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Cade libera venda da Desktop à Claro por R$ 4 bilhões

Publicado 13/09/2026 • 19:51 | Atualizado há 46 minutos

KEY POINTS

  • A Superintendência-Geral do Cade autorizou sem restrições a aquisição da Desktop pela Claro, negócio fechado por R$ 4 bilhões em março.
  • Análise identificou sobreposição das operadoras em 198 municípios, mas concluiu que concorrentes e infraestrutura existente limitam riscos ao mercado.
  • A operação já havia recebido aval prévio da Anatel e amplia a presença da Claro em São Paulo, onde a companhia disputa a liderança com a Vivo.

A compra da Desktop pela Claro recebeu aval sem restrições da Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A decisão afasta, nesta etapa da análise concorrencial, preocupações que haviam surgido inicialmente sobre os efeitos da união das duas operadoras no mercado de telecomunicações.

O negócio, anunciado oficialmente em março, movimenta R$ 4 bilhões. Desse montante, R$ 2,4 bilhões correspondem aos ativos adquiridos, enquanto outros R$ 1,6 bilhão se referem à dívida líquida da Desktop que será assumida pela Claro.

A concentração das empresas chamou atenção principalmente na banda larga fixa em São Paulo. Segundo o parecer, as operações das duas companhias se sobrepõem em 198 municípios e, em parte dessas localidades, a fatia conjunta após a aquisição será elevada.

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Mesmo nesses mercados, porém, a Superintendência-Geral concluiu que a Claro terá baixa possibilidade de exercer poder de mercado de forma unilateral após incorporar a Desktop.

“As condições de entrada, rivalidade e contestabilidade mostraram-se suficientes para mitigar os riscos concorrenciais”, afirmou o órgão antitruste. A avaliação levou em consideração a infraestrutura de redes disponível e a atuação de provedores locais e empresas de alcance nacional capazes de disputar clientes nessas cidades.

Claro amplia presença no mercado paulista

A Desktop reúne 1,2 milhão de clientes em 198 cidades paulistas e responde por aproximadamente 7,6% do mercado no Estado. Sua incorporação reforça a posição da Claro em uma região na qual a operadora disputa diretamente a liderança com a Vivo.

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Atualmente, a Claro possui 4,5 milhões de clientes em São Paulo, equivalentes a 28,3% do mercado, enquanto a Vivo soma 4,9 milhões e detém participação de 31%.

O Cade também avaliou a existência de redes que poderão se tornar redundantes após a integração das operações. Segundo a análise, a própria Claro terá incentivo econômico para desocupar gradualmente essas estruturas, reduzindo a duplicação de infraestrutura.

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Anatel havia apontado preocupação com negócio

A conclusão favorável ocorre depois de a operação ter enfrentado questionamentos regulatórios. Em outubro de 2025, quando surgiram as primeiras informações sobre as negociações, uma análise preliminar da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) indicou que a aquisição poderia prejudicar a competição e dificultar a entrada de novos concorrentes.

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A avaliação mudou durante a análise formal da transação. Em maio deste ano, a Anatel concedeu anuência prévia à compra, abrindo caminho para o avanço do negócio também na esfera concorrencial.

Claro ficará inicialmente com 73% da Desktop

Pelos termos da transação, a Claro receberá 84 milhões de ações ordinárias da Desktop, correspondentes a 73% do capital da operadora.

As ações serão vendidas pelo fundo Makalu Brasil Partners, controlado pela gestora norte-americana HIG Capital, e por acionistas pessoas físicas, entre eles Denio Alves Lindo, fundador da Desktop.

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A aquisição deverá ter ainda uma segunda etapa. Depois de assumir o controle, a Claro deverá apresentar uma oferta pelos 27% das ações restantes que permanecem no mercado.

Fundada em 1997, em Sumaré, no interior paulista, a Desktop recebeu investimento da HIG Capital em 2020 para acelerar sua expansão e abriu o capital no ano seguinte. A empresa negociava uma venda para a Claro desde o fim de 2025. Antes disso, chegou a manter conversas com a Vivo, mas as partes não chegaram a um acordo sobre o preço.

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