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Stellantis aposta em tecnologias da Toyota e da Bosch para novos Jeeps híbridos
Publicado 10/03/2026 • 08:59 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 10/03/2026 • 08:59 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Jeep Renegade
DETROIT — A Stellantis, fabricante da marca Jeep, está recorrendo a tecnologias de fornecedores do setor automotivo para equipar seus novos SUVs híbridos, em meio à expectativa de crescimento contínuo da demanda por veículos mais eficientes em consumo de combustível, apurou a CNBC.
O primeiro SUV híbrido da Jeep para a América do Norte, o recém-lançado Cherokee, utiliza um sistema desenvolvido pela Blue Nexus, empresa apoiada pela Toyota. Já os próximos veículos elétricos de autonomia estendida, conhecidos como EREV (Extended-Range Electric Vehicles), contarão com tecnologias importantes da Bosch, a maior fornecedora automotiva do mundo.
Embora seja comum que montadoras utilizem componentes de fornecedores, é menos frequente que adotem sistemas ou tecnologias centrais, especialmente aqueles desenvolvidos por concorrentes, como a Toyota.
Leia também: Stellantis despenca após anunciar impacto de US$ 26 bilhões com reestruturação do negócio
Ainda assim, a estratégia da Stellantis reflete uma mudança mais ampla no mercado, com a indústria se afastando parcialmente dos veículos totalmente elétricos. A adoção de soluções de fornecedores também permite que as montadoras coloquem híbridos no mercado com mais rapidez, e possivelmente com menor necessidade de capital. Muitas empresas do setor já perderam bilhões de dólares após grandes investimentos em veículos elétricos, incluindo o desenvolvimento e a produção de tecnologias próprias.
O Jeep Cherokee, que utiliza a transmissão híbrida elétrica continuamente variável de dois motores da Blue Nexus, e o futuro Jeep Grand Wagoneer EREV são dois dos principais lançamentos da montadora neste ano, especialmente enquanto a empresa tenta recuperar participação no mercado dos Estados Unidos. A Stellantis também pretende utilizar o sistema EREV em suas picapes Ram.
“Os avanços na eletrificação estão relativamente estáveis. Já a tendência dos híbridos está crescendo de forma clara”, disse Richard Cox, vice-presidente sênior de operações da marca Jeep, à CNBC durante um evento recente de imprensa sobre o Cherokee 2026. “Acho que foi um grande passo na direção certa.”
Representantes da Stellantis e das fornecedoras automotivas se recusaram a comentar oficialmente as parcerias. No entanto, fontes das empresas, que não tinham autorização para falar publicamente sobre os acordos, confirmaram os detalhes à CNBC.
Os dois sistemas híbridos funcionam de formas diferentes. O Cherokee segue o conceito de híbrido tradicional, semelhante ao utilizado em diversos modelos da Toyota, incluindo o Prius.

Já os EREVs funcionam como veículos totalmente elétricos até que um motor a combustão seja acionado para atuar como gerador quando a bateria se esgota. Nesse caso, o motor não movimenta diretamente o veículo — ele apenas gera energia para alimentar os motores elétricos.
De acordo com duas fontes da Stellantis, ambos os sistemas híbridos utilizam motores da própria montadora e foram integrados para atender aos padrões e à dinâmica de condução da empresa.
A expectativa também é de melhora significativa na eficiência de combustível. O Cherokee, por exemplo, registra consumo combinado de 37 milhas por galão (mpg), tornando-se o Jeep sem recarga externa mais eficiente já produzido para o mercado americano.
“Os consumidores têm aceitado a tecnologia de híbridos completos devido às melhorias na eficiência de combustível, à ampla variedade de modelos disponíveis e ao fato de que não é necessário mudar o estilo de vida para aproveitar o sistema”, afirmou Eric Anderson, diretor associado de previsões de powertrain para veículos leves nas Américas da S&P Global Mobility.
A Stellantis e outras montadoras investiram bilhões de dólares nos últimos anos no desenvolvimento de veículos totalmente elétricos para atender a regulações federais e a uma demanda de consumidores que acabou não se confirmando na escala esperada. Agora, muitas dessas empresas estão reduzindo esses investimentos e voltando sua atenção para os híbridos, buscando melhorar a eficiência energética e atender às expectativas do mercado.
No mês passado, a Stellantis divulgou encargos de US$ 26 bilhões relacionados aos seus planos para veículos elétricos. Rivais de Detroit também anunciaram baixas contábeis semelhantes. A Ford Motor informou que registrará US$ 19,5 bilhões em encargos especiais ao reduzir seus planos de eletrificação, enquanto a General Motors estima baixas de US$ 7,6 bilhões relacionadas a mudanças em sua estratégia de veículos elétricos.
Peter Tadros, presidente da divisão de soluções de energia da Bosch na América do Norte, afirmou que a empresa tem recebido um grande volume de consultas sobre seus sistemas híbridos, à medida que as montadoras buscam alternativas aos veículos totalmente elétricos e tentam lançar novos modelos rapidamente, com sistemas confiáveis e parceiros consolidados.
“Há definitivamente um interesse muito grande nesses sistemas”, disse ele à CNBC. “O que ficou muito evidente nos últimos anos é que as vendas de híbridos aumentaram independentemente das regulações ou da orientação política. O crescimento no mercado tem sido consistente.”
Lideradas pela Toyota, as vendas de híbridos nos Estados Unidos cresceram de 7,3% do mercado em 2023 para 12,6% no ano passado, segundo a S&P Global Mobility. No mesmo período, a participação dos veículos totalmente elétricos subiu de 7,5% para 8%.
A consultoria projeta que os híbridos representem 18,4% das vendas de veículos nos EUA neste ano, enquanto os elétricos totalmente a bateria devem responder por 7,1%.
Tadros não comentou especificamente qualquer relação com a Stellantis, citando políticas da empresa, mas afirmou que é comum a Bosch trabalhar em parceria próxima com montadoras no lançamento de novos veículos e tecnologias.
“Não existe uma solução única para todos, e cada empresa está abordando o tema de uma maneira diferente”, afirmou. “Depende de cada montadora — de onde estão suas forças, seus equipamentos industriais e como elas utilizam esses recursos. Esse é o ponto de partida de cada uma.”
A Bosch oferece componentes conhecidos na indústria como “off the shelf” — produtos prontos que podem ser adaptados às necessidades de cada fabricante. Além dos sistemas EREV, a empresa também fornece componentes para híbridos tradicionais e para híbridos plug-in, que funcionam de maneira semelhante aos EREVs, mas se comportam mais como veículos a combustão do que como elétricos puros.
A Stellantis, mais do que algumas outras montadoras, tem histórico de parcerias com empresas do setor para reduzir custos de pesquisa, desenvolvimento e investimento. A companhia mantém, por exemplo, uma parceria de longa data com a fornecedora alemã ZF para transmissões e sistemas de eixo.
“Eles frequentemente recorrem a parceiros fornecedores para esse tipo de tecnologia”, disse Sam Abuelsamid, vice-presidente de pesquisa de mercado da consultoria Telemetry. “A vantagem é que você pode usar algo que já foi desenvolvido por um fornecedor. Ao pegar uma solução pronta, é possível levar o produto ao mercado mais rapidamente.”
Segundo ele, a desvantagem é que essas peças podem não se integrar perfeitamente aos sistemas do veículo, além de a montadora perder controle sobre parte da cadeia de suprimentos de componentes essenciais.
Nos anos 2000, quando o Toyota Prius começou a ganhar espaço nos Estados Unidos, a montadora japonesa fechou acordos com a Ford e a Nissan para licenciar determinadas tecnologias híbridas. No entanto, esses acordos — e os veículos resultantes deles, como o Ford Escape Hybrid e o Nissan Altima Hybrid — tiveram vida curta.
A Blue Nexus é uma joint venture criada em 2019 entre as fornecedoras japonesas Denso e Aisin, ambas integrantes do grupo Toyota. A empresa comercializa componentes eletrificados, como eixos elétricos (e-axles), e sistemas híbridos, incluindo o Toyota Hybrid System II — que incorpora a transmissão híbrida elétrica continuamente variável de dois motores utilizada no Jeep Cherokee.
Um representante da Blue Nexus não foi localizado para comentar. Toyota, Denso e Aisin recusaram-se a comentar ou não responderam aos pedidos de manifestação.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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