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Primeiro-ministro do Catar vai ao Irã para “reduzir tensões” enquanto ataque a petroleiro testa afirmação de Trump sobre Ormuz

Publicado 27/08/2026 • 11:30 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Mohammed bin Abdulrahman Al Thani está em Teerã para “discutir formas de reduzir as tensões e criar condições favoráveis ao diálogo”, afirmou o porta-voz do primeiro-ministro do Catar.
  • Um petroleiro pegou fogo na terça-feira após ser atingido por um projétil não identificado no Estreito de Ormuz, segundo a UKMTO.
  • Aliados dos EUA teriam contestado as declarações de Trump de que as minas iranianas no estreito haviam sido totalmente removidas.

O primeiro-ministro do Catar, país aliado dos Estados Unidos, está no Irã para reuniões nesta quinta-feira (27) como parte dos esforços para “reduzir as tensões” entre Teerã e Washington.

O Catar, que tem atuado como um canal de comunicação indireto entre os países em conflito, anunciou que Mohammed bin Abdulrahman Al Thani visitaria Teerã para “discutir formas de reduzir as tensões e criar condições favoráveis ao diálogo”.

A visita ocorre depois que a agência UK Maritime Trade Operations (UKMTO) informou que outro petroleiro foi atingido por um projétil não identificado no Estreito de Ormuz na manhã desta quinta-feira, no mais recente de uma série de ataques esporádicos que têm mantido navios afastados do importante corredor energético.

Um porta-voz de Bin Abdulrahman Al Thani afirmou, em uma publicação no X, que o primeiro-ministro do Catar deverá “se reunir com uma série de autoridades iranianas” durante a visita.

“As discussões também abordarão a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz e a necessidade de que ela retorne à situação anterior a 28 de fevereiro”, afirmou.

Leia também: Estados Unidos podem ampliar pressão econômica e militar sobre o Irã em guerra de desgaste, avalia professor

Ataque a petroleiro em Ormuz enfraquece afirmações de Trump

A UKMTO informou que o ataque mais recente contra um petroleiro no Estreito de Ormuz foi registrado na costa de Omã. Segundo a agência, o incêndio provocado pelo ataque foi controlado, todos os tripulantes foram considerados em segurança e uma investigação estava em andamento.

O tráfego pelo Estreito de Ormuz apresentou queda nesta semana e permanece muito abaixo dos níveis anteriores à guerra, mesmo enquanto os Estados Unidos tentam ajudar a escoltar embarcações pelo lado omanense do estreito. Na semana passada, um ataque contra um navio de carga que transitava pela hidrovia matou um tripulante.

Apenas cinco navios fizeram travessias confirmadas na terça-feira, ante sete no dia anterior — uma queda expressiva em relação às mais de 130 embarcações que atravessavam o estreito diariamente antes da guerra, segundo a Kpler. Todas as cinco travessias utilizaram a rota unilateral que o Irã designou para o transporte marítimo, informou a empresa de rastreamento.

Aliados dos Estados Unidos estão céticos quanto à possibilidade de as minas iranianas no estreito terem sido totalmente removidas, segundo reportagem da Bloomberg, colocando em dúvida as declarações do presidente Donald Trump de que a hidrovia estaria segura para a navegação.

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A reportagem foi publicada depois de Trump afirmar na quarta-feira que o Estreito de Ormuz havia sido completamente desminado, classificando-o como “um estreito em funcionamento”.

“Sim, de vez em quando haverá um drone ou um foguete ou algo sendo disparado, mas é um estreito em pleno funcionamento. Muito petróleo está saindo”, disse Trump.

Enquanto isso, Irã e Omã chegaram a um acordo sobre um corredor marítimo temporário destinado a restabelecer uma passagem mais segura pelo estreito.

Leia também: Irã afirma que respondeu à proposta de paz mais recente dos Estados Unidos

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, porém, alertou que a hidrovia não será totalmente reaberta até que os Estados Unidos cumpram seus compromissos previstos em uma estrutura de acordo de paz provisório assinada em junho, que posteriormente expirou.

As Forças Armadas dos Estados Unidos mantêm um bloqueio naval contra embarcações iranianas no importante ponto de estrangulamento marítimo e utilizam a rota ao sul, pelo lado de Omã, para escoltar petroleiros que entram e saem do Golfo.

Nesta semana, o governo Trump lançou uma “ofensiva econômica” contra as conexões financeiras do Irã em todo o mundo, aumentando a pressão sobre países e entidades que mantêm relações econômicas com Teerã. A escalada reduziu as perspectivas de negociações de paz entre Washington e Teerã.

Em entrevista à Al Jazeera na quarta-feira, Trump afirmou que “não tem um cronograma” para a retomada das negociações com o Irã com o objetivo de encerrar a guerra, que já dura seis meses. Questionado se a pressão econômica seria mais eficaz do que ataques militares, Trump respondeu: “Acho que ambos são eficazes”.

Em uma iniciativa diplomática após a campanha de sanções dos EUA contra a economia iraniana, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, pediu à ONU e aos governos de seus países-membros que condenem o que classificou como “terrorismo econômico” dos Estados Unidos. Segundo ele, a organização tem “responsabilidade legal e moral” de denunciar a campanha de sanções como “ilegal e criminosa”.

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