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Alta do petróleo sustenta bolsa, mas amplia risco para inflação e juros
Publicado 17/07/2026 • 22:00 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 17/07/2026 • 22:00 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A alta do petróleo ajudou a sustentar a bolsa brasileira nesta sexta-feira (17), mas aumentou os riscos para a inflação, os juros e o câmbio. A avaliação é de Hugo Garbe, economista-chefe da G11 Finance.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Garbe afirmou que o desempenho das companhias de petróleo e gás, especialmente da Petrobras, limitou os efeitos da aversão ao risco provocada pelo cenário internacional.
O Ibovespa terminou a sessão perto da estabilidade, na faixa dos 173,7 mil pontos. O dólar comercial subiu 0,25%, para R$ 5,111, enquanto o petróleo avançava cerca de 4,6% no mercado internacional durante a tarde.
“Uma das variáveis de resiliência da bolsa são as companhias de petróleo e gás, essencialmente a Petrobras”, afirmou Garbe.
Segundo o economista, o mercado brasileiro também vem recebendo recursos direcionados a países emergentes, embora esse movimento possa perder força diante de uma piora da tensão geopolítica.
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Garbe afirmou que o primeiro efeito de uma nova escalada no Oriente Médio seria outro aumento no preço do petróleo. Embora a valorização beneficie empresas do setor de energia, o movimento eleva custos de combustíveis, transportes e produção.
“O incremento do preço do petróleo tem um efeito colateral brutal para a economia global, que é a inflação”, disse.
Na avaliação do economista, uma alta mais persistente da commodity pode levar à revisão das expectativas de inflação e de juros no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa.
O Estreito de Ormuz, alvo de restrições e interrupções desde o agravamento do conflito, concentra a passagem de cerca de 20% da oferta mundial de petróleo e gás natural liquefeito. O Ipea aponta a tensão na região e uma eventual nova disparada da energia entre os principais riscos para a inflação brasileira em 2026.
“Isso reflete nas expectativas de inflação. A partir daí, devemos ter uma revisão até das expectativas de taxas de juros de forma global”, afirmou Garbe.
O aumento da aversão ao risco também favoreceu o dólar. Garbe explicou que, apesar das incertezas relacionadas à política comercial dos Estados Unidos, a moeda americana continua sendo um dos principais destinos dos investidores em momentos de instabilidade.
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Siga o Times | CNBCSegundo ele, a valorização do dólar nesta sexta-feira sinalizou uma saída de recursos de ativos brasileiros em direção a aplicações consideradas mais seguras.
No cenário atual, com uma escalada moderada no Oriente Médio e alta do petróleo entre 2% e 5%, a G11 Finance trabalha com a moeda americana em uma faixa de até R$ 5,19 ou R$ 5,20.
“Com o cenário de hoje, trabalhamos com o dólar até R$ 5,19 ou R$ 5,20. Em um cenário mais beligerante e agressivo no Oriente Médio, essa faixa tende a mudar para cima”, disse.
A valorização do ouro também foi associada pelo economista ao aumento da procura por proteção.
Garbe explicou que investidores costumam reduzir a exposição a bolsas e moedas de países emergentes em períodos de conflitos internacionais e buscar ativos considerados reservas de valor.
“Essa é uma sinalização importante de que o mundo está inseguro em termos econômicos e globais”, afirmou.
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Além do ambiente internacional, Garbe apontou riscos internos relacionados às contas públicas e às eleições de 2026.
Segundo ele, anos de eleição presidencial costumam ser marcados por aumento dos gastos públicos. Uma expansão fiscal no segundo semestre pode reforçar as pressões sobre a inflação e dificultar a redução dos juros.
“O cenário geopolítico internacional e o cenário doméstico não vêm favorecendo. Este segundo semestre deve ser um pouco mais duro para a economia brasileira”, disse.
A G11 Finance projeta a manutenção da taxa básica de juros até o fim de 2026. Para Garbe, as pressões atuais não exigem necessariamente uma nova alta da Selic, mas reduzem o espaço para cortes.
“A insegurança com a pressão inflacionária deve fazer com que o Banco Central continue sendo bastante ortodoxo, adotando uma manutenção da taxa de juros até o final de 2026”, afirmou.
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