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Conexão Global: Big techs podem investir US$ 800 bi em 2026 e mercado deve cobrar retorno por investimentos em IA, diz analista do Santander Lucas Serra

Publicado 20/08/2026 • 16:22 | Atualizado há 56 minutos

KEY POINTS

  • Lucas Serra, do Santander, afirma que o investimento das principais hyperscalers pode chegar a US$ 800 bilhões em 2026, acima das estimativas do início do ano.
  • Entre 2027 e 2029, essas empresas podem desembolsar cerca de US$ 3,6 trilhões, aumentando a cobrança por receita, margens e retorno sobre o capital.
  • Analista vê risco na crescente interdependência financeira e comercial entre companhias ligadas à inteligência artificial.
Santander

Santander/Divulgação

Os investimentos das maiores empresas de tecnologia podem chegar a cerca de US$ 800 bilhões em 2026, ampliando a pressão para que os gastos em inteligência artificial se convertam em crescimento de receita, lucro e geração de caixa. A avaliação é de Lucas Serra, analista de mercados internacionais do Santander.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC nesta quinta-feira (20), Serra afirmou que a temporada de balanços mostrou continuidade do crescimento de receitas entre grandes companhias de tecnologia, mas também uma aceleração dos investimentos acima do que o mercado projetava no início do ano.

“Somando as principais hyperscalers nos Estados Unidos, a gente está falando de um Capex que pode chegar a US$ 800 bilhões no final do ano de 2026”, afirmou.

Segundo ele, no começo do ano as projeções giravam entre US$ 500 bilhões e US$ 600 bilhões, mas foram revisadas para cima à medida que as empresas ampliaram os planos relacionados à infraestrutura tecnológica.

Microsoft, Amazon e Meta estão entre as empresas citadas como exemplos de companhias que continuam aumentando receitas e, em alguns casos, margens, especialmente em negócios ligados à computação em nuvem e inteligência artificial.

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Investimentos podem somar US$ 3,6 trilhões entre 2027 e 2029

A escalada do Capex não deve terminar neste ano, segundo Serra.

As estimativas mencionadas apontam para aproximadamente US$ 3,6 trilhões em investimentos entre 2027 e 2029 pelas principais empresas do grupo. Isso representa uma média de cerca de US$ 1,2 trilhão por ano.

“Se a gente acha que US$ 800 bilhões é um número alto, para 2027, 2028 e 2029 também devemos observar números ainda maiores”, afirmou.

Serra comparou a dimensão desses desembolsos ao valor de mercado de todo o mercado acionário brasileiro, que, segundo ele, está abaixo de US$ 1 trilhão.

A escala dos investimentos aumenta, na avaliação do analista, a principal dúvida do mercado sobre a corrida da inteligência artificial: se as empresas conseguirão financiar e executar os projetos e, posteriormente, obter o retorno esperado.

“Fica aquela dúvida: como essas empresas vão conseguir pagar essa conta, executar realmente todos esses investimentos e, no final das contas, se a gente vai ter o retorno almejado”, disse.

Relações entre empresas aumentam risco

Para Serra, o risco não está limitado à possibilidade de uma empresa isolada decepcionar nos resultados.

O analista chamou atenção para a crescente interdependência entre companhias envolvidas no ecossistema de inteligência artificial, que mantêm simultaneamente relações comerciais e participações acionárias entre si.

“É uma determinada empresa que tem participação acionária em outra empresa que também tem relações comerciais. Isso vai criando uma teia, algo bem intrincado entre essas empresas”, afirmou.

Segundo ele, essa estrutura pode ampliar a transmissão de problemas caso uma das companhias não consiga entregar o retorno esperado.

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“Se uma empresa, porventura, não conseguir atingir os seus resultados, não conseguir trazer a rentabilidade esperada, pode trazer outras empresas consigo para um cenário mais negativo”, disse.

Em um cenário mais amplo, uma sequência de resultados decepcionantes poderia enfraquecer a própria tese de geração de valor associada à inteligência artificial.

Santander prefere empresas com geração de caixa

Diante da expansão dos investimentos, Serra afirmou que prefere empresas com vantagens competitivas consolidadas, menor dependência de gastos adicionais para sustentar crescimento e fluxo de caixa livre positivo.

Dentro de tecnologia, o analista destacou o segmento de semicondutores.

O “top pick” do Santander é a Nvidia, segundo Serra.

“A gente acredita que, no médio prazo, deve continuar com as suas vantagens competitivas produzindo os chips com melhor performance no mercado”, afirmou.

O analista também vê oportunidades no mercado de memórias, diante do atual desequilíbrio entre oferta e demanda.

Segundo ele, a demanda continua crescendo rapidamente, enquanto a oferta ainda não acompanha o mesmo ritmo, cenário que pode persistir até o fim de 2027 ou início de 2028.

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Oportunidades vão além da inteligência artificial

Serra afirmou que o investidor também encontra alternativas fora da tese diretamente ligada à IA.

Uma das áreas destacadas pelo Santander é a de medicamentos GLP-1, utilizados no tratamento de diabetes e obesidade.

Segundo o analista, o crescimento da utilização desses medicamentos, a adoção de medidas para ampliar o acesso e uma eventual redução de preços podem aumentar o tamanho desse mercado.

Em uma estratégia mais defensiva, Serra citou a Coca-Cola como uma empresa capaz de ajudar a reduzir a volatilidade de uma carteira.

Segundo ele, a companhia tem apresentado crescimento de volumes e margens, com destaque para a Coca-Cola Zero.

Dentro do setor de tecnologia, mas menos diretamente ligada à atual onda de investimentos em inteligência artificial, o analista também mencionou a Uber.

Para Serra, o avanço dos veículos autônomos pode funcionar como um vetor de geração de valor para a companhia no médio e longo prazo.

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