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“OTAN 3.0”: promessas de aumento dos gastos com defesa enfrentam o teste de Trump
Publicado 06/07/2026 • 07:32 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 06/07/2026 • 07:32 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: The White House
A OTAN enfrenta um teste crucial para sua credibilidade e viabilidade futura nesta semana, quando líderes da aliança se reúnem na Turquia, com as novas metas de gastos militares da Europa sob um escrutínio sem precedentes da Casa Branca.
A cúpula, que começa na terça-feira, avaliará se a Europa conseguirá transformar orçamentos maiores em capacidade militar com rapidez suficiente para manter o presidente Donald Trump engajado, ao mesmo tempo em que se prepara para um futuro em que Washington desempenhe um papel menor na segurança do continente.
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A cúpula realizada no ano passado, em Haia, foi considerada um marco após os aliados se comprometerem a destinar 5% do Produto Interno Bruto (PIB) à defesa até 2035, sendo 3,5% para necessidades centrais de defesa e 1,5% para demandas mais amplas de segurança.
Já a reunião deste ano, em Ancara, deve deslocar o debate das promessas para a implementação. Isso inclui questões relacionadas à aquisição de equipamentos, capacidade industrial, apoio à Ucrânia e à arquitetura política do que o governo Trump chamou de “OTAN 3.0”.
“Esta é realmente a cúpula da OTAN em que a aliança passa da divisão dos encargos para a transferência dos encargos”, afirmou Ulrike Franke, pesquisadora sênior de políticas do Conselho Europeu de Relações Exteriores, à CNBC.
Leia também: Trump critica a Otan às vésperas da reunião de cúpula da aliança militar
A reunião também ocorre em um momento em que a OTAN enfrenta pressão para manter seu apoio à Ucrânia e se adaptar a um campo de batalha marcado pelo rápido avanço tecnológico em drones, sistemas de defesa aérea e capacidade industrial.
A seguir, cinco grandes questões que estarão no centro das discussões entre os líderes da OTAN.
Os governos europeus, de forma geral, aceitaram que precisam gastar mais, produzir mais e assumir uma parcela maior da responsabilidade por sua própria segurança, após a pressão exercida pela Casa Branca.
No entanto, a OTAN foi estruturada durante 77 anos em torno do poder militar dos Estados Unidos, tornando essa uma questão tanto política quanto militar, segundo Max Bergmann, diretor do Programa para Europa, Rússia e Eurásia do Center for Strategic and International Studies (CSIS), sediado em Washington.
Se Washington reduzir seu envolvimento, mesmo sem deixar a aliança, a Europa enfrentará uma questão ainda mais complexa, afirmou Bergmann durante uma coletiva de imprensa na semana passada: como organizar sua defesa sem os Estados Unidos ocupando o papel central.
O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, tem concentrado esforços em manter Trump comprometido com a aliança enquanto avança com os planos de redistribuição das responsabilidades. No entanto, Bergmann afirmou que houve pouca discussão sobre um “plano B” caso os EUA decidam não permanecer profundamente envolvidos.
Leia também: Rússia pode atacar a OTAN um ano após fim da guerra na Ucrânia, alerta governo holandês
Para a Europa, outro ponto prioritário é obter previsibilidade, segundo Franke. Caso Washington pretenda retirar tropas, equipamentos ou capacidades militares do continente, os aliados precisarão de um cronograma e de um roteiro claros. Isso, porém, pode ser difícil diante da postura frequentemente imprevisível de Trump em relação aos aliados.
Os países europeus também devem buscar demonstrar unidade, especialmente em relação aos gastos com defesa. Espanha e França já enfrentaram críticas por seus orçamentos militares. Enquanto isso, Reino Unido e França lidam com severas restrições fiscais, apesar de reconhecerem a necessidade de ampliar os investimentos.
O esforço da OTAN para ampliar os investimentos em defesa já impulsionou o setor na Europa. Polônia, os países bálticos e as nações nórdicas foram os que avançaram mais rapidamente, refletindo sua proximidade geográfica com a Rússia.
As economias maiores, porém, evoluíram de forma mais lenta, limitadas por pressões fiscais e pela política doméstica.
“Agora há dinheiro disponível, mas precisamos ser capazes de gastá-lo”, disse Franke. “A Europa precisa ser capaz de produzir.”
A indústria de defesa europeia continua fragmentada e enfrenta limitações relacionadas às cadeias de suprimentos, burocracia, escassez de mão de obra e anos de subinvestimento.
Em tese, compras conjuntas poderiam reduzir custos, melhorar a interoperabilidade entre os países e ampliar a escala de produção. Na prática, porém, os governos continuam priorizando contratos, empregos e arrecadação tributária dentro de seus próprios territórios.
Franke citou os projetos conjuntos entre França e Alemanha na área de defesa como exemplo de como interesses políticos nacionais podem retardar a cooperação, mesmo quando a produção compartilhada faz sentido do ponto de vista estratégico.
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Siga o Times | CNBCEspera-se que a Ucrânia ocupe posição central nas discussões em Ancara, com foco no apoio militar de longo prazo, na própria indústria de defesa de Kiev e nas lições que a OTAN pode aprender após mais de quatro anos de guerra em grande escala.
O debate ocorre em meio às pesadas perdas sofridas pela Rússia no campo de batalha.
“Os dados indicam que os russos estão tendo um desempenho muito ruim em 2026”, afirmou Seth Jones, presidente do Departamento de Defesa e Segurança do CSIS, citando o aumento das baixas e a perda de território.
Kiev também intensificou ataques de longo alcance com drones e mísseis contra alvos dentro da Rússia, atingindo infraestruturas de energia, instalações militares e centros logísticos, o que demonstra os avanços obtidos pelo país no desenvolvimento de capacidades próprias de ataque.
Segundo Franke, a OTAN precisa deixar de enxergar a Ucrânia apenas como destinatária de ajuda ocidental. Hoje, Kiev também é uma fonte de inovação militar, especialmente nas áreas de drones, sistemas antidrones e conhecimento operacional sobre como enfrentar as forças russas.
“A Ucrânia tem vantagem em drones e sistemas antidrones”, afirmou Franke.
Isso pode alterar o foco da discussão na OTAN, passando da forma como a aliança ajuda a Ucrânia para a maneira como a Ucrânia pode ajudar a OTAN a se preparar para a guerra moderna.
A cúpula acontece após meses de tensões entre Washington e seus aliados europeus, incluindo a insatisfação de Trump com o que considerou apoio insuficiente da Europa durante o conflito envolvendo o Irã.
Segundo Franke, o tema Irã poderá estar presente nas discussões em Ancara. Isso pode incluir debates sobre eventuais contribuições europeias para a segurança marítima ou para um eventual acordo de paz, incluindo operações de remoção de minas. Ainda assim, ela avalia que essas contribuições tendem a ser limitadas e, em parte, simbólicas, já que os países europeus ainda não estão totalmente alinhados à abordagem adotada por Washington.
Franke afirmou que a unidade entre os europeus será importante caso Trump volte a criticar alguns países pelos níveis de gastos militares. No entanto, isso é desafiador, já que a percepção das ameaças varia significativamente entre os membros europeus.
Também existe incerteza sobre o formato das próximas reuniões.
Tradicionalmente, as cúpulas da OTAN não eram realizadas todos os anos, mas passaram a ocorrer anualmente desde a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia.
Bergmann afirmou que não se surpreenderia se esta fosse a última cúpula da OTAN durante o mandato de Trump, diante das incertezas sobre uma possível reunião na Albânia no próximo ano e do calendário eleitoral dos Estados Unidos em 2028.
Essa possibilidade pode aumentar ainda mais a importância do encontro. Se esta for uma espécie de “última celebração”, a mensagem que Trump decidir transmitir poderá ter impacto muito além da reunião realizada na Turquia.
O papel da Turquia como anfitriã acrescenta mais uma camada de complexidade ao encontro.
Assim como ocorreu com países que sediaram cúpulas anteriores, é provável que a Turquia aproveite o evento para colocar suas próprias preocupações de segurança e sua indústria de defesa no centro da agenda.
Para o presidente Recep Tayyip Erdogan, uma cúpula bem-sucedida serviria para demonstrar a importância estratégica da Turquia, evitar uma grande crise diplomática e fortalecer a posição de Ancara na disputa por contratos de compras militares, em um momento em que os gastos europeus com defesa estão aumentando.
“A aquisição de equipamentos militares e a legitimação do regime provavelmente são os principais objetivos da Turquia”, afirmou Bergmann, fazendo referência ao retrocesso democrático observado sob o governo Erdogan.
Segundo ele, a Turquia também pode estar preocupada em ser excluída à medida que a União Europeia direciona uma parcela maior dos investimentos em defesa para fabricantes europeus. Como o país integra a OTAN, mas não faz parte da UE, garantir acesso a futuros contratos e projetos conjuntos poderá se tornar uma prioridade.
Enquanto a OTAN busca manter os Estados Unidos engajados, acelerar o fortalecimento militar da Europa e sustentar o apoio à Ucrânia, a Turquia deverá defender seus próprios interesses: qualquer nova arquitetura de segurança europeia, na visão de Ancara, ainda precisará reservar um lugar para o país à mesa das negociações.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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