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Empresas cortam profissionais iniciantes para investir em IA; especialistas veem risco no longo prazo
Publicado 16/11/2025 • 10:28 | Atualizado há 11 meses
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Publicado 16/11/2025 • 10:28 | Atualizado há 11 meses
KEY POINTS
Foto: reprodução
À medida que mais empresas anunciam abertamente demissões impulsionadas por inteligência artificial em 2025, os primeiros cargos a serem cortados parecem ser justamente as posições juniores e vagas de entrada.
Programas de trainee e estágios correm o risco de virar coisa do passado, já que grandes companhias reduzem quadro para acelerar a adoção de IA. Recentemente, a Amazon demitiu 14.000 funcionários corporativos enquanto direciona investimentos para suas “apostas mais ambiciosas”, incluindo inteligência artificial generativa.
Outras empresas que têm recorrido à IA e cortado vagas incluem Accenture, Salesforce, Lufthansa e Duolingo.
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Agora, cresce a preocupação de que a IA possa assumir o trabalho que tradicionalmente cabe a profissionais iniciantes e recém-graduados, elevando ainda mais a barreira de entrada no mercado.
De fato, 62% dos empregadores do Reino Unido esperam que cargos juniores, administrativos, gerenciais e clericais sejam os mais suscetíveis a desaparecer com a IA, segundo uma nova pesquisa com 2.019 profissionais seniores de RH e tomadores de decisão realizada pelo Chartered Institute of Personnel and Development (CIPD).
Outros dados mostram queda na oferta de vagas para graduados no último ano. Nos EUA, as postagens para cargos de nível inicial caíram cerca de 35% desde janeiro de 2023, segundo dados da consultoria Revelio Labs.
No Reino Unido, o Institute for Student Employers constatou em sua pesquisa anual que pouco menos de 17 mil vagas para graduados receberam 1,2 milhão de candidaturas, evidenciando a competição intensa e o número limitado de oportunidades para jovens.
À medida que as empresas deixam de contratar profissionais juniores, Fabian Stephany, professor assistente de IA e trabalho no Oxford Internet Institute, destaca que recrutar trabalhadores iniciantes é, na verdade, um “investimento” no futuro.
Embora esses profissionais cometam mais erros e precisem de treinamento direto, especialistas disseram à CNBC que substituir trabalhadores juniores por IA acabará prejudicando as empresas no longo prazo.
Organizações saudáveis desenvolvem seus próprios talentos e não conseguem preencher todos os cargos apenas com contratações externas, afirma Chris Eldridge, CEO para Reino Unido, Irlanda e América do Norte da empresa de recrutamento tecnológico Robert Walters.
“Se você remove funções juniores demais, pode sufocar o pipeline interno de talentos”, disse Eldridge.
“Cargos de entrada e níveis juniores são o terreno fértil para a liderança do futuro. Se você cortar demais essa camada, terá um gargalo de talentos que inevitavelmente leva ao aumento dos custos de contratação.”
Se a empresa não tiver jovens suficientes sendo formados internamente, será obrigada a contratar de fora — criando um “ciclo de destruição de talentos”, que gera custos maiores, inflação salarial e dependência excessiva do mercado externo.
“Eu represento uma consultoria de talentos, mas ainda assim recomendamos que toda organização tenha vários caminhos para captar talentos — e um deles é formar os seus próprios”, afirmou Eldridge.
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Siga o Times | CNBC“Reter talentos também é crucial, por meio de treinamento, desenvolvimento e oportunidades… mas você perde uma parte significativa do crescimento quando fecha o pipeline de entrada de jovens na organização”, completou.
Empresas que não desenvolvem talentos jovens acabam perdendo conexão com consumidores e com a cultura mainstream, segundo Stephany, do Oxford Internet Institute.
“Uma empresa faz parte da sociedade, e se ela não reflete essa sociedade, fica difícil imaginar um modelo de negócio ou produto que não precise dessa ponte geracional… e os jovens trazem ideias novas e perspectivas diferentes”, disse ele ao CNBC Make It.
Companhias que deixam de contratar jovens se tornam “como casas de repouso”, disse Stephany. “É como uma empresa composta por pessoas prestes a se aposentar que talvez não tenham a energia e o espírito necessários para lançar um novo produto no mercado.”
Eldridge concorda, observando que existe um estereótipo de que todas as boas ideias vêm do topo. “Mas uma porcentagem muito saudável das grandes ideias nas empresas vem de pessoas nos primeiros dois ou três anos de casa, porque enxergam tudo com olhos frescos.”
Outro benefício de ter jovens na equipe é a possibilidade de mentoria reversa, especialmente porque eles têm domínio natural de tecnologia — algo que, se perdido, representa uma ameaça real para as organizações.
“Se qualquer coisa corroer essa oportunidade de mentoria e transferência de conhecimento bidirecional, isso reduzirá o conhecimento institucional e criará lacunas”, afirmou.
Matthew Prince, cofundador e CEO da Cloudflare, disse ao programa “Worldwide Exchange”, da CNBC, que a empresa planeja contratar 11 mil estagiários na era da IA — tanto para capacitar a próxima geração quanto para receber ideias novas.
“CEOs de 50 anos, como eu, não serão aqueles que ensinarão as empresas a aproveitar a IA. Precisamos aprender com a próxima geração”, disse Prince.
O “conhecimento tácito” é peça essencial para manter uma organização saudável, segundo Stephany. Ele se refere àquilo que não está escrito em nenhum manual — mas é transmitido entre colegas e molda a cultura da empresa.
“Há tantas coisas que fazem uma empresa funcionar e que não estão registradas em lugar nenhum”, disse ele. “Elas emergem da rede de pessoas, como alguém que está na empresa há 25 anos e explica por que X tem um problema com Y.”
“Esse tipo de sabedoria organizacional — o conhecimento tácito — é um lubrificante para o bem-estar econômico da empresa.”
Eldridge acrescentou que jovens são como esponjas e “absorvem o melhor da empresa”, incluindo esse conhecimento que só pode ser passado de pessoa para pessoa.
“Eles são os portadores da cultura do futuro. Se você deixa de trazer esse grupo para dentro, o que isso significa, lá na frente, para a cultura?”
“Empresas dependem dessa pressão ascendente, na qual uma leva de pessoas inexperientes chega, com fome de aprender. Elas fazem muitas perguntas, o que desafia a organização e a mantém alerta. Se você não tem isso, pode comprometer a cultura e o desempenho”, concluiu Eldridge.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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