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Raízen: investidor que comprou CRA deve ir para o final da fila de restituição e tem risco de ficar sem o dinheiro
Publicado 13/03/2026 • 09:45 | Atualizado há 2 meses
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Foto: Reprodução
Raízen pode fechar negócio de até US$ 1,5 bilhão: veja o que está à venda
Investidores pessoa física que aplicaram seu dinheiro em títulos ligados à Raízen (RAIZ4) devem enfrentar uma posição desfavorável no processo de recuperação extrajudicial da companhia.
A maior parte dos CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) foi adquirida por investidores de varejo. E esses títulos foram emitidos como dívida quirografária — sem garantia real relevante — o que tende a colocar esses credores no fim da fila de pagamento, aumentando o risco de perdas expressivas.
O problema se agrava porque muitas dessas emissões tinham como lastro debêntures da própria Raízen, que perderam valor com a deterioração financeira da empresa. Com a contaminação desses ativos e uma dívida total próxima de R$ 65 bilhões, analistas alertam que parte dos investidores pode não apenas deixar de receber os rendimentos prometidos, mas até perder o valor principal investido, em um caso que pode repercutir no mercado de crédito privado brasileiro.
“Quando você fala da pessoa física, ela acaba entrando, na maioria das vezes, no final da fila. Isso porque os CRAs contratados pela maior parte desse perfil de investidor foram emitidos como quirografários, detalha Dyego Galdino, CEO da Kaya Asset, empresa do setor financeiro que está analisando técnica e juridicamente a recuperação extrajudicial da Raízen e como isso deve afetar os investidores.
Esses títulos emitidos como quirografários têm garantias frágeis ou nenhuma garantia. Para boa parte dos investidores pessoa física da Raízen que compraram as CRAs, receberam como garantias papéis atrelados ao termo de securitização da emissão, que tinha pouca capacidade de oferecer de fato um respaldo financeiro para o investidor. Parte importante do total das CRAs emitidas e vendidas a pessoas físicas tiveram como garantia debêntures da própria Raízen, e, diante da incapacidade de a empresa pagar suas contas, houve uma contaminação de todos esses ativos, deixando as CRAs sem garantia real.
Nesse cenário, o custo de oportunidade já pesaria contra os investidores considerando que deixaram de investir em outros papéis mais seguros com retornos melhores, ou mesmo títulos de renda fixa, que estão com alguns dos maiores rendimentos da história. Mas o prejuízo pode ser muito maior. Há ainda a séria possibilidade de perder inclusive o principal, ou seja, o valor aplicado na origem. “Como teve muita compra de dívida, algumas dessas emissões possivelmente terão uma perda significativa, podendo até zerar (o valor a ser recebido)”, diz o analista.
O calote – por enquanto – temporário da Raízen nos seus investidores “tem potencial de transbordar e afetar o mercado como um todo (do crédito privado)”, segundo Matheus Falci, sócio da One Investimentos, que fala sobre os impactos nos spread de crédito, com a possibilidade de o mercado exigir prêmios maiores para investir nas empresas brasileiras.
Porém, o especialista pondera que ainda há uma demanda muito grande por produtos isentos, como os CRAs
Hoje, o cenário base, segundo Galdino, é de inviabilidade de a Raízen se recuperar, tendo em vista o tamanho da dívida da empresa, de cerca de R$ 60 bilhões, o que gerou uma das maiores recuperações extrajudiciais da história do país. E para o investidor que apostou nos CRAS e debêntures da empresa, isso pesa ainda mais se considerar que a prioridade na fila do pagamento está com os grandes credores da companhia, que detêm mais de 50% da dívida.
Nesta sexta-feira (13), as ações da Raízen apontam discreta alta – valorização de mais de 2% durante a tarde – após a Justiça de São Paulo aceitar a recuperação extrajudicial da companhia. Mas o movimento pode ser efêmero, dado que a recuperação extrajudicial tem desafios complexos pela frente. “O mercado vê um grau de alavancagem muito alto que exige uma reestruturação bem-feita com vendas de ativos por parte do grupo, capitalização da empresa e a restruturação de prazos de pagamento”, elenca Alex André, economista e Head de Corporate Access da MZ.
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