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Fluxo estrangeiro na Bovespa soma R$ 56 bilhões neste ano e tem melhor desempenho desde 2022
Publicado 06/05/2026 • 13:01 | Atualizado há 3 dias
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Publicado 06/05/2026 • 13:01 | Atualizado há 3 dias
KEY POINTS
Reprodução/Canva
A cautela internacional devido à guerra no Oriente Médio empurram o Ibovespa para baixo no pregão desta terça-feira (28).
O investidor estrangeiro segue como o principal vetor de sustentação da bolsa brasileira em 2026, mas os dados de abril mostraram uma mudança relevante de comportamento ao longo do mês. Levantamento da Elos Ayta obtido pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC aponta entrada líquida de R$ 56,54 bilhões na Bolsa de Valores de São Paulo até abril, sem considerar IPOs e follow-ons.
Este foi o melhor resultado para o período desde 2022, ano em que o fluxo estrangeiro acumulou R$ 100,82 bilhões. O volume de 2026 já é 2,22 vezes superior a todo o aporte registrado em 2025, que somou R$ 25,47 bilhões.

Quando consideradas as ofertas de ações, o saldo positivo alcança R$ 57,05 bilhões no acumulado de janeiro a abril. O número equivale a 47,6% do pico observado em 2022, quando o fluxo total atingiu R$ 119,79 bilhões com IPOs e follow-ons, e também supera o dobro do registrado no ano passado.
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Apesar do desempenho robusto no acumulado, abril trouxe sinais claros de perda de tração. O mês registrou entrada líquida de R$ 3,18 bilhões sem considerar ofertas e R$ 3,22 bilhões com IPOs e follow-ons. Foi o pior resultado mensal de 2026 e a terceira queda consecutiva no fluxo.

A trajetória de 2026 começou em ritmo forte. Janeiro registrou entrada de R$ 26,31 bilhões, um dos maiores volumes mensais da série histórica recente. Fevereiro veio em R$ 15,40 bilhões e março, em R$ 11,66 bilhões. A desaceleração de abril fecha um quadrimestre em que cada mês entregou menos recursos do que o anterior.
A redução de ritmo também foi acompanhada por menor liquidez no mercado. Em abril, o volume financeiro movimentado por estrangeiros somou R$ 447,1 bilhões em compras e R$ 443,9 bilhões em vendas. Em março, o mercado havia superado R$ 512,7 bilhões em compras e R$ 501,1 bilhões em vendas.

O ponto mais relevante do levantamento está na dinâmica intramensal. Até o dia 22 de abril, o saldo acumulado no ano era de R$ 64,42 bilhões. O fechamento do mês em R$ 56,54 bilhões indica uma saída líquida de R$ 7,88 bilhões nos últimos dias.
O movimento apresenta características típicas de fluxo institucional, com concentração em uma janela curta de operação e impacto direto sobre a trajetória mensal. Esse padrão costuma estar associado a ajustes de carteira de fundos globais, que reposicionam exposição de forma rápida em resposta a sinais externos.

A leitura analítica é de que a desaceleração não configura uma reversão estrutural do fluxo. Trata-se de uma mudança de comportamento, com o investidor estrangeiro operando de forma mais tática.
Entre os fatores que explicam o movimento estão a realização de lucros após um início de ano forte, o aumento da aversão a risco em função do cenário global e oscilações em commodities relevantes para a economia brasileira, com destaque para o petróleo, que continua próximo dos US$ 80 o barril em meio ao conflito no Oriente Médio.

O Brasil segue tratado como um ativo de maior risco dentro dos portfólios globais. A condição implica entradas expressivas em momentos de maior apetite e saídas rápidas em períodos de maior cautela. A leitura predominante é de que o fluxo estrangeiro permanece positivo e relevante em 2026, mas passou a operar com sensibilidade ampliada a variáveis externas, padrão historicamente associado a períodos de maior volatilidade no mercado acionário.
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