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Possível fusão com Bristol Myers derruba ações da AstraZeneca; analistas estão “perplexos”

Publicado 03/08/2026 • 08:01 | Atualizado há 60 minutos

KEY POINTS

  • Segundo informações, a AstraZeneca está em negociações com a concorrente americana Bristol Myers Squibb para um megacordo.
  • Se concluída a fusão, a empresa resultante poderá ser avaliada em aproximadamente 400 bilhões de dólares.
  • Os analistas ficaram perplexos tanto com a notícia em si quanto com o momento em que foi divulgada.

As ações da AstraZeneca caíram até 7% nesta segunda-feira após uma reportagem informar que a empresa discutiu uma possível megafusão com a Bristol Myers Squibb, um acordo que, segundo analistas, representaria um movimento estratégico surpreendente para uma das histórias de crescimento mais fortes da indústria farmacêutica.

Se concluída, a operação poderá avaliar as duas empresas em aproximadamente US$ 400 bilhões e figurar entre as maiores fusões já realizadas no setor farmacêutico.

Nenhuma das empresas confirmou a reportagem. A AstraZeneca recusou-se a comentar, enquanto a Bristol Myers Squibb não respondeu imediatamente ao pedido de comentário da CNBC fora do horário comercial nos Estados Unidos.

Embora os detalhes das conversas permaneçam escassos e fontes tenham informado ao Financial Times que um acordo pode nunca se concretizar, analistas questionaram por que a AstraZeneca, cujo valor de mercado disparou sob a liderança do CEO Pascal Soriot, impulsionado por um sólido pipeline de medicamentos, buscaria uma transação desse tipo.

Leia também: AstraZeneca está em negociações com a concorrente Bristol Myers Squibb para megacordo de US$ 400 bi

As ações da AstraZeneca listadas em Londres eram negociadas em queda de 6,1%, pressionando o índice britânico de primeira linha FTSE 100, que operava praticamente estável.

As ações da Bristol Myers subiam 6% nas negociações de pré-mercado nos Estados Unidos.

Antes do início das negociações desta segunda-feira, a AstraZeneca tinha valor de mercado de US$ 264 bilhões. Esse número vem crescendo de forma constante na última década, desde que o CEO Pascal Soriot assumiu o comando da empresa em 2012, à medida que a companhia desenvolveu um sólido pipeline de novos medicamentos. A meta é atingir US$ 80 bilhões em vendas até 2030, acima dos US$ 58,7 bilhões registrados no ano passado.

O valor de mercado da Bristol Myers é de aproximadamente US$ 133 bilhões, e a empresa enfrenta a perda de exclusividade de diversos medicamentos. A expectativa é de desaceleração do crescimento a partir do próximo ano, à medida que patentes expirarem e medicamentos de grande sucesso, como o anticoagulante Eliquis e o tratamento oncológico Opdivo, começarem a enfrentar concorrência de versões genéricas.

Os analistas ficaram intrigados tanto com a notícia em si quanto com o momento em que ela surgiu.

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“Dada a força do perfil de crescimento e inovação da AZ, estamos um pouco perplexos”, escreveram analistas da Jefferies na manhã de segunda-feira. “É claro que a geração de valor financeiro pode parecer atraente e talvez uma maior geração de caixa permita mais investimentos em P&D. Mas, se existe uma empresa que não precisa de engenharia financeira, é a AZ.”

A notícia também surge em um momento em que a Bristol Myers tem resultados importantes de estudos clínicos previstos para seu anticoagulante mais recente, o milvexian, além da ampliação da indicação aprovada para seu medicamento contra esquizofrenia, o Cobenfy, o que torna incertas as sinergias entre os pipelines das duas empresas, observaram analistas da RBC Capital Markets.

O mercado dos EUA

Uma possível justificativa para as conversas sobre a fusão seria o interesse estratégico da AstraZeneca em se aproximar ainda mais do mercado norte-americano, depois de a empresa concluir uma listagem direta na Bolsa de Valores de Nova York no início deste ano, substituindo seu antigo programa de ADRs.

As vendas da AstraZeneca nos Estados Unidos responderam por 42% das vendas totais no primeiro semestre de 2026, e a empresa mira explicitamente o mercado norte-americano para alcançar suas metas de crescimento. Ao mesmo tempo, a Bristol Myers Squibb, sediada em Princeton, Nova Jersey, obteve 69% de sua receita no mercado dos Estados Unidos no último trimestre.

Segundo a Jefferies, o foco provavelmente estará no potencial de criar uma potência ainda maior em oncologia, já que o portfólio combinado de medicamentos contra o câncer da AstraZeneca e da Bristol Myers provavelmente seria o mais amplo da indústria, podendo atrair o escrutínio das autoridades antitruste.

Embora as empresas tenham sobreposição nas áreas de oncologia, doenças cardiovasculares e imunologia, seus pipelines são, em grande parte, complementares, com a AstraZeneca mais forte em tumores sólidos e a Bristol Myers Squibb mais concentrada em cânceres hematológicos e terapias celulares.

Analistas do Citi afirmaram que, caso a reportagem sobre as conversas de fusão seja verdadeira, ela representaria uma “surpresa”, considerando que a AstraZeneca possui um “pipeline de primeira linha”.

A AstraZeneca, no entanto, registrou um raro revés quando um estudo clínico de fase avançada de um medicamento para doenças cardíacas não atingiu seu objetivo no início deste mês.

Isso levantou alguns questionamentos sobre a credibilidade da administração, diante da confiança que havia sido transmitida antes da divulgação dos resultados. Ainda assim, a maioria dos analistas continua considerando alcançável a meta de US$ 80 bilhões em vendas até o fim da década.

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