dos efeitos não recorrentes que aparecem no lucro líquido. No caso da Oncoclínicas, é justamente essa métrica que separa o desempenho do negócio oncológico dos impactos contábeis extraordinários que inflaram o prejuízo de 2025.
A receita bruta da Oncoclínicas somou R$ 6,33 bilhões em 2025, queda de 6,9% em relação a 2024. A retração reflete dois movimentos simultâneos, a interrupção dos serviços prestados à Unimed FERJ, que acumulou inadimplência de R$ 864,9 milhões, e a decisão da companhia de reduzir a exposição a fontes pagadoras com alto índice de inadimplência e consumo intensivo de capital de giro.
O número de procedimentos realizados caiu de 692 mil em 2024 para 633 mil em 2025. Em contrapartida, o ticket médio subiu de R$ 9.572 para R$ 9.711, alta de 1,5%, reflexo do repasse da inflação e da seletividade comercial adotada ao longo do ano.
Do lado positivo do balanço operacional, o custo dos serviços prestados recuou 5,1% no ano, chegando a R$ 3,95 bilhões. No quarto trimestre, a queda foi mais pronunciada, de 16,5% frente ao mesmo período de 2024, resultado das iniciativas de otimização que a companhia vem implementando desde o início do ano. A margem bruta caixa no trimestre chegou a 35,4%, expansão de 310 pontos-base em relação ao terceiro trimestre.
O balanço patrimonial revela o tamanho do desafio à frente. O passivo circulante atingiu R$ 5,2 bilhões ao final de dezembro, contra ativo circulante de R$ 2,9 bilhões, resultando em capital circulante negativo de R$ 2,31 bilhões. Do total da dívida financeira de R$ 3,28 bilhões, 96,7% estão classificados como correntes, ou seja, com vencimento no curto prazo.
A alavancagem financeira total, medida pela relação entre dívida líquida financeira mais aquisições a pagar e EBITDA ajustado anualizado, ficou em 3,5 vezes no quarto trimestre. Para fins de covenants financeiros, o índice chegou a 4,3 vezes, o que levou a companhia a iniciar negociações de waivers com credores após a divulgação dos resultados.
No quarto trimestre de 2025, a Oncoclínicas concluiu um aumento de capital de R$ 1,4 bilhão, com emissão de bônus de subscrição aos acionistas participantes, operação que a administração projeta que viabilizará redução equivalente da dívida líquida ao longo dos 24 meses seguintes.
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