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IA pode provocar o maior choque de empregos da história, alerta CEO da Anthropic
Publicado 27/01/2026 • 18:35 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 27/01/2026 • 18:35 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
FABRICE COFFRINI / AFP
O CEO da Anthropic, Dario Amodei, participa de uma sessão de discussão sobre IA durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, em 23 de janeiro de 2025.
O CEO da Anthropic, Dario Amodei, voltou a alertar para o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho. Ele afirmou que a tecnologia deve provocar uma disrupção “particularmente dolorosa” nos próximos anos.
Amodei publicou nesta segunda-feira (26) um texto no qual afirma que os riscos da IA não estão sendo suficientemente levados a sério. Segundo ele, o avanço acelerado da tecnologia pode gerar um choque no emprego maior do que qualquer transformação tecnológica anterior.
“A humanidade está prestes a receber um poder quase inimaginável, e não está nada claro se nossos sistemas sociais, políticos e tecnológicos têm maturidade para lidar com isso”, escreveu.
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O executivo já havia afirmado no ano passado que a inteligência artificial poderia eliminar até metade dos empregos de escritório. Agora, detalha que o problema não é apenas a substituição de funções isoladas, mas a abrangência da tecnologia. “A tecnologia não está substituindo apenas um emprego, mas atuando como um ‘substituto geral da mão de obra humana’”, afirmou.
Segundo Amodei, revoluções tecnológicas anteriores também causaram choques no mercado de trabalho, mas afetaram apenas uma parcela limitada das habilidades humanas, permitindo que trabalhadores migrassem para novas funções.
“Novas tecnologias costumam causar choques no mercado de trabalho, e no passado as pessoas sempre conseguiram se recuperar, mas me preocupa que isso acontecia porque essas mudanças afetavam só uma parte pequena das capacidades humanas, deixando espaço para que as pessoas migrassem para outras funções”, escreveu.
Para ele, a IA terá um impacto mais amplo e muito mais rápido. “A IA vai ter efeitos muito mais amplos e em uma velocidade muito maior. Por isso, temo que seja muito mais difícil fazer as coisas darem certo”, acrescentou.
O executivo argumenta que a chamada “amplitude cognitiva” da IA faz com que ela não atinja apenas um setor específico, mas possa eliminar empregos simultaneamente em áreas como finanças, consultoria, direito e tecnologia, reduzindo a possibilidade de trabalhadores migrarem para outros segmentos usando as mesmas habilidades.
Além do impacto econômico, o artigo também lista riscos mais amplos, como a possibilidade de sistemas se tornarem autônomos e imprevisíveis, o uso da tecnologia por grupos criminosos ou terroristas para criar armas biológicas e o risco de países explorarem a IA para concentrar poder em escala global.
Para enfrentar o choque no mercado de trabalho, Amodei defende que haverá necessidade de intervenção governamental, incluindo mecanismos como tributação progressiva voltada especialmente para empresas de inteligência artificial.
O debate ocorre em um contexto de dados contraditórios sobre os efeitos da IA no emprego. Nos Estados Unidos, a tecnologia foi citada como motivo para cerca de 55 mil demissões em 2025, segundo levantamento da consultoria Challenger, Gray & Christmas. Um estudo do MIT, divulgado em novembro, estima que a IA já é capaz de executar tarefas equivalentes a 11,7% da força de trabalho americana, com potencial de economia de até US$ 1,2 trilhão em salários.
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Levantamento da consultoria Mercer mostra que 40% dos trabalhadores no mundo temem perder o emprego para a IA, ante 28% em 2024. Já analistas do Deutsche Bank alertaram que empresas podem passar a atribuir demissões à inteligência artificial mesmo quando os cortes tiverem outras causas.
Por outro lado, o Budget Lab da Universidade de Yale afirmou, em relatório publicado em outubro, que ainda não há evidências de demissões em massa causadas diretamente pela IA entre 2022 e 2025.
Executivos do setor também apresentam visões mais otimistas. O CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmou que a tecnologia deve gerar empregos em áreas como construção, infraestrutura e fábricas ligadas à cadeia de semicondutores e computação. Já o CEO do JPMorgan, Jamie Dimon, defendeu que governos atuem para incentivar a requalificação de trabalhadores e oferecer apoio de renda durante a transição.
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Jornalista formada pela Universidade Mackenzie e pós-graduada em economia no Insper. Tem passagem pela Climatempo, CNN Brasil, PicPay e Revista Oeste. É redatora de finanças no Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Eleita uma das 50 jornalistas +Admiradas da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças de 2024.
Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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