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Com saída da Gol, B3 perde mais uma empresa e analistas debatem crise da bolsa brasileira
Publicado 30/03/2026 • 14:00 | Atualizado há 2 semanas
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Publicado 30/03/2026 • 14:00 | Atualizado há 2 semanas
KEY POINTS
A saída da Gol da B3 nesta segunda-feira (30) encerra um ciclo que colocou a companhia entre as principais empresas de capital aberto do setor aéreo brasileiro. Para além do caso específico, o movimento acende um alerta sobre o encolhimento da bolsa brasileira.
Desde o último IPO realizado na B3, em setembro de 2021, cerca de 106 empresas deixaram o mercado, considerando deslistagens e fusões, segundo levantamento citado por Guilherme Barbosa, CEO da API Capital, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
O número é mais amplo do que os dados mais frequentemente citados. Levantamento da Elos Ayta Consultoria aponta 37 fechamentos de capital desde 2023, enquanto dados do TradeMap registram 64 deslistagens entre 2024 e março de 2026. A diferença reflete os diferentes recortes temporais e metodológicos adotados.
Leia também: Gol encerra negociações na B3 e reforça movimento de esvaziamento da bolsa brasileira
Para Barbosa, a saída da Gol ilustra um fenômeno que vai além das dificuldades específicas da companhia. O executivo avalia que o fechamento de capital torna a empresa mais ágil para tomar decisões de médio e longo prazo, sem a pressão dos resultados trimestrais que caracteriza as companhias abertas.
“Quando a empresa fecha capital, ela fica mais confortável para tomar essas decisões que, se derem certo, vão deixá-la muito maior, muito mais robusta”, afirmou. Como exemplo, citou a Dell, que fechou capital, reestruturou-se internamente e voltou ao mercado anos depois em posição mais forte.
No caso da Gol, o movimento tem um desdobramento adicional. O Abra Group, controlador tanto da Gol quanto da Avianca, planeja levar a companhia para uma futura listagem na bolsa de Nova York, com uma oferta inicial de ações prevista ainda para este ano, segundo informações de mercado.
Roberto Luiz Troster, economista e sócio da Troster e Associados, aponta o custo de capital elevado como o principal fator de afastamento das empresas da bolsa brasileira. Com a Selic em 14,75% ao ano, o mercado de renda fixa oferece retornos elevados com risco reduzido, tornando o investimento em ações menos atrativo para o capital disponível no país.
Para o economista, a taxa de juros real brasileira é uma das mais altas do mundo, o que direciona o capital estrangeiro para a renda fixa em vez do mercado acionário. Nos Estados Unidos, a taxa de juros equivale a cerca de um terço da brasileira, com mercado de maior liquidez e mais acesso a fontes de financiamento.
Barbosa compartilha do diagnóstico. Para ele, há cerca de 50 empresas prontas para abrir capital na B3, mas que aguardam um momento mais propício, principalmente no que diz respeito ao patamar de juros. “O paciente está com febre. Não adianta brigar com o termômetro”, avaliou, sinalizando que o problema é estrutural e vai além do ciclo de juros.
Além dos juros, os dois especialistas apontam os custos de manutenção da listagem como fator relevante. Departamento de relações com investidores, auditorias, publicação de relatórios periódicos e adequação a exigências regulatórias representam despesas significativas, especialmente para empresas de menor porte.
Troster também destacou que a emissão de debêntures tornou-se uma alternativa mais barata para captação do que o mercado acionário. O endividamento corporativo fora do sistema bancário cresceu de forma expressiva e já se aproxima do volume captado dentro do setor bancário tradicional.
Leia também: Gol deixa a B3: o que acontece com as ações da companhia?
Para Barbosa, o encolhimento da B3 representa uma perda para toda a sociedade, não apenas para investidores. Uma bolsa de valores ativa amplia o número de participantes no financiamento das empresas, o que se traduz em investimento em tecnologia, criação de empregos e expansão produtiva. Como exemplo, citou a Petrobras, que captou parte relevante dos recursos para o desenvolvimento do pré-sal via mercado de capitais.
Troster vai na mesma direção ao propor soluções. O economista defende a simplificação do acesso ao mercado de capitais, a redução dos custos de listagem para atrair pequenas e médias empresas e a criação de um centro financeiro offshore em São Paulo, nos moldes da City de Londres, como forma de aumentar a competitividade da praça financeira brasileira e atrair capital estrangeiro.
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