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Transporte

EXCLUSIVO: Com aprovação do novo CIOT, 49% das transportadoras terão de adaptar processos e treinar times

Publicado 27/08/2026 • 13:00 | Atualizado há 32 minutos

KEY POINTS

  • Levantamento da Edenred mostra que 49% das transportadoras apontam adequação de processos como maior desafio das regras do CIOT
  • CIOT passa a ser validado antes da viagem começar e falha pode impedir a liberação do transporte já na origem, aponta levantamento
  • Emissões de CIOT saltaram de 1,6 milhão em janeiro para 4,6 milhões em junho de 2026, quase triplicando com a nova obrigatoriedade
CIOT Caminhoneiros

Freepick

O Código Identificador da Operação de Transporte, o CIOT, passou a ser exigido para praticamente todas as operações de frete rodoviário no país. Levantamento exclusivo da Edenred Mobilidade, obtido pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, mostra que 49% das transportadoras apontam adaptação de processos e treinamento de equipes como o principal desafio diante da mudança.

No dia 5 de agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que reforça as regras do transporte rodoviário de cargas, com atenção ao cumprimento do piso mínimo de frete. A medida amplia a obrigatoriedade do CIOT e eleva o rigor da fiscalização sobre o setor.

Na prática, o CIOT funciona como uma espécie de RG da viagem. Nele constam informações como contratante, transportador, origem, destino e valor do frete, dados que passam a permitir maior controle e fiscalização por parte da Agência Nacional de Transportes Terrestres, a ANTT.

Pesquisa aponta desafios entre transportadoras

O levantamento da Edenred Mobilidade ouviu 261 profissionais de 214 empresas do setor. Além dos 49% que citam adequação de processos e capacitação de equipes, 17% dos participantes apontam a busca por maior conformidade com a legislação como principal efeito percebido.

Outros 11% relatam impacto financeiro direto. A necessidade de investir em tecnologia aparece para 9% dos entrevistados, enquanto 6% não notaram mudanças relevantes e 7% ainda avaliam os efeitos da nova regulamentação.

CIOT passa a ser exigido antes da viagem

As mudanças decorrem da Medida Provisória 1.343/2026, aprovada pelo Congresso Nacional em julho, convertida no Projeto de Lei de Conversão 6/2026 e sancionada nesta semana. O texto se soma às Resoluções 6.077 e 6.078/2026 da ANTT, que ampliaram o rigor da fiscalização e passaram a exigir a validação do CIOT antes do início de cada viagem.

Na prática, inconformidades podem impedir a liberação do transporte já na origem, o que altera a rotina de transportadoras, embarcadores e motoristas autônomos.

O piso mínimo de frete existe desde 2018. A nova lei reforça sua aplicação ao ampliar a fiscalização e prever sanções para ofertas, anúncios, intermediações e contratações abaixo do valor mínimo, inclusive em plataformas digitais. A ANTT ganha respaldo para aplicar multas e suspender o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas, o RNTRC, em casos de infração.

Emissões de CIOT quase triplicam em seis meses

Paralelamente, a ampliação da obrigatoriedade do CIOT para praticamente todas as operações de transporte rodoviário remunerado de cargas acelerou a formalização do setor. Dados do ILOS, o Instituto de Logística e Supply Chain, mostram que as emissões do CIOT saltaram de 1,6 milhão em janeiro para 4,6 milhões em junho de 2026, quase triplicando no período.

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O documento também passou a ser vinculado de forma obrigatória ao Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais, o MDF-e. As exigências ainda alcançam operações de subcontratação entre empresas e reforçam os controles sobre os Transportadores Autônomos de Cargas, os TACs, com restrições para emissão simultânea de códigos em determinadas modalidades de contratação.

Caminhoneiros ficam parados no Piauí

Os desafios da nova sistemática já geraram reflexos práticos. Em Teresina, no Piauí, cerca de 200 caminhoneiros autônomos permaneceram por até 20 dias no Distrito Industrial Sul à espera da liberação de cargas.

O episódio ocorreu depois que plataformas de emissão do CIOT enfrentaram dificuldades diante do volume de solicitações registrado logo após a entrada em vigor das novas regras, em maio. A situação reforça a importância de sistemas preparados para operar em larga escala e manter continuidade mesmo em momentos de alta demanda.

Para Vinicios Fernandes, diretor de Unidades de Negócio na Edenred Mobilidade, o episódio ilustra o tamanho do desafio enfrentado pelo setor.

“O episódio registrado no Piauí, em que caminhoneiros ficaram parados por até 20 dias por atraso na emissão do CIOT, é um exemplo de como a adaptação às novas regras vai muito além do cumprimento de uma obrigação legal. A pesquisa revela que o mercado entende a importância da mudança, mas também busca mais informação e ferramentas capazes de garantir continuidade operacional. Nós apoiamos nossos clientes exatamente nesse processo, pois, com fiscalização atuando antes da viagem começar, qualquer inconsistência pode gerar atrasos, retenções e impactos em toda a cadeia logística”, afirma Fernandes.

Tecnologia ganha espaço na adaptação

O apoio ao setor aparece como demanda no próprio levantamento. Entre os entrevistados, 59% apontam o acesso a informações claras como o fator mais importante para a adequação às novas regras. Já 26% destacam a automação de processos por meio de soluções tecnológicas.

Outros 8% mencionam a disponibilidade de equipes dedicadas à implementação das mudanças, 3% citam a necessidade de orçamento específico e 4% indicam outros fatores.

Segundo Fernandes, a automação de processos deixou de ser vista apenas como iniciativa de eficiência. Hoje, avalia o executivo, a tecnologia ajuda a garantir conformidade regulatória, reduzir riscos operacionais e assegurar a continuidade das operações em um ambiente cada vez mais complexo e exigente. Ele acrescenta que soluções como as Instituições de Pagamento Eletrônico de Frete, as IPEF, devem ganhar mais espaço no setor nos próximos meses.

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