Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
CEO da Nvidia foi alvo de espionagem chinesa e Trump, informado há um ano, não tomou nenhuma medida, diz jornal americano
Publicado 29/10/2026 • 08:44 | Atualizado há 52 minutos
Fabricante do Mounjaro, Eli Lilly divulga balanço nesta quinta-feira (29); veja o que esperar dos resultados
Waymo avança no exterior, mas ainda pesa nas contas da Alphabet
Ações da Alphabet despencam 10% após empresa manter previsão de investimentos para 2026
Ford lucra US$ 2,05 bilhões no terceiro trimestre, mas registra queda anual
EXCLUSIVO CNBC: Robinhood registra receita recorde e amplia participação de mercado, diz CEO
Publicado 29/10/2026 • 08:44 | Atualizado há 52 minutos
KEY POINTS
Uma suspeita de espionagem chinesa atingiu a Nvidia e seu CEO, Jensen Huang, e permaneceu por cerca de um ano sob sigilo no governo americano, segundo reportagem do The New York Times publicada nesta quinta-feira (29).
O caso envolve Alice Huang, também chamada de Huang Le, cidadã chinesa e executiva da Megaspeed, empresa de data centers com sede em Cingapura. Inicialmente, ela era investigada por possivelmente desviar chips avançados de inteligência artificial para a China. Depois, autoridades dos Estados Unidos concluíram que ela repassava informações a Pequim.
Em seguida, a vigilância mostrou que a executiva mantinha relação com Jensen Huang. Há anos, Washington tenta impedir que a China alcance ou supere os americanos em inteligência artificial, e o acesso direto a um dos nomes de maior influência do setor acionou alertas na Casa Branca.
Leia também: Fabricante do Mounjaro, Eli Lilly divulga balanço nesta quinta-feira (29); veja o que esperar dos resultados
Cerca de um ano atrás, o presidente Donald Trump recebeu um briefing sobre as conclusões, que não haviam sido divulgadas até agora. Ele decidiu não fazer nada com a informação. Conforme a reportagem, Trump evita medidas que possam atrapalhar as vendas de chips da Nvidia, que ajudam a sustentar a economia e o mercado de ações, ou complicar ainda mais a relação comercial com a China.
Além disso, as autoridades levantaram a possibilidade de que Huang tivesse percepções sobre o pensamento de Trump a respeito dos chips, tema que deve voltar à pauta na visita do presidente à China, em novembro. Também surgiram dúvidas sobre o que ela poderia obter de informações da própria Nvidia.
O relato se baseia em entrevistas com pessoas informadas sobre a vigilância, que falaram sob anonimato porque os dados vêm de inteligência sigilosa, e em conversas com outras autoridades, executivos e analistas.
De acordo com as fontes, o CEO não recebeu o chamado briefing defensivo, aviso que o governo às vezes dá a americanos visados por serviços de inteligência estrangeiros. A vigilância sobre Alice Huang continua, e empresas ligadas a ela seguiram comprando chips da Nvidia neste ano.
Por sua vez, a identificação do executivo se deu por um mecanismo legal. As agências americanas só podem vigiar cidadãos do país com ordem judicial, mas, quando um americano aparece em comunicações monitoradas, órgãos do governo com necessidade comprovada podem pedir a revelação de sua identidade, processo conhecido como unmasking. Foi assim que Huang apareceu como o interlocutor da executiva.
Ainda não se sabe se a proteção da vigilância pesou na decisão de não avisá-lo. Contar ao CEO poderia alertar Alice Huang de que ela era monitorada, motivo comum para esse tipo de omissão.
Quando Trump foi informado, autoridades não acreditavam que o executivo soubesse que ela coletava dados para os chineses. Não está claro se a avaliação mudou, mas integrantes do alto escalão do governo duvidam que ele pudesse ignorar o papel atribuído a ela.
A Nvidia afirmou que a Megaspeed é um cliente regional como outro qualquer e que já havia investigado e descartado as acusações de contrabando de chips para a China. John Rizzo, porta-voz da empresa, disse que reuniões com clientes fazem parte da função de um CEO e que Huang conversa com milhares de executivos de clientes por ano.
Rizzo acrescentou que a Nvidia confia que o governo americano a avisaria se considerasse alguém uma ameaça à indústria do país. Segundo ele, clientes como a Megaspeed recebem informações comerciais comuns, sem segredos industriais e sem dados relevantes para a segurança nacional.
Já a Casa Branca, a CIA e a NSA se recusaram a comentar. A Megaspeed informou ao jornal que sua atual liderança trata o caso com seriedade, contratou advogados externos para uma investigação interna e avisou o governo americano de que vai cooperar.
Alice Huang não respondeu aos pedidos de comentário, e não está claro quão ligada ela ainda é à empresa. Uma pessoa familiarizada com as operações disse que a executiva reduziu sua atividade após as investigações americanas. Por fim, o porta-voz da Embaixada da China em Washington, Liu Chang, acusou os Estados Unidos de promover uma campanha de calúnias sem fundamento.
Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.
Siga o Times | CNBCA Megaspeed atua como intermediária. Segundo a reportagem, ela comprou chips da Nvidia da divisão americana da Inspur, fabricante chinesa de servidores cuja controladora os Estados Unidos incluíram em lista de sanções por repassar tecnologia aos militares chineses. Em seguida, a empresa fornece poder de computação à Alibaba e a outras companhias da China. Investigadores suspeitam que parte dos chips chegue ilegalmente ao país.
Registros da plataforma ImportGenius indicam que a empresa irmã da Megaspeed na Malásia comprou ao menos US$ 4,8 bilhões em equipamentos com chips e tecnologia da Nvidia entre junho de 2024 e fevereiro de 2026. O valor é incomum para uma companhia pequena e pouco conhecida.
Os dados limitados deste ano mostram que a Megaspeed e suas afiliadas continuaram a comprar produtos da Nvidia, muitas vezes por meio de intermediários. A fabricante ainda lista a empresa como parceira de nuvem em seu site, e a Megaspeed divulgou a relação neste mês. Em um anúncio de vaga, a filial da Indonésia se apresentou como parceira de negócios de destaque da Nvidia.
Paralelamente, o Departamento de Comércio investiga a Megaspeed desde o fim de 2024, quando um funcionário visitou o data center da empresa na Malásia e encontrou equipamentos da Nvidia ainda em caixas. O caso foi repassado neste ano ao Departamento de Justiça. Cingapura também abriu apuração e, em 2025, interrogou Alice Huang, mas a liberou depois.
Registros públicos ajudam a reconstituir a aproximação. Em junho de 2024, semanas antes de a Megaspeed começar as compras, fotos publicadas no LinkedIn mostraram Jensen Huang e Alice Huang em um bar de Taipei, após uma feira de tecnologia, bebendo uísque com outros executivos de inteligência artificial. Em maio de 2025, eles foram vistos juntos ao deixar um restaurante da cidade depois de um jantar com fornecedores do setor.
Segundo investidores de tecnologia, Alice e seus associados exibiam a ligação com o CEO para levantar recursos e promover a rede de negócios, que investe ao lado do governo chinês em data centers no país. Ela já se descreveu como CEO da Megaspeed, mas a empresa a listou como diretora-gerente apenas por oito meses e depois a removeu do cargo nos documentos societários.
Antes da reportagem do jornal no ano passado, Alice publicava em suas redes fotos ao lado de Jensen Huang, conforme uma pessoa que viu o perfil. Não se sabe quando os dois se conheceram.
Antes de 2025, Jensen Huang raramente ia a Washington e evitava a política. Quando o governo Trump avaliava proibir a venda de chips à China, ele e a esposa foram a Mar-a-Lago, na Flórida, a um jantar de doadores, para convencer o presidente a permitir que as fabricantes negociassem com Pequim. A Nvidia depois doou ao menos US$ 20 milhões ao fundo do salão de baile de Trump e prometeu investir US$ 500 bilhões em produção nos Estados Unidos.
No segundo mandato, Huang conseguiu afrouxar regras para empresas de inteligência artificial e reverter restrições às vendas de chips à China. Também negociou um acordo pelo qual o governo americano fica com 25% de certos chips que autoriza a vender ao país asiático. Autoridades atuais e antigas dizem que a proximidade com o presidente travou esforços para limitar as vendas externas, e que investigações e propostas de sanções ligadas à China ou à Nvidia pararam no Departamento de Comércio.
No ano passado, Trump aprovou a venda de uma geração anterior de chips à China em troca de parte da receita. Depois, avaliou o pedido de Huang para liberar tecnologia mais potente, o que irritou integrantes do governo e republicanos no Congresso, mas acabou recusando. Em setembro, durante o jantar de Estado oferecido a Xi Jinping na Casa Branca, o CEO ocupou lugar à mesa principal.
A Nvidia sustenta que cumpre a lei e que não há provas de contrabando de seus chips para a China. Rizzo afirmou que o governo chinês bloqueou chips de inteligência artificial americanos para proteger a indústria local.
Enquanto as investigações avançam, a Megaspeed mantém a expansão no Sudeste Asiático. A empresa segue apresentando novos data centers, contratando funcionários e destacando a ligação com a Nvidia, segundo analistas e anúncios de vagas. Em Johor, estado da Malásia na fronteira com Cingapura, uma subsidiária prometeu construir um grande data center em terreno de 53 acres, cuja última parcela uma incorporadora malaia disse ter recebido no mês passado.
Quando um jornalista do The New York Times visitou o local, havia materiais de construção entre estruturas parcialmente erguidas, e retroescavadeiras cavavam o solo do lado de fora. De acordo com uma pessoa com conhecimento dos planos, a empresa já tem os chips necessários para a obra.
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Zapping | Novos Streamings
Maiores Audiências
1
Lotofácil 3.816: veja o resultado do sorteio e o prêmio de R$ 2 milhões
2
Saída de Flávio Bolsonaro e incerteza fiscal elevam preocupação do mercado, diz César Bergo
3
Flávio Bolsonaro nos EUA: como funciona a extradição entre Brasil e Estados Unidos
4
Nos EUA, Flávio Bolsonaro diz que houve fraude na eleição
5
Flávio Bolsonaro chega a Miami em jato particular após deixar o Brasil sem entregar passaportes