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Sobretaxa de 25% e risco fiscal podem ampliar saída de capital estrangeiro do Brasil

Publicado 17/07/2026 • 21:55 | Atualizado há 45 minutos

KEY POINTS

  • Bruna Allemann afirma que medidas de apoio às empresas podem aumentar a preocupação com as contas públicas.
  • Analista defende cautela na aplicação da Lei da Reciprocidade e avanço de novos acordos comerciais.
  • Estrangeiros ainda veem empresas brasileiras baratas, mas priorizam operações de curto prazo.

A combinação entre o tarifaço dos Estados Unidos e a piora da percepção sobre as contas públicas brasileiras pode ampliar a saída de capital estrangeiro no curto prazo e pressionar ações e câmbio. A avaliação é de Bruna Allemann, responsável pela mesa internacional da Nomos.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Allemann afirmou que a disputa comercial deixou de ter apenas um componente político e passou a representar um risco mais direto para a atividade econômica, a inflação e a situação fiscal do país.

Segundo a analista, a preocupação aumentou diante da possibilidade de expansão das linhas de crédito destinadas às empresas afetadas pelas tarifas. A dificuldade, segundo ela, está tanto na origem dos recursos quanto na capacidade das companhias de assumir novas dívidas em um ambiente de incerteza.

“Não só pode piorar em relação a como vamos pagar essa conta, como também não estamos em um cenário em que essas empresas estão seguras para conseguir manter essa dívida”, afirmou.

Na avaliação de Allemann, os efeitos do tarifaço podem atingir setores relevantes da economia, dificultar a desaceleração da inflação e enfraquecer a atividade doméstica. Por isso, ela defendeu uma condução diplomática cautelosa para evitar impactos mais profundos sobre a indústria brasileira.

“Agora, todo o cuidado tem que ser tomado em relação ao direcionamento e a dar um ambiente seguro para que as indústrias não sejam afetadas”, disse.

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Reciprocidade exige cautela

Ao comentar a possibilidade de aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, Allemann afirmou que uma resposta brasileira pode elevar a percepção de risco sobre os ativos locais, especialmente se atingir produtos estratégicos ou pressionar os preços domésticos.

Ela ressaltou, no entanto, que a implementação da medida depende de diferentes órgãos e tende a ser mais lenta do que o discurso político sugere. O processo envolve, entre outros, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o Ministério da Fazenda, o Itamaraty e a Câmara de Comércio Exterior.

“A eficácia da reciprocidade é menos o volume da tarifa e mais a escolha dos produtos”, afirmou.

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Segundo a analista, o Brasil pode obter resultados melhores ao explorar os produtos que ficaram fora da taxação americana e ao buscar novos mercados para os setores afetados. Ela citou café e carne como exemplos de itens cuja tributação poderia aumentar a inflação nos Estados Unidos.

Allemann também defendeu o fortalecimento de acordos comerciais, incluindo a aproximação com a União Europeia, como alternativa a uma resposta imediata baseada em novas tarifas.

“Segurar a reciprocidade e encontrar outro mercado para determinados produtos pode ser uma saída muito mais inteligente para o Brasil”, disse.

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Capital estrangeiro busca operações curtas

A analista afirmou que a elevação do risco fiscal e as incertezas comerciais podem afastar recursos estrangeiros, mas não necessariamente de forma permanente. Na visão dela, o mercado brasileiro ainda oferece empresas negociadas a preços atrativos em comparação com companhias americanas.

O problema, segundo Allemann, é que o investidor internacional tem tratado o Brasil principalmente como uma oportunidade para operações de curto prazo, e não como destino para alocação estrutural de capital.

“Essa fuga de capital pode ser momentânea e acabar afetando muito”, afirmou.

Ela explicou que, embora a bolsa brasileira esteja descontada, mudanças no ambiente político, fiscal ou comercial podem provocar uma retirada rápida dos recursos aplicados no país.

“O investidor estrangeiro está olhando o Brasil como um ponto focal de operações de curto prazo”, disse. “Ainda não está movimentando para alocar o dinheiro em si aqui no país.”

Segundo Allemann, a proximidade do período eleitoral, a fragilidade fiscal e a falta de clareza sobre a resposta do governo às tarifas reforçam uma postura mais conservadora dos investidores.

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