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Quem é o novo dono das Casas Bahia, que agora controla 85,5% da empresa?
Publicado 18/08/2026 • 06:30 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 18/08/2026 • 06:30 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: divulgação
As Casas Bahia têm um novo controlador desde 7 de agosto de 2025, a Mapa Capital, que passou a deter 85,5% da empresa após converter títulos de dívida em ações ordinárias da varejista. A operação reduziu a dívida corporativa em R$ 1,6 bilhão e marcou uma nova etapa na história da companhia.
A mudança de controle ocorreu depois de anos de dificuldades financeiras. Em 2024, a empresa já havia recorrido à recuperação extrajudicial para reorganizar cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas. Agora, o grupo enfrenta uma crise ainda maior e protocolou um pedido de recuperação judicial envolvendo R$ 17,322 bilhões em dívidas, segundo informações do Estadão.
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A história das Casas Bahia começou em 1957, em São Caetano do Sul, quando o polonês Samuel Klein abriu a primeira loja da rede. Ele havia chegado ao Brasil cinco anos antes e, inicialmente, vendia produtos de cama, mesa e banho.
Com o tempo, Klein ampliou o negócio para móveis e eletrodomésticos. Além disso, apostou no crediário próprio, que permitia ao público de baixa renda comprar produtos de forma parcelada. Esse modelo ajudou a empresa a conquistar espaço no varejo brasileiro.
Nos anos 1970, as Casas Bahia chegaram à capital e ao litoral paulista. Em 1993, a rede abriu sua primeira unidade fora de São Paulo, em Minas Gerais. Depois, avançou para Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina. No início dos anos 2000, chegou a Goiás e ao Distrito Federal. Samuel Klein morreu em 2014, aos 91 anos, em decorrência de insuficiência respiratória.
A família Klein deixou de ter o controle da companhia muito antes da chegada da Mapa Capital. Naquele período, em 2009, o Grupo Pão de Açúcar comprou o Ponto Frio e, meses depois, fechou uma associação com as Casas Bahia. Em seguida, no ano seguinte, os ativos operacionais das Casas Bahia foram incorporados à Globex, controladora do Ponto Frio. Por fim, em 2012, a empresa passou a se chamar Via Varejo.
A família Klein permaneceu como acionista relevante até 2013, quando vendeu parte de sua participação. Depois, em 2019, o GPA vendeu sua participação na Via Varejo por meio de um leilão na B3. Com a pulverização das ações, a companhia passou a funcionar como uma corporation, sem acionista controlador definido.
Em 2021, reportagens da Agência Pública também apresentaram denúncias de crimes sexuais envolvendo Samuel Klein. Após as revelações, o Ministério Público do Trabalho abriu um inquérito para apurar possíveis responsabilidades das Casas Bahia. Segundo o Estadão, o procedimento corre sob segredo de Justiça.
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Siga o Times | CNBCA Mapa Capital assumiu o controle da Casas Bahia em 2025. A gestora comprou dívidas que estavam nas mãos de Bradesco e Banco do Brasil e, posteriormente, converteu debêntures em ações ordinárias da varejista.
Com a operação, a Mapa passou a deter 85,5% do capital da empresa. Além disso, outros acionistas, incluindo integrantes da família Klein, tiveram sua participação reduzida. Ao mesmo tempo, a operação diminuiu a dívida corporativa em R$ 1,6 bilhão e também estimou uma economia anual de R$ 230 milhões em despesas financeiras.
A mudança fez parte de uma reestruturação iniciada em 2023. Desde então, em 2024, a Casas Bahia recorreu à recuperação extrajudicial para alongar dívidas e reduzir custos financeiros. Posteriormente, a conversão das debêntures, no ano seguinte, alterou novamente a estrutura acionária da companhia.
Mesmo depois da redução do endividamento, a Casas Bahia continuou enfrentando dificuldades. No primeiro trimestre de 2026, a companhia registrou prejuízo de quase R$ 1,1 bilhão. Além disso, fechou 26 lojas nos 12 meses encerrados em março e vinha preparando novos cortes na estrutura.
A situação se agravou em agosto. A empresa anunciou o fechamento de 298 lojas e cerca de 3 mil demissões. No segundo trimestre, registrou prejuízo líquido contábil de R$ 10,1 bilhões, enquanto o resultado ajustado ficou em R$ 978 milhões negativos.
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Pouco depois, a companhia entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. Do total de R$ 17,322 bilhões sujeitos ao processo, R$ 16,414 bilhões correspondem a dívidas quirografárias, R$ 754,5 milhões são créditos trabalhistas e R$ 153,8 milhões pertencem a micro e pequenas empresas.
Assim, a Mapa Capital assumiu o controle das Casas Bahia em um momento de forte pressão financeira. A gestora conseguiu reduzir parte da dívida e ampliar sua participação na empresa, mas agora terá de conduzir a varejista durante uma recuperação judicial que pode definir os próximos capítulos de uma história iniciada por Samuel Klein há quase sete décadas.
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