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ChatGPT domina primeiros gastos com I.A no Congresso dos EUA enquanto parlamentares discutem regulação
Publicado 03/08/2026 • 13:50 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 03/08/2026 • 13:50 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: Unsplash
A OpenAI lidera a primeira onda visível de gastos com inteligência artificial dentro do Congresso dos Estados Unidos.
A empresa responsável pelo ChatGPT concentrou aproximadamente US$ 9 de cada US$ 10 gastos por gabinetes, comissões e órgãos administrativos da Câmara dos Representantes em ferramentas de I.A identificáveis durante o período encerrado em 31 de março, segundo análise da CNBC baseada nos registros oficiais de despesas da Casa.
Os dados oferecem apenas uma visão parcial da adoção da inteligência artificial pelo Congresso, já que não incluem contas gratuitas, recursos de I.A incorporados a contratos mais amplos de software nem a maior parte do uso no Senado. Ainda assim, mostram que pelo menos um sexto dos gabinetes da Câmara — e provavelmente muitos mais — já utilizam essas ferramentas justamente enquanto os parlamentares definem o futuro regulatório da tecnologia.
A CNBC identificou ao menos US$ 113.740 em gastos com fornecedores de I.A entre 1º de abril de 2025 e 31 de março de 2026, período mais recente com dados disponíveis. Desse total, o ChatGPT respondeu por US$ 100.580, distribuídos em 798 transações, o equivalente a cerca de 88% do valor gasto e 96% das compras analisadas.
O Claude, chatbot desenvolvido pela Anthropic e principal concorrente do ChatGPT, apareceu em um distante segundo lugar, com US$ 13.160 distribuídos em 37 transações.
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A disputa vai muito além da produtividade dos gabinetes parlamentares. OpenAI, Anthropic, Google e Microsoft competem por influência em Washington enquanto Congresso e agências federais discutem como a inteligência artificial deverá ser comprada, utilizada e regulamentada.
Hoje, assessores parlamentares utilizam essas ferramentas para resumir projetos de lei, elaborar memorandos, preparar materiais para audiências públicas e responder a demandas de eleitores — atividades que influenciam diretamente a formulação de políticas públicas e a comunicação dos parlamentares.
A deputada republicana Julie Fedorchak afirmou que sua equipe costumava gastar horas preparando memorandos para reuniões diárias, reduzindo o tempo disponível para elaborar propostas legislativas.
Segundo ela, o ChatGPT foi utilizado para criar uma base de dados pesquisável com projetos de lei e documentos recebidos de eleitores e organizações externas.
“Estamos economizando dezenas e dezenas de horas de trabalho da equipe toda semana”, afirmou.
Outros gabinetes também utilizam I.A para resumir relatórios e projetos de lei, redigir publicações para redes sociais, preparar respostas a cidadãos, analisar textos legislativos e organizar pesquisas sobre políticas públicas, segundo Marci Harris, diretora-executiva da POPVOX Foundation, organização sem fins lucrativos que treina parlamentares e assessores no uso da tecnologia.
Para Harris, os funcionários do Congresso já enfrentam uma sobrecarga de trabalho, situação que, paradoxalmente, também vem sendo ampliada pela própria I.A, já que lobistas e eleitores passaram a produzir documentos mais longos, detalhados e frequentes com o auxílio dessas ferramentas.
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Os gabinetes de parlamentares democratas responderam por US$ 54.165 em compras identificadas de ferramentas de I.A, mais de três vezes os US$ 15.782 gastos pelos republicanos.
O ChatGPT foi adquirido por 44 gabinetes democratas e 27 republicanos. Já o Claude apareceu em cinco gabinetes democratas e apenas um republicano.
Os números revelam uma dinâmica política curiosa: embora integrantes do Partido Democrata frequentemente alertem para os riscos da inteligência artificial em áreas como emprego, privacidade, direitos civis, eleições e concentração de poder corporativo, seus gabinetes lideram os gastos identificáveis com essas ferramentas.
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A CNBC ressalta que os valores encontrados provavelmente subestimam o uso total de inteligência artificial no Congresso.
A análise considera apenas despesas em que os registros da Câmara identificam explicitamente o fornecedor da ferramenta. Ficaram de fora versões gratuitas do ChatGPT, Claude e outros serviços, além de recursos de I.A incorporados a pacotes maiores de software, como o Microsoft Copilot.
Em alguns casos, funcionários administrativos contratam as assinaturas e depois recebem reembolso, sem que os registros indiquem exatamente qual ferramenta foi adquirida.
O levantamento também não inclui o Senado, cujos relatórios públicos não discriminam fornecedores de software da mesma forma. Além disso, as regras da Casa não autorizam o uso oficial do Claude.
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Siga o Times | CNBCSegundo Harris, a implementação do Microsoft Copilot pela Câmara pode representar um volume de investimentos em I.A ainda maior do que aquele visível nas assinaturas do ChatGPT.
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O deputado democrata James Walkinshaw afirmou que utiliza inteligência artificial em atividades como pesquisas, produção de conteúdo para redes sociais e newsletters, mas destacou que toda informação precisa ser verificada por pessoas.
“Nossa equipe pode usar I.A para organizar solicitações de cidadãos e agilizar processos. Mas qualquer decisão sobre defender ou não um eleitor perante órgãos como a Receita Federal ou a Administração da Seguridade Social precisa ser tomada por um ser humano”, disse à CNBC.
A liderança da OpenAI começou a ser construída em 2023, quando o House Digital Service, área de inovação ligada ao gabinete administrativo da Câmara, criou um grupo de trabalho sobre inteligência artificial e distribuiu as primeiras 40 licenças do ChatGPT Plus para assessores de ambos os partidos.
Apesar disso, Samantha Carter, diretora de comunicação do gabinete administrativo da Câmara, afirmou que a estratégia da instituição “não está deliberadamente limitada a um único fornecedor”.
Em setembro de 2024, a Câmara passou a adotar diretrizes mais rígidas sobre o uso de I.A, restringindo quais ferramentas poderiam ser utilizadas em atividades oficiais e proibindo a inserção de informações sensíveis. Naquele momento, porém, o ChatGPT já havia se tornado a principal referência em inteligência artificial para muitos gabinetes.
“A OpenAI foi a empresa sobre a qual todos ouviram falar. No começo, ChatGPT era praticamente sinônimo de I.A, assim como Kleenex virou sinônimo de lenço de papel”, afirmou Harris.
A OpenAI também ampliou sua presença por meio de treinamentos. A Congressional Management Foundation, organização apartidária que capacita gabinetes legislativos, passou a realizar sessões sobre ChatGPT para assessores da Câmara e do Senado com participação de engenheiros da empresa.
Enquanto isso, as principais companhias do setor ampliam suas atividades de lobby em Washington.
Segundo análise da organização Issue One, a OpenAI destinou US$ 1 milhão para lobby federal no primeiro trimestre de 2026, alta de 82,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. A Anthropic gastou quase US$ 1,6 milhão, mais que triplicando seus investimentos em comparação ao primeiro trimestre de 2025.
O interesse pelo Claude cresceu apenas depois de o ChatGPT já estar consolidado entre os gabinetes parlamentares, afirmou Harris.
Ela citou ainda que, em janeiro, a Anthropic se recusou a retirar restrições relacionadas ao uso do Claude para vigilância doméstica em massa e armas totalmente autônomas. O impasse culminou, em março, na classificação da empresa pelo Departamento de Defesa dos EUA como um risco para a cadeia de suprimentos.
A CNBC afirma não ter identificado parceria semelhante da Anthropic com organizações apartidárias responsáveis por treinar parlamentares.
Leia também: OpenAI lança nova experiência de compras no ChatGPT
Para Eric Petry, pesquisador do Brennan Center, é legítimo questionar o governo quando um fornecedor parece ser favorecido em detrimento de outro.
“Pode ser que um produto seja realmente mais adequado para aplicações governamentais. Mas, se essa preferência estiver baseada em fatores políticos ou partidários, isso se torna preocupante”, afirmou.
Segundo ele, o princípio vale tanto para grandes contratos públicos quanto para assinaturas individuais feitas pelos gabinetes.
“Os recursos dos contribuintes devem garantir que o governo utilize as melhores ferramentas disponíveis, e não servir para beneficiar empresas politicamente favorecidas”, disse.
Marci Harris acrescenta que parlamentares e órgãos legislativos precisam ter acesso a diferentes modelos de I.A antes de definir as regras para o setor.
“Eles serão responsáveis por regular essa tecnologia. Por isso, precisam experimentar todas as ferramentas, comparar seus pontos fortes e limitações e entender como cada uma funciona antes de escrever a legislação”, concluiu.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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