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Ibovespa cai 0,93% de olho nos EUA e pressão do petróleo

Publicado 06/07/2026 • 17:59 | Atualizado há 49 minutos

KEY POINTS

  • Bolsa brasileira recuou 0,93%, enquanto o dólar caiu 0,68%, a R$ 5,13.
  • Dados mais fracos de serviços nos Estados Unidos aliviaram os juros, mas não sustentaram o Ibovespa.
  • Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Felipe Corleta disse que investidores migraram para ações globais de tecnologia.

O Ibovespa fechou em queda nesta segunda-feira (6), pressionado por ações ligadas a commodities e pelo desempenho de empresas de peso do índice. A bolsa brasileira recuou 0,93%, aos 172.360 pontos.

O movimento ocorreu mesmo em um dia de alívio no câmbio e nos juros. O dólar caiu 0,68%, cotado a R$ 5,13, enquanto a curva de juros acompanhou a queda das taxas no exterior.

Ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Felipe Corleta, sócio da Brazil Wealth, afirmou que o pregão teve uma combinação incomum, com bolsa, dólar e juros em queda ao mesmo tempo.

Segundo ele, a bolsa foi afetada por uma rotação global de investimentos para empresas de tecnologia, especialmente ligadas a inteligência artificial e semicondutores. O movimento reduz o apetite por mercados mais concentrados em commodities e empresas da economia real, como o Brasil.

“O mercado de equity está rotando muito mais para as empresas de tecnologia que estão se recuperando”, disse Corleta.

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EUA e juros no radar

No exterior, dados mais fracos do setor de serviços nos Estados Unidos ajudaram a aliviar a curva de juros americana. A leitura reforçou a percepção de que a atividade pode estar perdendo força e reacendeu o debate sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos).

Para mercados emergentes, juros menores ou menos pressionados nos EUA tendem a aliviar o dólar e favorecer ativos de risco. Nesta segunda, porém, esse efeito não foi suficiente para sustentar a bolsa brasileira.

Parte do mercado ainda avalia se a inflação americana voltará a pressionar o Fed ao longo do ano. A possibilidade de juros mais altos nos Estados Unidos segue como risco para países emergentes, porque pode atrair recursos de volta para ativos americanos.

Petróleo e Petrobras pressionam

O petróleo também ficou no radar dos investidores. A commodity segue negociada perto de US$ 70 por barril, após a queda recente, o que trouxe algum alívio para a inflação de curto prazo, mas pressionou a leitura sobre empresas do setor.

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Corleta afirmou que as ações da Petrobras caíram mais do que o petróleo, em meio à percepção de menor distribuição de dividendos pela estatal.

Segundo o analista, investidores costumam preferir uma Petrobras concentrada na extração no pré-sal e na distribuição de lucros. A expectativa de mais investimentos em áreas como refino e distribuição tende a pesar sobre as ações.

“O investidor, especialmente o investidor estrangeiro da Petrobras, gosta que a Petrobras tire petróleo do pré-sal, obtenha lucro e distribua o lucro”, afirmou Corleta.

Vale também fechou em queda, apesar da alta do minério de ferro no exterior, o que ampliou a pressão sobre o Ibovespa.

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Focus traz alívio parcial

No cenário doméstico, o Boletim Focus trouxe redução na projeção de inflação para este ano, o que ajudou a aliviar parte da pressão sobre juros. Para 2027, porém, houve piora nas estimativas, horizonte considerado mais relevante para o Banco Central.

A semana também será marcada pela divulgação da inflação no Brasil e por discussões sobre tarifas no cenário internacional.

Mesmo com sinais mais favoráveis no câmbio e nos juros, Corleta afirmou que a bolsa não conseguiu reagir por causa da pressão sobre empresas de grande peso no índice e da migração global para tecnologia.

“O dólar está para baixo, o juro futuro está para baixo, a projeção de inflação reduziu, mas a bolsa não consegue reagir por conta desses fatores”, disse.

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