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Gramado sintético ou natural? Presidente da Recoma explica por que o Brasil aposta cada vez mais no piso artificial

Publicado 03/08/2026 • 23:15 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Sérgio Schildt, presidente da Recoma, afirma que o menor custo de operação e o maior tempo de utilização impulsionam o avanço dos gramados sintéticos no futebol brasileiro.
  • Executivo diz que a comparação com a Europa precisa considerar as diferenças de infraestrutura e afirma que poucos gramados naturais no Brasil atingem o padrão dos principais campos europeus.
  • Segundo Schildt, estudos apontam incidência semelhante de lesões entre gramados naturais e sintéticos, com diferenças apenas no tipo de contusão.

A discussão entre gramado natural e sintético voltou ao centro do futebol brasileiro em 2026. Com o maior número de clubes da Série A mandando partidas em campos artificiais da história, o debate envolve custos, infraestrutura, desempenho esportivo e o impacto sobre a saúde dos atletas.

Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o presidente da Recoma, Sérgio Schildt, afirmou que o avanço do gramado sintético no Brasil está diretamente ligado à evolução tecnológica e às mudanças no modelo de financiamento dos estádios.

“Hoje o dinheiro público se afastou dos estádios e o dinheiro privado passou a ser predominante. A conta precisa fechar. Além disso, a tecnologia do gramado sintético evoluiu muito e está cada vez mais próxima do gramado natural em estado da arte.”

Segundo Schildt, apesar de o investimento inicial ser mais elevado, o gramado sintético oferece um custo operacional significativamente menor ao longo do tempo.

“O custo por hora de uso do gramado sintético é extremamente mais baixo. Apesar de ter um custo de implantação maior, ele entrega muito mais horas de utilização.”

O executivo citou o Palmeiras como exemplo de clube que consegue maximizar o uso da arena graças ao piso sintético. Já no caso de estádios com gramado natural ou híbrido, o custo de manutenção cresce à medida que aumenta a utilização.

“Um estádio utilizado por apenas um clube, como o do Corinthians, normalmente recebe uma ou duas partidas por semana. Já um gramado sintético suporta uma quantidade muito maior de eventos, o que melhora a relação entre custo e utilização.”

Schildt também destacou que o modelo europeu é diferente do brasileiro e que a comparação nem sempre leva em conta as diferenças de receita e infraestrutura.

“Na Europa também existem muitos gramados híbridos, que utilizam componentes sintéticos. A diferença é que o modelo de negócios é outro. O ticket médio é muito maior, o financiamento é mais barato e os clubes conseguem bancar uma estrutura muito mais cara.”

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Ao comentar a comparação entre os campos brasileiros e europeus, o executivo afirmou que o parâmetro utilizado no debate costuma desconsiderar a realidade nacional.

“Quando pensamos em gramado natural, pensamos no gramado inglês, espanhol ou italiano. Mas o gramado brasileiro é o gramado do Bahia, do Ceará, do Coxa. É outra realidade.”

Segundo ele, os gramados europeus considerados referência apresentam uniformidade, drenagem e manutenção que ainda são exceção no Brasil.

“Quando comparamos os gramados, precisamos considerar a nossa realidade. Talvez tenhamos dois ou três gramados naturais próximos do estado da arte. A grande maioria não apresenta uniformidade em todo o campo, tem problemas de drenagem e sofre mais com o desgaste.”

Sobre a discussão envolvendo lesões, Schildt afirmou que estudos científicos não apontam diferença relevante na incidência de contusões entre os dois tipos de piso.

“Os estudos mostram que a quantidade de lesões é muito parecida. O que muda é o tipo de lesão. E normalmente se compara o gramado sintético com gramados naturais em estado da arte, o que não representa a realidade da maioria dos campos brasileiros.”

Para o executivo, a evolução da indústria tende a reduzir ainda mais as diferenças entre os dois modelos.

“O futuro é fazer com que o gramado sintético fique cada vez mais próximo do gramado natural em estado da arte.”

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