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Ibovespa reverte ganhos e fecha em queda com sinalização do Fed de juros elevados por mais tempo

Publicado 17/06/2026 • 17:49 | Atualizado há 48 minutos

KEY POINTS

  • Mercado reagiu negativamente à sinalização do Federal Reserve de que parte dos dirigentes ainda vê espaço para uma alta de juros nos Estados Unidos neste ano.
  • Declarações do presidente do Fed, Kevin Warsh, reforçaram a percepção de que a autoridade monetária manterá o foco no combate à inflação, mesmo com a necessidade de juros elevados por mais tempo.
  • A perspectiva de política monetária mais restritiva nos EUA aumentou a aversão ao risco global, pressionando bolsas de mercados emergentes e impulsionando o dólar.

O Ibovespa encerrou a sessão desta quarta-feira (17) em queda de 0,92%, aos 168.085 pontos, em um pregão marcado pela repercussão da decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed). O principal índice da bolsa brasileira chegou a operar em alta superior a 1% durante a manhã, mas perdeu força e migrou para o campo negativo após a divulgação do comunicado do banco central americano e a coletiva de seu presidente, Kevin Warsh.

Para Artur Horta, sócio da The Link Investimentos, a decisão de manter os juros entre 3,5% e 3,75% não surpreendeu os investidores. O que alterou o humor dos mercados foi a sinalização de que parte dos dirigentes do Fed continua enxergando espaço para um aperto monetário adicional nos próximos meses.

“Tivemos hoje um dia bem ruim para os mercados. A bolsa chegou a subir mais de 1%, mas começou a virar quando o Fed decidiu manter a taxa de juros e comunicou que metade dos membros do comitê esperavam por uma alta ao longo deste ano”, afirmou.

Segundo o analista, a deterioração do desempenho dos ativos de risco se aprofundou durante a entrevista coletiva de Warsh, em sua primeira decisão à frente do banco central americano. O mercado interpretou suas declarações como um sinal de comprometimento com o combate à inflação, mesmo que isso exija a manutenção de condições monetárias mais restritivas.

“As coisas pioraram quando Kevin Warsh falou sobre levar a inflação à meta e o mercado passou a precificar que vai ter uma alta de juros até outubro nos Estados Unidos”, disse Horta.

A mudança de expectativa levou investidores a revisar suas projeções para a trajetória da política monetária americana. Com juros potencialmente mais elevados por mais tempo, cresce a atratividade dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, reduzindo o apetite por ativos considerados mais arriscados, como ações de mercados emergentes.

Na avaliação de Horta, a reação observada no Brasil acompanhou um movimento global de aversão ao risco. “Isso acabou causando uma pressão sobre os ativos de risco no mundo todo e também sobre o dólar”, afirmou.

Apesar da reação negativa da bolsa, o especialista não acredita que a postura do Fed tenha influência direta sobre a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que divulgaria sua decisão sobre a Selic após o fechamento dos mercados. Segundo ele, o Banco Central brasileiro costuma conduzir sua política monetária de forma independente em relação aos Estados Unidos.

No cenário externo, entretanto, investidores reagiram às projeções do Federal Reserve que apontaram juros mais elevados por um período mais longo nos Estados Unidos. Para Leonel Oliveira Matos, analista de Inteligência de Mercados da Stonex, o mercado interpretou a atualização como um sinal de maior preocupação da autoridade monetária americana com a inflação.

“Uma parcela significativa dos integrantes do Fed passou a projetar a necessidade de manutenção de juros elevados por mais tempo, o que foi interpretado pelo mercado como um sinal de maior preocupação com os riscos inflacionários”, afirmou.

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Na avaliação dos analistas, o desempenho da bolsa brasileira nos próximos meses dependerá da combinação entre o ritmo de cortes da Selic e a postura do Fed. Caso o Banco Central sinalize novas reduções graduais dos juros ao longo do segundo semestre, os ativos domésticos tendem a encontrar um ambiente mais favorável.

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