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Gramado sintético reduz custos e amplia uso comercial de estádios, diz CEO da Soccer Grass
Publicado 01/09/2026 • 15:30 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 01/09/2026 • 15:30 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A expansão dos gramados sintéticos no futebol brasileiro está mudando a relação dos clubes com seus estádios, com impacto tanto na operação esportiva quanto nas receitas. Em entrevista ao Times CNBC Sports, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Alessandro Oliveira, CEO da Soccer Grass, afirmou que o modelo permite reduzir custos de manutenção e ampliar a utilização das arenas para jogos, eventos e shows.
A discussão sobre o uso da grama artificial ganhou força no futebol brasileiro após jogadores, entre eles Neymar, manifestarem resistência ao modelo. Segundo Oliveira, porém, existe uma diferença entre os gramados sintéticos utilizados em campos recreativos e aqueles instalados em estádios profissionais, que precisam atender aos padrões da Federação Internacional de Futebol (FIFA).
“Essas gramas normalmente não têm manutenção, normalmente não atendem uma qualificação de alta performance, como são essas gramas hoje que estão nessas arenas, nos estádios”, explicou.
De acordo com o CEO, os gramados profissionais precisam passar por testes que avaliam parâmetros como quique e rolagem da bola, planicidade, tração e rotação da chuteira. A certificação Quality Pro, da FIFA, é o nível máximo de exigência para esse tipo de superfície.
Oliveira afirmou que os parâmetros utilizados para avaliar os gramados sintéticos têm como referência campos de grama natural de alto desempenho utilizados em competições europeias.
“O mesmo kick de bola que teve nesse gramado, a mesma rolagem de bola, a mesma planicidade, toda a parte de performance que acontece num campo de grama natural, ele precisa acontecer nesse tipo de gramado”, afirmou.
A Soccer Grass também realiza testes periódicos para verificar se a superfície continua dentro das especificações exigidas pela FIFA. Segundo Oliveira, a manutenção é realizada semanalmente, enquanto parâmetros técnicos são aferidos mensalmente.
Embora o investimento inicial para instalar um gramado sintético seja maior do que o necessário para um gramado natural, a diferença aparece ao longo da operação. Segundo Oliveira, a manutenção do sintético pode custar menos da metade da realizada em uma superfície natural.
O principal ganho financeiro, entretanto, está na possibilidade de utilizar o estádio com maior frequência. O gramado sintético pode receber partidas, treinamentos, categorias de base, shows e outros eventos sem precisar dos períodos de recuperação exigidos pela grama natural.
“Você pode jogar até 24 horas direto que o gramado não vai ter problema algum. Então você pode jogar com categoria de base, você pode liberar para jogos, para evento”, disse.
Oliveira citou o Allianz Parque, estádio do Palmeiras, como exemplo do impacto da realização de eventos sobre a grama natural. Segundo ele, a arena chegou a trocar o gramado mais de oito vezes em um ano por causa de shows.
Leia também: Reconhecimento facial pode ampliar receitas dos clubes, diz Tironi Paz Ortiz, CEO da Imply
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Siga o Times | CNBCO Allianz Parque também aparece na argumentação do executivo sobre a segurança do gramado sintético. Segundo Oliveira, o Palmeiras é a equipe que mais atuou nesse tipo de superfície desde a instalação do gramado em 2020.
“O time que mais jogou em grama sintética é a própria equipe do Palmeiras”, afirmou. Segundo ele, informações internas do clube indicam que não houve lesões no gramado sintético do Allianz Parque no período citado.
Oliveira também rejeitou a associação entre a decisão de Neymar de não disputar determinadas partidas e uma suposta rejeição dos jogadores ao gramado artificial. Na avaliação do executivo, o caso do atacante do Santos estaria relacionado ao controle de carga física.
“Não foi por conta do sintético, foi realmente para poupar o jogador”, afirmou.
Para os clubes, a adoção do gramado sintético não representa apenas uma mudança na superfície utilizada para as partidas. A maior resistência do gramado ao uso frequente permite explorar comercialmente o estádio durante mais dias do ano.
A possibilidade de receber shows e eventos sem comprometer a realização das partidas cria novas oportunidades de geração de receita para as arenas. O modelo também reduz a necessidade de substituições frequentes do gramado após grandes eventos.
A expansão desse tipo de superfície ocorre em um cenário no qual os estádios passaram a ser tratados cada vez mais como ativos de entretenimento, e não apenas como locais para partidas de futebol.
Segundo Oliveira, a regulamentação para utilização do gramado sintético em competições profissionais já está definida pela FIFA e é seguida pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
“Hoje ela exige para todos os campeonatos dela os gramados sintéticos. É obrigatório seguir a exigência da FIFA e ter a certificação Quality Pro”, afirmou.
Para o executivo, a discussão sobre a utilização do gramado artificial deve considerar principalmente a qualidade da instalação, a manutenção e o cumprimento dos critérios técnicos estabelecidos pelas entidades esportivas.
Com a expansão do modelo entre clubes brasileiros, a questão deixa de ser apenas esportiva e passa também pela gestão financeira das arenas. Menores custos de manutenção e maior disponibilidade para eventos podem transformar o gramado em uma ferramenta para ampliar a exploração comercial dos estádios.
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