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Banco Central faz primeiro leilão de swap reverso desde 2016 e segura queda do dólar
Publicado 06/05/2026 • 12:33 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 06/05/2026 • 12:33 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
O Banco Central realizou nesta quarta-feira (6) o primeiro leilão de swap cambial reverso desde 2016. A operação ofertou US$ 500 milhões ao mercado e teve efeito imediato sobre o câmbio, que vinha em forte trajetória de valorização do real frente ao dólar. O movimento fez o dólar subir de R$ 4,89 para R$ 4,92.
A modalidade simula uma compra futura de dólares e funciona como instrumento técnico para conter a queda da moeda americana. O volume aceito pelo BC foi considerado pequeno pelo próprio mercado, mas a sinalização foi suficiente para alterar o comportamento dos investidores no pregão desta manhã.
Na sessão anterior, o dólar havia atingido o menor valor desde janeiro de 2024, em meio a sinais de distensão tática no conflito do Oriente Médio e à decisão de Donald Trump de suspender a operação de escolta no Estreito de Ormuz. Após a atuação do Banco Central, a moeda americana voltou a operar em alta.
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Segundo Fabrício Silvestre, economista da Levante Investimentos, a autoridade monetária atua no mercado de câmbio quando identifica funcionamento atípico. “O Banco Central não tem uma meta para o câmbio, ele não tem um câmbio que define como alvo. Ele faz as suas entradas e saídas pensando na demanda dele para essa moeda”, afirmou ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
A leitura é de que o BC pode antecipar a recomposição de carteira para executar medidas em momentos de maior demanda, como em períodos sazonais no fim do ano. A operação desta quarta entra nessa lógica de gestão técnica, e não de defesa de patamar específico para o real.
A taxa de câmbio vem se comportando de forma favorável ao real por um período prolongado. Pesam nesse movimento as incertezas geradas pelo governo Donald Trump nos Estados Unidos e o efeito do conflito no Oriente Médio, que beneficia a balança comercial brasileira pela posição do país como grande exportador de petróleo e outras commodities.
A continuidade do conflito no Oriente Médio mantém o petróleo em patamar elevado, com cotação flutuando perto de US$ 80 o barril. A escalada já se reflete nos combustíveis no mercado interno. A gasolina acumula alta de cerca de 6% no ano e o diesel sobe 15%, segundo dados citados por Silvestre.
Combustíveis têm peso de 5% a 6% no IPCA. O economista avalia que o efeito do petróleo sobre os preços ao consumidor ainda não foi totalmente repassado e que a cadeia logística começará a pressionar o índice nas próximas leituras. A projeção é de IPCA mais alto ao longo de 2026, com risco de descumprimento da meta.
A composição do índice mudou em relação aos meses anteriores. Os preços mais voláteis, como alimentos e energia, vinham contribuindo para puxar o IPCA cheio para baixo, enquanto o IPCA de serviços flutuava perto de 6%. Com o choque de oferta no petróleo e nos alimentos, o espaço para queda do índice ficou reduzido.
Mesmo com a piora do cenário inflacionário, o economista descarta nova alta da taxa Selic. Na última reunião do Copom, o BC promoveu corte de 0,25 ponto percentual, em linha com o que havia sinalizado no encontro anterior. A taxa segue em patamar restritivo e os efeitos da política monetária já aparecem na atividade.
O canal mais sensível é o crédito. As concessões de crédito livre seguem em expansão, mas em ritmo menor do que há 12 meses. A desaceleração atinge de forma mais intensa o varejo dependente de financiamento e a indústria, enquanto o varejo ligado a renda mantém resiliência apoiado pelo mercado de trabalho.
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Seguir no GoogleA taxa de desemprego está no menor patamar dos últimos anos, considerando a sazonalidade. O quadro do mercado de trabalho continua firme e contribui para a leitura de que a economia desacelera, mas não em ritmo abrupto.
Para Silvestre, o Banco Central vai monitorar de perto a trajetória do petróleo, dos preços de energia e da atividade econômica para definir os próximos passos do ciclo de juros. A extensão dos cortes da Selic dependerá da capacidade do BC de reancorar as expectativas de inflação, e o comportamento do dólar entra como variável nessa composição.
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