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Novo concorrente da poupança e das “caixinhas”: vale a pena investir no Tesouro Reserva?

Publicado 07/02/2026 • 12:15 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Tesouro Reserva chega como título público para reserva de emergência, com liquidez 24/7 via Pix, aporte mínimo de R$ 1 e rendimento atrelado à Selic.
  • Produto elimina marcação a mercado e oscilações no saldo, oferecendo previsibilidade total, característica pensada para iniciantes e perfis conservadores.
  • Deve competir diretamente com poupança e “caixinhas” de bancos ao combinar segurança do governo federal com rentabilidade potencialmente maior e resgate imediato.

Filipe Castilhos

O Tesouro Reserva é um novo título público do Tesouro Nacional dentro do programa Tesouro Direto, criado para funcionar como uma alternativa simples, segura e com alta liquidez para quem busca reserva de emergência. A proposta é competir diretamente com a poupança e as “caixinhas” (ou cofrinhos) oferecidas por bancos e fintechs.

Na prática, o título foi desenhado para permitir compra e resgate 24 horas por dia, sete dias por semana, com liquidação via Pix — um formato parecido com o que o investidor já encontra em produtos bancários de liquidez imediata. Outro ponto-chave é a promessa de previsibilidade: o Tesouro Reserva deve ser o primeiro título do Tesouro sem marcação a mercado, o que significa que o saldo não oscila para baixo.

O investimento mínimo também chama atenção: a aplicação deve começar em R$ 1, com vencimento de 3 anos, mas com possibilidade de resgate antecipado sem “deságio” no valor investido, justamente por não ter marcação a mercado.

Apesar do desenho voltado à reserva de emergência, ainda há um ponto decisivo para o investidor comparar com alternativas como Tesouro Selic, poupança e caixinhas: a remuneração exata. O Tesouro informou que o rendimento acompanhará a Selic, mas ainda falta saber qual será o percentual efetivo e como ficarão custos e eventuais isenções.

Como funciona o Tesouro Reserva

O Tesouro Reserva foi pensado para ser um produto de uso cotidiano, ou seja, o dinheiro que o investidor quer acessar “a qualquer momento”. Por isso, o título combina quatro características centrais:

  • Liquidez 24/7, com compra e resgate a qualquer hora, inclusive fins de semana e feriados, com liquidação via Pix;
  • Aplicação mínima a partir de R$ 1;
  • Sem marcação a mercado, para evitar oscilações no saldo;
  • Vencimento de 3 anos, com possibilidade de resgate antes do prazo.

Na avaliação de Luciana Ikedo, especialista em investimentos, a novidade tem um recado de inclusão financeira e simplicidade. “O Tesouro Reserva surge com foco em quem quer proteger o dinheiro, manter liquidez e não correr risco de perda”, afirma.

Ela também destaca que o título é pós-fixado, acompanhando a Selic. “O Tesouro Reserva é um título emitido pelo governo federal, com rentabilidade atrelada à taxa Selic, o que o caracteriza como um investimento pós-fixado”, diz Ikedo.

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Vantagens para o investidor

Para quem está montando reserva de emergência, o Tesouro Reserva mira justamente nos atributos mais buscados: segurança, liquidez e previsibilidade.

Luciana aponta que a combinação de acesso e flexibilidade pode mudar o comportamento do investidor iniciante. “Pela primeira vez, o investidor pode aplicar e resgatar recursos 24 horas por dia, sete dias por semana”, afirma.

E completa com o efeito prático dessa dinâmica: “Quando é possível começar com pouco dinheiro, em qualquer dia e horário, o investimento deixa de ser algo distante e passa a fazer parte do planejamento financeiro do dia a dia”, diz.

Tesouro Reserva é melhor do que Tesouro Selic?

O Tesouro Selic já é o título mais usado por investidores conservadores para reserva de emergencia, reserva de oportunidade e investimento no curto prazo, mas tem duas diferenças relevantes em relação ao Tesouro Reserva: o horário de negociação (que depende do funcionamento do Tesouro Direto) e a possibilidade de pequenas oscilações no preço em momentos específicos.

Na leitura de Gabriel Uarian, analista CNPI da Cultura Capital, o apelo do novo título está em resolver o “medo” de ver o saldo variar, mesmo que pouco. “Elimina oscilações (melhor que Tesouro Selic para quem tem aversão a qualquer variação)”, afirma.

Ao mesmo tempo, a decisão final vai depender de detalhes que ainda não estão completamente amarrados, especialmente remuneração e taxas. Uarian resume o posicionamento como uma ponte prática para o investidor: “Para um investidor iniciante que busca o primeiro passo (priorizando segurança, simplicidade e aprendizado), eu recomendaria o Tesouro Reserva (ou, enquanto não lançado em março/2026, o Tesouro Selic como ponte)”, diz.

Tesouro Reserva vs poupança: o que muda?

Na comparação com a poupança, o Tesouro Reserva tende a ser uma alternativa mais alinhada ao cenário de Selic elevada. Mas a conta final, para o investidor, é sempre líquida: entra imposto, entra custo e entra o percentual efetivo do rendimento.

Ainda assim, a poupança mantém simplicidade e isenção de Imposto de Renda para pessoa física. Do outro lado, o Tesouro Reserva aposta em liquidez 24/7 e rentabilidade acompanhando a Selic, com a segurança do governo federal.

Na avaliação de Gabriel Uarian, a poupança pode permanecer como opção apenas quando o investidor quer o mínimo de “tarefa” possível. “Se o foco for zero preocupação com qualquer detalhe técnico e aceitar rentabilidade menor: poupança ainda é opção (mas perde em retorno)”, afirma.

Tesouro Reserva vs “caixinhas” de bancos

As caixinhas viraram o formato mais popular de “dinheiro separado” dentro de bancos e fintechs, e, na prática, elas costumam investir em produtos como CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) ou fundos de renda fixa. O Tesouro Reserva tenta oferecer a mesma experiência (liquidez e simplicidade), mas com risco soberano.

Na avaliação de Gabriel Uarian, a comparação se concentra em dois pontos: rentabilidade e segurança. “Caixinhas são ótimas se o banco já oferecer mais de 100% CDI, mas perdem em garantia ilimitada”, afirma.

E conclui com o argumento de risco: “Tesouro Reserva elimina risco de falência da instituição (ao contrário de CDBs/caixinhas)”, diz.

Renoir Vieira, sócio da Duna Consultoria, acredita que com a chegada do Tesouro Reserva ao mercado, as caixinhas dos bancos digitais ganham um novo concorrente, o que pode provocar um incremento de taxas atrativas de remuneração ao investidor, contudo é importante o investidor comparar os riscos.

“Muitos dos produtos destas caixinhas devem ter proteção do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) até o valor de R$ 250 mil, enquanto o Tesouro Reserva tem risco soberano, que é um risco muito baixo”, explica Vieira. O motivo é que o governo precisa honrar sua fama de bom pagador, portanto a chance de calote aos investidores é mínima.

Para Vieira, o Tesouro Reserva é uma excelente opção para dar o primeiro passo nos investimentos, porque combina liquidez 24 horas, risco soberano que é o menor risco. “Muitas pessoas ainda não tem uma reserva de emergência e o ideal é construir pelo menos 12 meses do custo de vida, para depois pensar em usar investimentos mais rentáveis”, acrescenta.

Vale a pena?

O Tesouro Reserva foi desenhado para resolver o acesso e previsibilidade. Mas, para dizer se ele vai “ganhar” do Tesouro Selic, da poupança e das caixinhas em termos de retorno, o mercado ainda depende do que o Tesouro vai informar de forma definitiva sobre:

  • percentual efetivo de remuneração atrelada à Selic;
  • taxas e eventuais isenções;
  • condições finais de operação e acesso.

Até lá, a recomendação prática de Uarian é de começar pelo caminho mais conservador possível e migrar quando o produto estiver disponível ao público. “Comece pelo Tesouro (Selic agora, Reserva assim que lançar) será o caminho mais educativo, seguro e rentável para quem está dando o primeiro passo”, afirma.

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Amanda Souza

Jornalista formada pela Universidade Mackenzie e pós-graduada em economia no Insper. Tem passagem pela Climatempo, CNN Brasil, PicPay e Revista Oeste. É redatora de finanças no Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Eleita uma das 50 jornalistas +Admiradas da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças de 2024.

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