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Crise interna pressiona American Airlines: sindicatos cobram CEO e rivais disparam

Publicado 07/02/2026 • 13:15 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A American Airlines lucrou US$ 111 milhões no ano passado, enquanto suas concorrentes Delta Air Lines e United Airlines registraram lucros de US$ 5 bilhões e mais de US$ 3 bilhões, respectivamente.
  • Os sindicatos de pilotos e comissários de bordo questionaram o CEO Robert Isom e a liderança da American Airlines depois que a companhia aérea registrou lucros muito menores do que seus concorrentes e uma recuperação difícil das tempestades de inverno deste ano.
  • A companhia aérea está tentando reformular seus negócios e alcançar as concorrentes com ofertas premium, como uma cabine de primeira classe maior, que gera mais receita do que a classe econômica. Isom disse aos funcionários esta semana: “2026 não pode apenas parecer diferente. Tem que ser diferente.”
Avião ad American Arlines em pista de pouco com montanhas nevadas ao fundo

Reprodução

Sindicatos de pilotos e comissários de bordo colocaram em xeque a liderança do CEO Robert Isom, após o desempenho da companhia ficar muito atrás de seus rivais – uma tendência que se refletiu em menor participação nos lucros para os mais de 130 mil funcionários da empresa. Para piorar o clima interno, a aérea teve dificuldades para se recuperar de fortes tempestades de inverno nas últimas semanas, deixando tripulações presas em aeroportos – algumas sem sequer um local para dormir.

Na noite de sexta-feira, o sindicato dos pilotos escreveu ao conselho da empresa pedindo uma reunião para discutir os desafios financeiros e operacionais da companhia.

“Nossa empresa segue um caminho de baixo desempenho e falhou em definir uma identidade ou uma estratégia para corrigir o rumo”, escreveu o conselho diretor da Allied Pilots Association. O sindicato pediu “líderes dispostos, preparados e empoderados para colocar a casa em ordem”.

A American lucrou US$ 111 milhões no ano passado – valor bem inferior aos resultados da Delta Air Lines e da United Airlines, que registraram cerca de US$ 5 bilhões e mais de US$ 3,3 bilhões, respectivamente, mesmo com capacidade de voos semelhante em 2025.

“Eu sei que é uma participação nos lucros pequena, um fundo muito limitado neste ano. Quando você apenas empata, é esse tipo de bônus que aparece”, disse Isom aos funcionários após a divulgação dos resultados em 27 de janeiro, segundo gravação analisada pela CNBC. “Estou decepcionado.”

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‘2026 não pode apenas parecer diferente – tem que ser diferente’

A American tenta correr atrás dos concorrentes apostando em produtos premium, que rendem tarifas mais altas — um dos poucos pontos positivos do setor, já que a receita da classe econômica tem crescido pouco. A empresa também tenta reparar os danos de uma estratégia fracassada voltada ao viajante corporativo direto, cujo idealizador foi afastado em maio de 2024.

O ano de 2026 é considerado decisivo para a companhia.

Com sede em Fort Worth, no Texas, a aérea divulgou uma projeção otimista para o ano em 27 de janeiro, e Isom disse às equipes que está confiante em melhorias. Ele destacou ainda que muitos funcionários – como comissários — ganham mais do que seus pares na United, onde tripulações negociam contratos.

Isom lidera o que descreve como uma grande transformação da American, que inclui avanços em atendimento ao cliente, malha aérea e gestão de receitas.

Nesta semana, ele levou essa mensagem a cerca de 6 mil líderes durante uma conferência realizada no Globe Life Field, em Arlington, no Texas.

“Tivemos conversas como equipe de liderança sênior sobre não desperdiçar nenhuma oportunidade… precisamos nos responsabilizar”, afirmou, segundo transcrição obtida pela CNBC. “Começa no topo, mas depende de todos aqui e da forma como vocês lideram seus times. 2026 não pode apenas parecer diferente. Precisa ser diferente.”

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Tempestades, sindicatos irritados e pressão operacional sobre a American Airlines

A American divulgou suas projeções para 2026 enquanto lidava com os impactos de uma tempestade no fim de janeiro que atingiu boa parte dos EUA – e se preparava para outra que acabou afetando seu grande hub em Charlotte, Carolina do Norte, enquanto concorrentes se recuperaram mais rapidamente.

Os resultados financeiros e a lenta retomada após o mau tempo irritaram líderes sindicais de pilotos e comissários, que juntos representam cerca de 40 mil tripulantes.

Nesta semana, dois executivos da área de operações se reuniram com o sindicato, que alertou seus membros: “nossos pilotos não aceitarão mais frases vazias, promessas ocas e a ausência de ações decisivas”.

Julie Hedrick, presidente da Association of Professional Flight Attendants, afirmou em 27 de janeiro que Isom, CEO desde 2022, “está ignorando o fator humano” e que “muitos de nós estamos aqui há muito tempo e não vemos um final que nos coloque em situação melhor”.

Isom reconheceu os problemas enfrentados pelas equipes durante a tempestade e classificou o evento climático como “provavelmente o mais impactante” de suas décadas na empresa.

Duas companhias texanas, dois destinos no mercado

A American teve um 2025 especialmente difícil, que começou com a colisão de um helicóptero Black Hawk do Exército com um jato regional da empresa em aproximação ao aeroporto Ronald Reagan, em Washington — acidente que matou 67 pessoas. A companhia e suas rivais também foram atingidas pela paralisação do governo americano no fim do ano passado.

“Tivemos um começo acelerado com base nas reservas observadas em janeiro, recordes históricos para as três primeiras semanas do ano”, disse Isom a analistas.

Ainda assim, investidores querem provas concretas de progresso.

As ações da American estão praticamente estáveis no ano. Sua rival localizada a 20 milhas em Dallas, a Southwest Airlines, também tenta se reinventar — e seus papéis sobem mais de 30% em 2026. Já United e Delta acumulam altas superiores a 3% e 8%, respectivamente.

O otimismo com a Southwest se intensificou depois que a empresa previu quadruplicar seus lucros neste ano e implementou mudanças históricas: assentos marcados, cobrança por bagagens e tarifas de classe econômica básica.

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A aposta da Amerinca Airlines no luxo para recuperar margens

Todas as grandes aéreas americanas estão investindo pesado em viagens de alto padrão, e até a Southwest avalia abrir seu primeiro lounge em aeroportos.

A American também está reformulando seus aviões de fuselagem larga com cabines maiores de classe executiva, adicionando três classes nos novos Airbus de corredor único e expandindo seus lounges. A empresa renovou cardápios e bebidas, oferecendo café Lavazza e champanhe Bollinger — e, para o centenário da companhia, incluirá caviar e beef Wellington em voos longos premium.

Isom afirmou esperar que metade da receita da empresa venha dessas “ofertas premium” até o fim da década.

Disputa estratégica em Chicago

Uma das principais frentes de batalha para a American é o Chicago O’Hare International Airport, onde o CEO da United, Scott Kirby – demitido pela American em 2016 – prometeu manter sua antiga empresa afastada.

Ambas ampliam suas operações no local para o próximo verão. O Deutsche Bank estima que a United gere cerca de US$ 10 bilhões em receita anual no aeroporto, enquanto a American ultrapassa US$ 5 bilhões.

A falida Spirit Airlines tenta transferir dois portões em O’Hare para a United por US$ 30 milhões, o que daria ainda mais espaço à rival.

Apesar disso, as dúvidas persistem.

“Não está claro se a estratégia atual fechará a diferença de margens em relação aos concorrentes”, afirmou Conor Cunningham, analista da Melius Research. “Vai levar muito tempo para executar. Você não ativa receita premium da noite para o dia.”

Ele acrescentou: “a Delta levou mais de uma década para construir uma imagem premium”.

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