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CEO da Aon alerta que os riscos do seguro para data centers com IA podem ameaçar o financiamento
Publicado 29/10/2026 • 16:35 | Atualizado há 59 minutos
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Publicado 29/10/2026 • 16:35 | Atualizado há 59 minutos
KEY POINTS
A corrida para expandir a infraestrutura de inteligência artificial está criando riscos de grandes proporções que podem dificultar o financiamento dos data centers que sustentam o avanço da tecnologia. O alerta é de Greg Case, CEO da Aon, uma das maiores empresas globais de corretagem de seguros e gestão de riscos.
Em entrevista à CNBC na quarta-feira, Case afirmou que a concentração de bilhões de dólares em equipamentos e capacidade computacional em poucos locais pode tornar alguns projetos difíceis de segurar, o que, por sua vez, ameaça o acesso dos desenvolvedores ao crédito.
“Quando você concentra tantas instalações em uma mesma região, cria um nível de exposição que torna mais difícil conseguir seguro”, disse Case.
E o problema não para por aí. Sem cobertura adequada, os projetos podem perder acesso a fontes essenciais de financiamento. “Se fica mais difícil contratar seguros, toda a estrutura de financiamento muda. Você deixa de conseguir acessar o mercado de dívida”, afirmou.
As perdas financeiras provocadas por interrupções nas operações também podem ser enormes. Segundo Case, o impacto sobre os data centers pode chegar a milhões de dólares por minuto.
“Os data centers vão literalmente perder milhões de dólares por minuto quando houver uma interrupção nas operações”, disse à CNBC.
O alerta vem em um momento em que as empresas de tecnologia aceleram os investimentos em data centers, geração de energia e outras estruturas necessárias para sustentar a expansão da IA. Esse movimento abre novas oportunidades para seguradoras, corretoras e consultorias especializadas em gestão de riscos, mas também levanta uma questão: o mercado de seguros tradicional terá capacidade para absorver toda essa exposição?
Os resultados do terceiro trimestre da Aon dão uma ideia do tamanho dessa demanda. A empresa informou que sua carteira de projetos relacionados a data centers atingiu um recorde. O avanço ajudou a impulsionar o crescimento orgânico de 7% na receita da divisão de riscos comerciais no período.
O lucro ajustado por ação subiu 10%, para US$ 3,36 (R$ 18,18), enquanto a margem operacional ajustada avançou 0,7 ponto percentual, chegando a 27%.
Para atender à demanda crescente, a Aon criou estruturas específicas de seguros, que reúnem capacidade financeira para cobrir riscos de determinados setores. Entre elas estão uma estrutura de US$ 10 bilhões (R$ 54,1 bilhões) voltada a data centers e outra de US$ 2,5 bilhões (R$ 13,525 bilhões) destinada ao setor de energia.
Segundo Case, a gestão desses riscos começa muito antes da contratação do seguro. A Aon trabalha com desenvolvedores desde as etapas de planejamento, ajudando a definir o projeto e a localização das instalações, reduzir a possibilidade de interrupções nas operações e estruturar coberturas que tornem o financiamento viável.
“São discussões técnicas de engenharia para entender os riscos”, explicou.
A demanda por soluções mais sofisticadas de gestão de riscos também está por trás da aquisição da USI Insurance Services pela Aon, em um negócio de US$ 17 bilhões (R$ 91,97 bilhões) que ainda aguarda conclusão. A expectativa é que a operação seja finalizada no quarto trimestre.
A compra vai reunir a USI às operações que a Aon já mantém e à NFP, adquirida em 2024. Com isso, a empresa pretende criar uma plataforma voltada ao mercado intermediário, com receita de aproximadamente US$ 6,5 bilhões (R$ 35,165 bilhões).
Case argumenta que empresas de menor porte enfrentam muitos dos mesmos riscos complexos que afetam as grandes multinacionais, mas nem sempre têm acesso ao mesmo nível de análise, conhecimento especializado e soluções de seguros.
“Os nossos clientes do mercado intermediário enfrentam os mesmos desafios e estão expostos aos mesmos riscos todos os dias. Eles também merecem acesso aos recursos, à inteligência e à capacidade de atendimento disponíveis para as maiores empresas do mundo”, afirmou.
A expectativa de boa parte do setor é que a inteligência artificial torne a corretagem de seguros e a consultoria em gestão de riscos mais eficientes. Questionado sobre por que a Aon está investindo bilhões de dólares em aquisições, em vez de concentrar os recursos no desenvolvimento de tecnologia, Case disse que uma estratégia não exclui a outra.
“É uma questão de pessoas e tecnologia”, afirmou. “Quando você combina bem essas duas coisas, consegue construir os relacionamentos que realmente fazem diferença para os clientes.”
A Aon espera obter US$ 395 milhões (R$ 2,13695 bilhões) em benefícios anuais com a integração da USI. Desse total, US$ 280 milhões (R$ 1,5148 bilhão) devem vir da redução de custos e US$ 115 milhões (R$ 622,15 milhões), de receitas adicionais geradas pelas sinergias entre as operações.
A aquisição será financiada com dívida. Por isso, a empresa pretende concentrar esforços na redução de sua alavancagem financeira ao longo dos dois anos seguintes.
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Siga o Times | CNBCA inteligência artificial pode ajudar as seguradoras a identificar vulnerabilidades com mais eficiência. Ao mesmo tempo, porém, a tecnologia também abre caminho para novas ameaças, com potencial para provocar perdas financeiras em larga escala.
Em 21 de outubro, pesquisadores divulgaram duas vulnerabilidades críticas no PHP, linguagem de programação utilizada em cerca de 70% dos sites. As falhas poderiam permitir que invasores executassem códigos maliciosos remotamente em servidores vulneráveis, sem precisar passar por uma etapa de autenticação.
A IA teve papel importante na identificação e na análise dessas vulnerabilidades, com a participação das empresas de cibersegurança Calif e Wiz, do Google, além da OpenAI.
Questionado se as ameaças cibernéticas estão avançando mais rápido do que as seguradoras conseguem acompanhar, Case afirmou que o setor precisará ampliar sua capacidade financeira para atender à demanda.
“Precisamos acompanhar esse ritmo e continuar evoluindo”, disse.
Segundo ele, o mercado global de seguros conta atualmente com cerca de US$ 4,5 trilhões (R$ 24,345 trilhões) em capital. Para dar conta das necessidades crescentes relacionadas à cibersegurança, à IA, aos data centers e a outros riscos emergentes, esse montante precisaria chegar ao dobro ou ao triplo do valor atual.
“Algo entre US$ 5 trilhões (R$ 27,05 trilhões), US$ 10 trilhões (R$ 54,1 trilhões) e US$ 15 trilhões (R$ 81,15 trilhões)”, afirmou Case, ao explicar como enxerga a expansão necessária da capacidade do setor. A declaração também esclarece comentários que ele havia feito durante a teleconferência de resultados da Aon no segundo trimestre.
A estratégia passa por atrair investidores institucionais, fundos de pensão, fundos soberanos e grandes investidores individuais para financiar riscos tradicionalmente assumidos por seguradoras e resseguradoras.
Case estima que essas fontes de recursos somem cerca de US$ 250 trilhões (R$ 1.352,5 trilhões) em capital potencial. Mesmo uma pequena parcela desse montante, segundo ele, seria suficiente para ampliar significativamente a capacidade do mercado de seguros.
Com isso, a Aon busca ir além de seu papel tradicional de intermediar contratos entre empresas e seguradoras. A companhia também quer ajudar a estruturar novas fontes de capital para cobrir riscos complexos que o mercado convencional pode ter dificuldade para absorver.
“Não se trata apenas de atuar como intermediário, aceitando as condições do mercado ou tentando melhorá-las para os clientes. Trata-se também de criar mercado, abrindo novas possibilidades para administrar e enfrentar esses riscos”, afirmou.
O movimento pode abrir espaço para gestores de ativos alternativos e investidores do mercado privado interessados em retornos ligados ao setor de seguros. Mas há um desafio importante: esses investidores precisam avaliar se estão preparados para lidar com perdas elevadas que podem ocorrer ao mesmo tempo, especialmente quando vários ativos são atingidos por um mesmo evento.
Para Case, a chave está em conseguir mensurar essas exposições com precisão suficiente para que os investidores se sintam seguros ao comprometer seus recursos.
Apesar da crescente complexidade dos riscos corporativos, os preços de algumas modalidades de seguros comerciais estão em queda. Depois de anos de reajustes, empresas começam a sentir algum alívio nos custos de proteção.
Case, no entanto, fez um alerta: a redução dos preços não significa que o setor entrou em um ciclo duradouro de queda.
“Algumas pessoas estão interpretando esse movimento como sinal de que teremos um mercado de seguros permanentemente em baixa. Não é isso que está acontecendo”, afirmou.
Segundo ele, algumas empresas estão aproveitando a queda dos preços para ampliar suas coberturas, em vez de simplesmente gastar menos com seguros.
“Quando entendem melhor a própria exposição aos riscos, alguns clientes reformulam completamente seus programas de seguros. Mesmo com a queda do preço por unidade de cobertura, acabam contratando mais proteção porque precisam dela”, disse Case.
Essa tendência ajuda a Aon a sustentar o crescimento mesmo em um cenário de redução dos preços em segmentos como seguros comerciais e resseguros.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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