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Mozilla desafia gigantes da IA e monta ‘aliança’ para frear domínio da OpenAI; entenda

Publicado 27/01/2026 • 19:11 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Mozilla mobiliza US$ 1,4 bilhão em reservas para financiar startups e projetos de IA aberta, com foco em segurança, governança e transparência, numa tentativa de criar uma alternativa ao domínio de gigantes como OpenAI e Anthropic.
  • A estratégia, batizada internamente de “aliança rebelde”, busca formar uma rede de pequenas empresas e desenvolvedores capazes de desafiar o modelo concentrado da indústria de IA, hoje marcado por investimentos bilionários, pouca regulação e forte influência política nos Estados Unidos.
  • Mesmo em desvantagem financeira frente a concorrentes que já levantaram dezenas de bilhões de dólares, a Mozilla aposta no open source como caminho para democratizar a tecnologia e reduzir riscos de concentração de poder no setor.

Divulgação/Mozilla

Mozilla Firefox

A Mozilla, conhecida pelo navegador Firefox, está apostando parte relevante de suas reservas financeiras para construir o que chama de uma “aliança rebelde” no setor de inteligência artificial. O projeto consiste em uma rede de startups, desenvolvedores e pesquisadores voltada a tornar a IA mais aberta, segura e menos concentrada nas mãos de poucas gigantes do setor.

Segundo relatório divulgado nesta semana pela própria empresa, a Mozilla pretende direcionar cerca de US$ 1,4 bilhão em reservas para apoiar iniciativas “com propósito”, incluindo empresas e projetos focados em governança, transparência e segurança em IA. A estratégia busca criar um contraponto ao domínio de empresas como OpenAI e Anthropic, que concentram bilhões em investimentos e infraestrutura.

O movimento é liderado por Mark Surman, presidente da Mozilla, que há anos posiciona a organização como uma força de resistência no setor de tecnologia — papel que já exerceu no passado ao enfrentar a Microsoft na era dos navegadores e, depois, Apple e Google. Agora, o alvo é a influência crescente das big techs sobre o futuro da inteligência artificial.

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Surman descreve a iniciativa como uma articulação de diversos pequenos atores que, juntos, podem formar uma alternativa real ao modelo concentrado da indústria. A Mozilla vem investindo por meio do fundo Mozilla Ventures, criado em 2022, que inicialmente destinou US$ 35 milhões a empresas em estágio inicial e hoje avalia levantar novos recursos. Até o momento, o fundo já apoiou mais de 55 companhias, incluindo dezenas de startups de IA.

O desafio, no entanto, é expressivo. A OpenAI já captou mais de US$ 60 bilhões com investidores globais e hoje é avaliada em cerca de US$ 500 bilhões. A Anthropic, fundada por ex-executivos da OpenAI, levantou mais de US$ 30 bilhões e tem avaliação estimada em US$ 350 bilhões. Além disso, gigantes como Google e Meta investem dezenas de bilhões de dólares por ano em centros de dados e contratação de pesquisadores.

A própria trajetória da OpenAI é citada como um dos fatores que alimentam a preocupação da Mozilla. Criada em 2015 como uma organização sem fins lucrativos com foco em beneficiar a humanidade, a empresa se transformou em uma companhia comercial de crescimento acelerado após o lançamento do ChatGPT, em 2022. Ex-funcionários e fundadores que deixaram a empresa criticam o que veem como uma priorização do crescimento em detrimento da segurança.

A pressão política também entra no radar. O governo Trump tem adotado postura agressiva para manter a liderança dos Estados Unidos na corrida global da IA e critica iniciativas regulatórias que considera excessivamente restritivas. Integrantes da administração acusaram empresas como a Anthropic de apoiar uma suposta “IA progressista”, enquanto a Casa Branca trabalha para consolidar um marco regulatório federal único.

Dentro da rede apoiada pela Mozilla estão startups como a alemã Trail, que desenvolve soluções de governança em IA para empresas reguladas, a Transformer Lab, focada em ferramentas open-source para treinamento e avaliação de modelos, e a Oumi, que opera uma plataforma aberta para pesquisadores e engenheiros. Os fundadores dessas empresas reconhecem tanto o potencial de colaboração quanto as dificuldades de competir com grupos que controlam capital, infraestrutura e escala.

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Executivos do ecossistema também alertam que, apesar das contribuições das grandes empresas para projetos de código aberto, persiste uma lógica de concentração de poder e aceleração comercial, muitas vezes com atalhos em questões de segurança.

Para Surman, a aposta é de longo prazo. O objetivo é que, até 2028, a Mozilla esteja financiando um ecossistema robusto de IA aberta capaz de se tornar uma alternativa relevante para desenvolvedores e empresas. A fundação também estabeleceu metas financeiras para sustentar essa estratégia, como crescimento anual de 20% nas receitas que não dependem de mecanismos de busca.

Mesmo diante do ceticismo do mercado, a Mozilla mantém a convicção de que uma coalizão descentralizada pode conquistar espaço em um setor hoje dominado por poucos vencedores.

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Amanda Souza

Jornalista formada pela Universidade Mackenzie e pós-graduada em economia no Insper. Tem passagem pela Climatempo, CNN Brasil, PicPay e Revista Oeste. É redatora de finanças no Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Eleita uma das 50 jornalistas +Admiradas da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças de 2024.

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