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Ibovespa fecha no patamar de 177 mil com guerra e Selic no radar

Publicado 13/03/2026 • 17:04 | Atualizado há 1 minuto

KEY POINTS

  • O mercado brasileiro encerrou a semana sob forte pressão, devolvendo os ganhos parciais e consolidando um cenário de cautela.
  • A combinação de inflação resiliente, dados de serviços fortes e um ambiente de guerra no exterior empurrou os investidores para ativos de proteção.
  • As atenções agora se voltam integralmente para a "Super Quarta" da semana que vem, quando as decisões de juros no Brasil e nos EUA ditarão o ritmo dos ativos para o restante do mês.

O Ibovespa fechou a sessão desta sexta-feira (13) em queda de 0,91%, aos 177.653,31 pontos, registrando um recuo de 1.631,18 pontos.

O índice chegou a ensaiar uma recuperação pela manhã, tocando o patamar de 180 mil pontos, mas perdeu fôlego diante da persistente aversão ao risco no exterior e de dados domésticos que pressionam a curva de juros.

Com o resultado, o mercado brasileiro consolidou uma semana de forte volatilidade e perdas acumuladas, voltando aos níveis observados no final de janeiro.

O cenário internacional permanece dominado pelas incertezas geopolíticas no Oriente Médio. A interceptação de um míssil balístico iraniano pela Otan no Mediterrâneo e a postura firme do governo dos Estados Unidos elevaram o prêmio de risco.

Embora o petróleo tenha operado com leve correção, o Brent segue orbitando a faixa de US$ 100 (cerca de R$ 530, na cotação atual), o que realimenta os temores de um choque inflacionário global.

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Somou-se a isso a revisão para baixo do PIB dos EUA, que cresceu apenas 0,7% no quarto trimestre de 2025, frustrando a expectativa de 1,8% e sugerindo uma economia mais frágil sob pressão de juros altos.

Internamente, o setor de serviços surpreendeu positivamente com alta de 0,3% em janeiro, superando a projeção de 0,1%. O dado, contudo, é recebido com cautela pelo mercado financeiro, pois reforça o argumento de uma economia aquecida que dificulta a convergência da inflação.

Esse cenário, somado à reunião extraordinária do CMN e à participação de Gabriel Galípolo, aumentou a percepção de que o Copom terá pouco espaço para cortes agressivos na Selic na próxima semana, com o mercado já precificando uma redução de apenas 0,25 ponto percentual.

No campo político e institucional, a pesquisa Realtime/Bigdata em Minas Gerais mostrou um empate técnico entre o presidente Lula (35%) e o senador Flávio Bolsonaro (31%) para 2026, adicionando ruído eleitoral ao radar dos investidores.

No noticiário corporativo, a Petrobras aprovou a adesão ao programa de subvenção ao diesel, enquanto o mercado digeria o impacto da nova taxa de 12% sobre exportações de óleo cru, que pode custar até R$ 12,5 bilhões anuais à estatal.

Desempenho das ações

O pregão desta sexta-feira encerrou com o setor de agronegócio e seguros sustentando o campo positivo, apesar da volatilidade generalizada observada no índice.

A SLC Agrícola (+2,51%) liderou as valorizações do dia, mantendo uma trajetória de recuperação consistente e consolidando-se no topo das maiores altas.

Logo em seguida, a BB Seguridade (+1,98%) e também registrou ganhos relevantes, beneficiada por um fluxo de investidores que buscam ativos mais defensivos em momentos de incerteza no mercado.

Por outro lado, os setores petroquímico e de siderurgia enfrentaram uma forte pressão vendedora, resultando em recuos acentuados nas cotações.

A Braskem (-6,97%) protagonizou a queda mais expressiva da sessão, devolvendo parte dos ganhos recentes após novos ajustes de expectativas por parte dos analistas.

A CSN (-6,23%) e a Hapvida (-6,17%) também figuraram entre os destaques negativos, pressionadas pelo cenário de juros elevados e pela oscilação nos preços das commodities metálicas no mercado internacional.

Dólar

O dólar comercial encerrou a sessão de hoje em alta de 1,37%, cotado a R$ 5,314. A moeda atingiu a máxima de R$ 5,324, mesmo após uma intervenção direta do Banco Central, que realizou um leilão de venda de US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões) no mercado à vista para conter a volatilidade excessiva.

O especialista em investimentos da Nomad, Bruno Shahini, destaca que o movimento reflete uma mudança profunda nas apostas globais.

“O dólar operou em alta refletindo as incertezas geopolíticas e uma reprecificação das expectativas monetárias nos EUA. No mercado de Fed Funds, os investidores reduziram drasticamente as apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve para 2026. Além disso, os rendimentos dos Treasuries de longo prazo avançam pelo quarto pregão consecutivo, o que pressiona as curvas globais e dá força ao índice DXY, que opera acima dos 100 pontos”, analisa Shahini.

Análise

O Gemini disse

O especialista David Martins, diretor de investimentos da Brazil Wealth, afirmou que a incerteza sobre a duração do conflito entre Israel, EUA e Irã forçou os investidores a desmontarem posições em ativos voláteis antes de um final de semana “totalmente imprevisível”.

  • Juros e Super Quarta: David destacou que a dinâmica para a próxima semana mudou drasticamente. A probabilidade de manutenção dos juros nos EUA subiu para 99%. No Brasil, a aposta em um corte de 50 bips (0,50 ponto percentual) perdeu força para 25 bips, com chances crescentes de manutenção da Selic devido ao risco inflacionário.
  • Petróleo e Inflação: David alertou que o patamar pressiona os custos de combustíveis e querosene de aviação, impactando diretamente setores como o aéreo e o varejo, além de forçar a curva de juros para cima em diversos vértices.
  • Fuga de Capital e Dólar: O diretor explicou que o investidor estrangeiro, que aportou volumes recordes em janeiro e fevereiro, está agora buscando previsibilidade e comprando moeda americana para se proteger da volatilidade intrínseca aos países emergentes.
  • Ações e Setores: Embora a Petrobras tenha “surfado” a alta da commodity, papéis como Vale e Embraer sofreram correções. David ressaltou que as Small Caps e empresas alavancadas (varejo e construção) são as que mais “apanham” com o estresse na curva de juros, já que o custo financeiro elevado sufoca suas operações.
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