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Ibovespa B3 rompe os 182 mil e dólar fecha a R$ 5,20, menor nível em 20 meses

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7 pontos para entender os recordes sucessivos da bolsa e a queda do dólar

Publicado 27/01/2026 • 16:13 | Atualizado há 2 horas

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Raphael Coraccini

Analista e repórter de mercado, economia e negócios, Raphael Coraccini é jornalista, especializado em jornalismo econômico e mercado financeiro, mestre e pesquisador em Ciência Social com foco em Ciência Política. Atua na cobertura de autoridades monetárias, autoridades econômicas, resultados corporativos, M&A, mercado de capitais, impostos e tarifas, regulação e outros assuntos relacionados a economia e política.

Ibovespa B3 sobe e o dólar cai

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Ibovespa B3

A bolsa brasileira voltou a renovar máxima histórica intradiária nesta terça-feira (27), acima dos 183,2 mil pontos, enquanto o dólar recua para R$ 5,21.

O movimento reflete uma combinação rara de fatores: commodities em alta, dólar globalmente fraco, fluxo estrangeiro, inflação em desaceleração e expectativa de mudança na política de juros, ainda que cautelosa.

Entenda, no detalhe, os principais vetores do momento positivo do mercado para ativos brasileiros.

  1. Commodities voltam a brilhar

A valorização das commodities voltou a ser o principal motor do Ibovespa B3, índice altamente concentrado em empresas ligadas a petróleo, mineração e exportação. Com o petróleo em alta e ações do setor em destaque (PETR4 sobe mais de 2%), a bolsa brasileira se beneficia de um movimento global.

“O nome do jogo é ‘commodities’, e o Ibovespa B3 é fortemente ligado a essa perspectiva”, afirma André Perfeito, economista-chefe da Garantia Capital. Segundo ele, o cenário global favorece ativos reais: “Até segunda ordem, num mundo em busca de uma nova ordem, commodities é o que manda”.

  1. Expectativa de corte de juros precificada

Mesmo com a expectativa de manutenção da Selic nesta Superquarta, os investidores já antecipam uma sinalização para o início do ciclo de cortes em março. A curva de juros futuros vem fechando em todos os vencimentos, impulsionando a reprecificação dos ativos de risco.

“O mercado já espera que o Banco Central sinalize um corte para março, e isso tem impulsionado os ativos”, diz Bruna Centeno, economista e sócia advisor da Blue3 Investimentos. Segundo ela, o fechamento da curva tem sido um dos principais suportes para a alta da bolsa.

  1. Tom do comunicado é o que importa

O foco do mercado está menos na decisão e mais na comunicação da autoridade monetária. A sinalização sobre o horizonte de cortes pode definir a sustentabilidade do rali recente.

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Para Eduardo Amorim, especialista em investimentos da Manchester Investimentos, o Copom seguirá cauteloso. “A preocupação principal não é a inflação corrente, e sim o comportamento das expectativas para 2026 e 2027, que seguem acima do centro da meta”. Segundo ele, a leitura do Focus sustenta essa postura. “O mercado deve reagir muito mais ao tom do comunicado do que à decisão em si: se o comitê reforçar cautela, juros altos por mais tempo”, afirma.

  1. Dólar fraco, inflação menos pressionada

A queda da moeda americana abaixo de R$ 5,30 melhora o pano de fundo inflacionário, reduzindo riscos de repasse para preços e ajudando a leitura de curto prazo. Ainda assim, o órgão regulador tende a tratar o câmbio como variável auxiliar.

“O dólar abaixo de R$ 5,30 melhora o pano de fundo na margem, mas não é gatilho para mudança de postura”, afirma Amorim. Segundo ele, o foco segue sendo expectativas e balanço de riscos fiscal e externo.

  1. Fraqueza global do dólar

A desvalorização da divisa tem origem externa, ligada a ruídos fiscais nos EUA, críticas políticas ao Fed e tensões geopolíticas. O efeito direto é o fortalecimento de moedas emergentes e maior fluxo para mercados como o Brasil.

“Não é o real que está forte, é o dólar que está fraco”, resume André Perfeito. Ainda assim, esse ambiente favorece a entrada de capital estrangeiro e reforça a valorização da B3.

  1. Fluxo estrangeiro busca ações com desconto

Mesmo após as máximas históricas, o principal índice da bolsa segue negociando a múltiplos descontados quando convertido em moeda estrangeira, o que atrai investidores globais em busca de ativos reais e mercados com assimetria positiva.

Segundo Bruna Centeno, “o fluxo de estrangeiro tem contribuído diretamente para a alta, junto com a desvalorização da moeda americana”, ampliando a liquidez e sustentando o movimento.

  1. A inflação desacelera, mas ainda impõe cautela ao Banco Central

O IPCA-15 de janeiro subiu 0,20%, praticamente em linha com as projeções, e levou a inflação em 12 meses a 4,50%, no limite superior da meta. A composição foi mais benigna, mas ainda heterogênea, com núcleos pressionados.

Para Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, o dado é construtivo, mas não definitivo: “A inflação mostra trajetória de acomodação, mas ainda exige manutenção de postura restritiva por período prolongado”.

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