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Ambipar: credores pedem suspensão de assembleia sobre recuperação judicial e questionam falta de informações financeiras

Publicado 20/08/2026 • 07:50 | Atualizado há 58 minutos

KEY POINTS

  • Credores da Ambipar foram à justiça pela suspensão da assembleia que discutirá o plano de recuperação judicial da empresa.
  • Oliveira Trust e Banco Sumitomo sustentam que a convocação da assembleia não respeitou o prazo mínimo de 15 dias previsto na legislação.
  • Eles também alegam que não tiveram acesso às demonstrações financeiras mais recentes da companhia, o que, segundo eles, compromete a análise do plano de reestruturação.

Foto: Divulgação

A Oliveira Trust, agente fiduciário dos debenturistas da Ambipar, e o banco Sumitomo solicitaram à Justiça do Rio de Janeiro o adiamento da assembleia geral de credores (AGC) da companhia. No encontro, marcado para 25 de agosto, estão previstas discussões sobre o plano de recuperação judicial da empresa.

Na justça, os credores sustentam que a convocação da assembleia não respeitou o prazo mínimo de 15 dias previsto na legislação. Também afirmam que ainda não tiveram acesso às demonstrações financeiras mais recentes da companhia, o que, segundo eles, compromete a análise do plano de reestruturação.

Além do adiamento da AGC, os requerentes pedem que a Ambipar apresente as demonstrações financeiras pendentes referentes ao terceiro trimestre de 2025, ao balanço anual daquele exercício e aos dois primeiros trimestres de 2026.

Caso isso não seja possível, solicitam que a empresa informe os motivos do atraso, o estágio de elaboração dos documentos e uma previsão para sua divulgação.

Leia também: Por que a CVM decidiu processar ex-executivos da Ambipar

Segundo informações reveladas pelo Valor Econômico, o pedido ocorre em meio à insatisfação de parte dos credores locais com o plano de recuperação que deverá ser submetido à votação na assembleia. A preocupação é que a proposta siga os termos do acordo firmado em julho entre a companhia e seus principais detentores de títulos de dívida emitidos no exterior.

Divergências sobre o plano

O acordo firmado com os chamados “bondholders” prevê a troca dos títulos atuais por novos papéis com prazo de sete anos e novas condições de remuneração. O entendimento também estabelece pagamentos vinculados à venda de precatórios detidos pela empresa.

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Entre credores brasileiros, a avaliação é de que o tratamento previsto para os detentores dos títulos internacionais difere das condições que poderão ser oferecidas aos demais credores. Segundo fontes envolvidas nas negociações, esse cenário tem aumentado a preocupação sobre o equilíbrio da proposta que será apresentada na assembleia.

Outro ponto de questionamento é a manutenção do controlador Tércio Borlenghi Jr. na administração da empresa, conforme previsto no acordo firmado com os credores estrangeiros. Interlocutores afirmam que o tema gera desconforto entre parte dos credores diante das dúvidas levantadas pelo mercado sobre a situação financeira da companhia antes do pedido de recuperação judicial.

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Questionamento sobre o foro da recuperação

Paralelamente ao pedido de adiamento da assembleia, a Oliveira Trust apresentou recurso ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para contestar a competência da Justiça fluminense na condução da recuperação judicial da Ambipar.

O agente fiduciário defende que o processo seja transferido para São Paulo, sob o argumento de que as principais atividades operacionais, administrativas e decisórias do grupo estariam concentradas entre a capital paulista e Nova Odessa (SP).

A petição também cita documentos apresentados pela companhia no processo de reconhecimento da recuperação judicial nos Estados Unidos, nos quais o endereço informado seria o da cidade de São Paulo.

A definição sobre o local de tramitação da recuperação judicial é alvo de discussão entre os credores desde o início do processo, iniciado após a Ambipar pedir proteção contra credores em setembro do ano passado e formalizar o pedido de recuperação judicial no mês seguinte.

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