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Investidores voltam-se para os EUA e Ibovespa pena com incerteza de juros e inflação desancorada

Publicado 18/06/2026 • 22:24 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Taxas de juros mais elevados nos Estados Unidos aumentam a atratividade dos ativos americanos e estimulam a migração de recursos de mercados emergentes, como o Brasil.
  • No cenário doméstico, investidores seguem avaliando os efeitos do corte da Selic, as perspectivas para a inflação e as incertezas em torno das contas públicas, fatores que influenciam os juros futuros e a percepção de risco.
  • O mercado também passou a incorporar riscos ligados às eleições de 2026, enquanto os rendimentos elevados dos títulos americanos continuam reduzindo o fluxo de capital estrangeiro para a bolsa brasileira.
Ibovespa.

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Ibovespa

O Ibovespa recuou nesta quinta-feira (18) mesmo após a redução das tensões no Oriente Médio e o avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã. Embora o alívio geopolítico tenha contribuído para a queda do petróleo e reduzido parte da percepção de risco global, investidores voltaram suas atenções para fatores ligados à política monetária e ao cenário econômico.

Um dos principais pontos de pressão veio dos Estados Unidos. Após a reunião do Federal Reserve, o mercado passou a considerar a possibilidade de uma alta de juros na autoridade monetária dos EUA ainda neste ano. A mudança nas expectativas fortaleceu o dólar e reduziu o apetite por ativos de risco em diversos países.

Segundo Beny Fard, sócio da B8 Partners, o principal impacto para os mercados não está mais concentrado no Oriente Médio. “Embora a baixa do petróleo pressione ações como as da Petrobras e de outras empresas ligadas ao setor de energia, há um fator global mais relevante afetando os mercados”, afirmou. De acordo com ele, juros mais altos nos Estados Unidos aumentam a atratividade dos ativos americanos e estimulam a migração de recursos para aquele mercado.

No Brasil, a decisão do Copom de reduzir a Selic também permaneceu no radar dos investidores. Parte do mercado avalia que o espaço para novos cortes – o que favoreceria a entrada de capital estrangeiro em ativos de risco – pode ser limitado diante das pressões inflacionárias e das revisões recentes das expectativas para os preços.

Além da política monetária, investidores acompanham questões ligadas às contas públicas brasileiras e ao ambiente eleitoral de 2026. Esses fatores continuam influenciando os prêmios de risco exigidos pelo mercado e o comportamento dos juros futuros de longo prazo.

Marcelo Simonato, vice-presidente e sócio da Board Academy, explica que, à medida que o pleito se aproxima, o mercado passa a precificar possíveis cenários relacionados ao próximo presidente, “Coisas como a política fiscal que será adotada, a viabilidade de reformas econômicas e a futura composição do Congresso Nacional naturalmente aumentam a volatilidade dos ativos brasileiros e leva parte dos investidores estrangeiros a reduzir exposição ao país”, afirma.

O acordo entre Estados Unidos e Irã, ele diz, eliminou apenas uma das fontes de preocupação dos investidores. Segundo ele, o mercado segue atento a fatores como inflação, cenário fiscal, fluxo de capital estrangeiro e eleições. “Com títulos americanos pagando bem e com risco baixo, o dinheiro internacional não precisa correr para mercados emergentes”, disse.

Como os EUA estão entre os principais destinos para ativos de menor risco, parte dos recursos aplicados em outros mercados tende a migrar para lá. Simonato afirma que nomes do mercado como Roberto Campos Neto, André Lara Resende e diversos gestores de recursos têm ressaltado que os juros americanos permanecem em níveis elevados, tornando os títulos do Tesouro dos EUA extremamente atrativos.

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