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Guerra no Oriente Médio encarece combustível e pressiona modelo low cost

Publicado 30/03/2026 • 11:33 | Atualizado há 7 meses

KEY POINTS

  • Guerra no Oriente Médio pressiona combustível e ameaça modelo low cost das aéreas asiáticas com margens mais estreitas.
  • Executivos alertam que repasse de custos ao consumidor pode prejudicar demanda e agravar crise no setor aéreo.
  • AirAsia e SpiceJet adotam tecnologia via satélite e corte de fornecedores para reduzir dependência de combustível.
low cost AirAsia

Divulgação: AirAsia.com

A AirAsia é “sustentável”, e planeja crescer diante da disparada dos preços dos combustíveis, segundo o cofundador.

As companhias aéreas de baixo custo na Ásia enfrentam pressão crescente sobre seu modelo de negócios diante da alta do combustível provocada pelo conflito no Oriente Médio. O impacto é mais intenso nas chamadas low cost, que operam com margens mais estreitas e dependem de alto volume de passageiros para compensar tarifas mais baixas.

Esse modelo limita a capacidade de absorver aumentos bruscos de custos, especialmente em um momento em que o querosene de aviação (QAV) segue em alta e o conflito não apresenta perspectiva de resolução imediata.

Durante o Aviation Festival Asia, realizado em Singapura, executivos do setor relataram que o equilíbrio entre repassar custos e estimular a demanda tornou-se cada vez mais delicado.

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Ataques ao Irã agravam cenário

Além de pressionar inflacionariamente as operações, o conflito no Oriente Médio afetou rotas importantes. A SpiceJet, da Índia, figura entre as companhias que relataram impactos diretos em suas operações.

O diretor de atendimento ao cliente da empresa, Kamal Hingorani, apontou que apenas Dubai concentra 77 vezes a demanda a partir da Índia, o que representa uma fatia relevante da receita da companhia. Para ele, o cenário já afeta rotas e receitas e o impacto pode se intensificar nos próximos meses.

“Se os preços ficarem insustentáveis, teremos que absorver parte dos custos”, afirmou Hingorani, sinalizando que nem todo o aumento do combustível será repassado ao passageiro. Dados da agência de classificação ICRA, compilados pela CNBC, indicam que as low cost indianas podem crescer até 5,9% em 2026 na comparação anual, mas ainda podem avançar mais em abril.

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Dilema entre tarifa e demanda

Executivos do setor foram diretos ao avaliar o impasse. “É preciso ajustar tarifas e, ao mesmo tempo, estimular a demanda. Com tarifas mais altas, não há passageiros”, destacou à CNBC o CEO da AirAsia Cambodia, Vasoch Nam.

Para as low cost, o desafio é estrutural. O modelo depende de ocupação elevada e custos operacionais baixos para funcionar. Quando o combustível sobe de forma abrupta e persistente, a margem de manobra se estreita rapidamente. Ainda assim, o aumento do combustível segue como fator relevante de custo mesmo para as companhias que têm conseguido resultados mais sólidos.

O cofundador da Zipair Tokyo, Yasuhiro Fukada, destacou que a empresa sente diretamente essa pressão, principalmente pelo custo elevado e imprevisível do combustível para os passageiros.

Tecnologia para sobrevivência

Para enfrentar os custos, a Zipair anunciou a adoção de internet via satélite Starlink em suas rotas, substituindo soluções tradicionais de entretenimento por alternativas que reduzem o consumo de combustível e os custos de manutenção.

A SpiceJet, por sua vez, investiu em soluções próprias por meio de sua subsidiária SpiceTech. O desenvolvimento de sistemas internos permitiu reduzir em cerca de 80% a dependência de fornecedores em termos de tecnologia, diminuindo despesas operacionais, segundo a empresa.

A análise da Stifel Aviation, feita pelo analista Brendan Sobie, apontou que algumas rotas de longo alcance têm se mantido mais resilientes, mas o cenário geral ainda exige ajustes contínuos das companhias.

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