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Stellantis vê risco maior à produção local com debate sobre escala 6×1 e avanço chinês

Publicado 09/06/2026 • 19:12 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Herlander Zola, presidente da Stellantis na América do Sul, diz que o fim da escala 6x1 pode piorar a competitividade frente à China.
  • Setor automotivo vive o maior ciclo de investimentos da história, com mais de R$ 190 bilhões voltados à transformação tecnológica.
  • Executivos defendem políticas públicas de longo prazo para preservar a produção nacional em meio a mudanças em sustentabilidade, digitalização e geopolítica.
O logotipo da Stellantis é retratado em uma de suas fábricas de montagem após o anúncio da empresa dizendo que interromperá a produção lá, em Toluca, estado do México, México, em 4 de abril de 2025.

O logotipo da Stellantis é retratado em uma de suas fábricas de montagem após o anúncio da empresa dizendo que interromperá a produção lá, em Toluca, estado do México, México, em 4 de abril de 2025.

Henry Romero | Reuters (Reprodução CNBC Internacional)

O fim da escala de trabalho 6×1, em discussão no Congresso, pode aumentar a pressão sobre a competitividade da indústria automotiva brasileira diante da China, avaliou Herlander Zola, presidente da Stellantis na América do Sul.

A declaração foi dada após participação no Anfavea Visions, fórum promovido pela Anfavea em São Paulo. O evento reúne montadoras, fornecedores, empresas de tecnologia, governo, setor financeiro e representantes da cadeia automotiva para discutir o futuro da mobilidade.

“Em comparação com o que acontece na China, piora a nossa competitividade, sem dúvida. As horas trabalhadas na China durante uma semana são muito maiores do que aquelas que teremos no Brasil com o modelo que está sendo discutido”, disse Zola.

Para o executivo, que lidera um grupo com marcas como Fiat, Jeep e Citroën no país, o modelo de produção local já enfrenta riscos diante da expansão das montadoras chinesas.

“Muitos dos players nacionais têm parcerias fortes na China, que podem ser utilizadas caso o modelo daqui não se mostre competitivo o suficiente”, afirmou.

Leia também: Anfavea: produção de veículos cresce 3,5% em 2025 e vê forte avanço nas exportações

Competitividade em xeque

Durante o evento, Zola participou de um painel com os presidentes da Toyota e da Renault no Brasil sobre os desafios da indústria nacional. O executivo comparou custos de capital, matérias-primas e trabalho e apontou ampla vantagem chinesa em diferentes frentes.

Segundo ele, o ponto central é a viabilidade do modelo brasileiro de produção de veículos. A Stellantis prevê investir R$ 30 bilhões no Brasil até 2030.

“O nosso investimento nesse modelo de negócio é muito pesado. Obviamente, queremos concentrar os nossos esforços, mas desde que tenhamos o nível de competitividade necessário. Esse é o aspecto que está em jogo hoje”, declarou.

Setor vive ciclo recorde de investimentos

A discussão ocorre em um momento em que a indústria automotiva brasileira vive o maior ciclo de investimentos de sua história, com mais de R$ 190 bilhões voltados à transformação tecnológica, inteligência artificial e modernização da produção.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Leandro Lara, CEO da The Experience Company e idealizador do evento ao lado da Anfavea, disse que o objetivo é discutir cenários de longo prazo para o setor.

“O Anfavea Visions é um evento de previsões, é um evento para falar de futuro”, afirmou. “O que a gente traz hoje são discussões que mostram o que os grandes líderes da indústria pensam e também o que os outros players do ecossistema, como as big techs, pensam do futuro da mobilidade.”

Sustentabilidade, digitalização e geopolítica

Para Roberto Cortes, CEO da Volkswagen Caminhões e Ônibus, o setor enfrenta transformações em escala inédita. Ele apontou três frentes principais: sustentabilidade, conectividade e geopolítica.

“É um momento único, uma oportunidade muito boa para que todos os protagonistas do setor automotivo, fornecedores, distribuidores, montadoras, governo e setor financeiro, cheguemos a um consenso de como enfrentar essas transformações”, afirmou Cortes ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Na sustentabilidade, o executivo citou a busca por redução de emissões e as diferentes rotas tecnológicas, como eletrificação e biocombustíveis. Na digitalização, disse que a inteligência artificial já começa a impactar desde o pedido de compra até o pós-venda.

“O caminhão está deixando de ser um transportador de mercadoria para ser um servidor de serviços”, afirmou.

Cortes também destacou o avanço da Ásia, especialmente da China, como fator de mudança estrutural na competição global.

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“A Ásia e a China ganham protagonismo em detrimento de outras regiões do mundo. Isso nos afeta. O número de concorrentes aumenta, enquanto os volumes não aumentam na mesma proporção. Ou seja, a competitividade aumenta”, disse.

Leia também: Vendas de carros eletrificados podem saltar para 450 mil no Brasil em 2026, projeta Anfavea

Montadoras cobram política de longo prazo

O presidente da Renault no Brasil, Ariel Montenegro, afirmou que as montadoras com operações locais perderam 7% da participação que tinham em mercados vizinhos. Segundo ele, localização e engenharia nacional são fundamentais para gerar emprego, mas o setor precisa buscar novas soluções para seguir competitivo.

“O que funcionou no passado não necessariamente vai funcionar no novo presente”, disse Montenegro.

Já Evandro Maggio, presidente da Toyota no Brasil, defendeu políticas públicas de longo prazo, como o Mover, programa federal de incentivos à produção nacional de veículos. Para ele, medidas isoladas não são suficientes para reduzir assimetrias competitivas.

“O mais importante não é uma medida isolada, aqui ou ali. O mais importante é um programa de longo prazo. Países que fizeram uma revolução na indústria automobilística tiveram programas de 10 ou até 20 anos”, afirmou.

Segundo Maggio, o Brasil precisa combinar respostas de curto prazo com ações estruturais em infraestrutura, custo de produção e formação de mão de obra.

“No Brasil, precisamos combinar programas de curto prazo, ao mesmo tempo que precisamos olhar infraestrutura, custo de produção e formação de mão de obra para que haja produtividade a longo prazo”, disse.

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