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Vibra Energia: o que explica a escalada das ações e por que é favorita do mercado?
Publicado 06/02/2026 • 19:05 | Atualizado há 27 minutos
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Publicado 06/02/2026 • 19:05 | Atualizado há 27 minutos
KEY POINTS
Divulgação/Vibra
Vibra Energia
As ações da Vibra Energia (VBBR3) apresentaram um movimento de forte valorização nos últimos 3 meses, com os papéis atingindo recentemente suas máximas históricas ao serem negociadas na casa dos R$ 30,81.
O movimento transformou a companhia em uma verdadeira “queridinha” dos analistas de mercado, atingindo nesta semana um marco raro: 100% dos analistas sell-side agora recomendam a compra do papel.
Essa ascensão levanta questões fundamentais para o investidor: o que sustenta essa alta? É um movimento baseado em fundamentos sólidos ou apenas especulação de curto prazo? E, talvez o mais importante, ainda vale a pena entrar no ativo agora que ele está no topo?
A valorização da Vibra não é fruto de um evento isolado, mas de uma combinação de fatores macroeconômicos e setoriais. O principal motor tem sido a repaginada no ambiente concorrencial. Com o aumento do rigor das autoridades no combate à informalidade no setor de combustíveis, as grandes distribuidoras recuperam espaço.
O Goldman Sachs, que recentemente elevou a recomendação da empresa de neutro para compra, destaca que a Vibra é a “escolha pura” (pure play) para capturar esse ciclo. Como aproximadamente 85% do seu EBITDA está atrelado diretamente à distribuição de combustíveis, a empresa consegue converter o ganho de participação de mercado em lucro de forma mais eficiente que seus pares.
Além da questão regulatória, a alavancagem financeira da companhia, que antes era vista com cautela, tornou-se um trunfo em meio às sinalizações de queda nas taxas de juros pelo Banco Central.
Para Hugo Queiroz, sócio e analista da L4 Capital, esse movimento ganhou força após ações recentes contra irregularidades no setor. “O primeiro deles foi aquela operação Carbono Oculto, que trouxe de novo à tona o dinheiro do crime organizado em postos bandeira branca. Então, isso pressionou e muito esses postos independentes a procurar se juntar e ir para o caminho do embandeiramento. E tudo que uma distribuidora mais quer é o embandeiramento, porque aí você vai crescer fluxo e volume, assim, rapidamente.”
Hugo também destaca a força da marca e a vantagem competitiva operacional da empresa. “Vibra tem a bandeira Petrobras por trás, fortalece ela em relação aos pares. Você tem uma vantagem competitiva muito interessante contra os seus players, seus concorrentes ali principais, com uma marca muito forte, uma infra fantástica de armazenamento.”
Diferente de bolhas especulativas, a alta de VBBR3 parece estar ancorada em melhorias operacionais e eficiência. A escala e a capilaridade da Vibra permitem que ela absorva a demanda que antes era atendida pelo mercado informal com margens superiores.
Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, a trajetória ascendente da companhia está muito mais atrelada a fundamentos e a uma reprecificação necessária do que a um movimento puramente especulativo. Ele observa que o papel vinha sendo negociado com um desconto excessivo após um longo período de desempenho fraco. Recentemente, no entanto, o mercado passou a incorporar uma visão mais construtiva, baseada em ajustes estratégicos e na expectativa de resultados mais estáveis para o setor de distribuição.
Lima enfatiza que a valorização ocorreu de forma gradual, sem os picos típicos de momentos de euforia, o que reforça a tese de uma recomposição sólida de valor. Segundo o analista, para que a alta se sustente no médio e longo prazo, a Vibra precisará manter a disciplina financeira, preservar suas margens e entregar crescimento de volumes de forma consistente. “Hoje, a Vibra voltou ao radar como uma tese mais racional do que oportunista”, destaca o especialista, reforçando que os investidores seguem atentos a esses pilares.
Quanto à estratégia para novos investidores, Sidney sugere cautela e seletividade para quem deseja entrar no ativo agora que ele negocia em patamares elevados. Ele recomenda que a compra seja feita de forma “fatiada” e dentro de uma carteira diversificada, já que o ritmo de valorização futura deve depender mais da execução operacional do que de novos gatilhos imediatos.
O potencial existe, mas exige que o investidor compreenda que o grosso da reprecificação inicial já foi absorvido pelo mercado em fevereiro 2026.
Gabriel Uarian, analista-chefe da Cultura Capital, também avalia que a recente valorização tem predominância de fundamentos sobre movimentos puramente especulativos. “A ação subiu forte nos últimos três meses, o que representa uma alta de mais de 20-30% dependendo do ponto exato de comparação, e no ano já acumula bem mais (chegando a +100% em 12 meses em alguns momentos recentes). A alta recente tem base mais fundamentada do que puramente especulativa, embora o momentum de mercado ajude a amplificar.”
Segundo ele, operações de fiscalização contra fraudes e informalidade no setor criaram uma dinâmica estrutural mais favorável às grandes distribuidoras. “Operações recentes da PF e ANP contra sonegação, não-mistura obrigatória de biodiesel e fraudes no diesel beneficiam as grandes distribuidoras listadas (como Vibra, Ultrapar e Raízen). Isso reduz a concorrência desleal e melhora margens.”
Outro ponto de fundamento sólido é a postura da administração em relação a ativos secundários, como a Comerc (braço de energia renovável). O mercado elogiou a disciplina da gestão em não apressar uma venda em um momento de desafios operacionais no setor de renováveis, como o curtailment (cortes de geração). A estratégia é esperar um cenário de custo de capital mais baixo para maximizar o valor de uma eventual alienação.
Para Jayme Simão, sócio-fundador do Hub do Investidor, o rali das ações possui um “componente majoritariamente fundamentalista”. Segundo o especialista, o setor de distribuição como um todo tem se beneficiado de um ambiente competitivo mais racional, com melhora nas margens da gasolina, maior disciplina operacional e a redução de incertezas regulatórias.
No caso específico da Vibra, Simão destaca que a valorização é justificada pela expectativa de uma geração de caixa mais robusta e pela captura eficiente de ganhos operacionais.
O especialista acredita que a alta pode se sustentar no médio e longo prazo, desde que o cenário de margens equilibradas persista e a companhia entregue uma expansão consistente do EBITDA. Ele ressalta que múltiplos atuais não parecem esticados diante da geração de caixa projetada e do potencial de dividendos a partir de 2027.
No entanto, faz um alerta sobre a sensibilidade do papel: “embora o fim do curtailment mais intenso e a melhora na distribuição ajudem, o setor continua sensível ao preço do petróleo, ao câmbio e à política de preços da Petrobras“, ponderou Simão.
“A ação já precificou parte da melhora, mas, se a tese operacional continuar se confirmando, ainda vemos espaço no médio prazo”, reforçou o analista.
Para Rodrigo Rios, CEO da LR3 Investimentos, o rali também reflete uma mudança estrutural na percepção de qualidade da companhia. “A valorização nos últimos três meses tem muito mais relação com fundamento do que com especulação. A companhia vem entregando resultados sólidos, com geração de caixa forte, margens consistentes e uma gestão mais disciplinada. O desempenho de 2024 mostrou EBITDA robusto, lucro elevado e fluxo de caixa livre expressivo, reforçando a leitura de uma empresa mais eficiente e preparada para remunerar o acionista.”
Rios acrescenta que há sempre um componente de expectativa no caminho, mas o movimento não parece exagerado ou desconectado da realidade financeira da companhia. Parte do re-rating já foi absorvida pelo mercado e a ação negocia próxima das projeções de consenso. “Vibra segue sendo uma empresa sólida, mas novas altas vão depender de resultados acima do esperado ou iniciativas adicionais de criação de valor.”
Já Pedro Galdi, analista CNPI do AGF, adota uma visão mais conservadora quanto ao ponto de entrada no papel. “Acreditamos que o ambiente concorrencial em distribuição de combustível se mostra mais favorável com a intensificação do combate à informalidade pelas autoridades brasileiras, levando a ganhos de share e à expansão das margens das grandes distribuidoras. Vale lembrar que a maior parte do Ebitda da Vibra vem do negócio de distribuição, por isso a empresa está mais bem posicionada para capturar esse ciclo positivo do setor”, destaca.
Para quem olha para o médio e longo prazo, a dúvida é se o preço atual já “esticou” demais. Atualmente, a Vibra vale cerca de R$ 38,2 bilhões na Bolsa. Apesar de estar no topo histórico, a ação negocia a cerca de 20 vezes o indicador preço sobre o lucro.
Para o consenso dos analistas, esse múltiplo ainda é considerado atrativo. O argumento é que o processo de re-rating (reprecificação para cima) deve continuar conforme os cortes na Selic se materializem no balanço e a formalização do mercado de combustíveis se consolide.
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