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Investimentos

Venture Capital: Fintechs perdem espaço na América Latina; deeptechs e TI ganham força

Publicado 25/03/2026 • 16:00 | Atualizado há 21 horas

KEY POINTS

  • O cenário do mercado de investimentos de capital de risco (venture capital) parece estar mudando na América Latina.
  • Em geral, o segmento que mais acumula investimentos são as fintechs, com US$ 2,05 bilhões de aportes somados. No entanto, as startups de deeptechs e IT Services estão emergindo e conseguindo mais investimentos do que as outras áreas.
  • De acordo com o estudo Inside VC, 48% das startups que receberam aportes em 2025 utilizam inteligência artificial em seus serviços.
  • Para Gustavo Araujo, cofundador e CIO da Distrito, o mercado de venture capital em 2026 exigirá ainda mais rigor.

Foto: Freepik.

O cenário do mercado de investimentos de capital de risco (venture capital) parece estar mudando na América Latina. Em geral, o segmento que mais acumula investimentos são as fintechs, com US$ 2,05 bilhões de aportes somados.

No entanto, as startups de deeptechs e IT Services estão emergindo e conseguindo mais investimentos do que as outras áreas.

De acordo com o estudo Inside VC, do Distrito, em 2025 as fintechs levantaram US$ 771,5 milhões em 75 rodadas. Enquanto isso, ainda no ano passado, as companhias de serviços de Tecnologia da Informação (TI) captaram US$ 218 milhões em 2025.

Leia também: Venture Capital: o alto risco que constrói gigantes

Deeptechs e startups IT Services

No venture capital, o termo deeptech se refere a startups cuja tese é focada em avanços científicos e tecnológicos complexos.

A partir disso, a categoria de IT services dentro dos investimentos de capital de risco costuma abranger empresas de serviços de tecnologia (como software, cloud e integração de sistemas).

Nesse contexto, de acordo com um artigo da McKinsey, as deeptechs operam com maior risco tecnológico e ciclos mais longos de geração de receita.

Por outro lado, as IT Services são o oposto e se encaixam em teses de investimento mais orientadas à execução e escalabilidade.

Logo, a ascensão dos investimentos nesses setores indica que as deeptechs estão amadurecendo e que a América Latina está direcionando esforços para tecnologias, com destaque especial para a IA – mesmo que ainda não tenha saídas ou benchmarks locais consolidados.

Leia também: “Para ganhar, tem que aprender a perder”, diz Camila Farani sobre venture capital no Brasil

IA protagoniza teses de venture capital

De acordo com o estudo Inside VC, 48% das startups que receberam aportes em 2025 utilizam inteligência artificial em seus serviços. Dentro disso, o uso de IA aparece ainda em startups focadas em:

  • Melhorias de processos – US$ 527,1 milhões de aportes;
  • Assistentes de IA – US$ 504,9 milhões captados em 66 rodadas;
  • Análise de crédito – US$ 491,4 milhões de investimentos.

Nas categorias de processos e créditos, a IA ajuda a otimizar a eficiência da operação e reduzir potenciais riscos financeiros. No entanto, os dados também sugerem que ferramentas de interação e suporte ainda são meios mais fáceis de emplacar a tecnologia no ecossistema.

Ademais, o estudo do Distrito sugere ainda que as novas tecnologias saíram da categoria experimental e passaram a ser consideradas um pilar operacional nas empresas.

Fintechs e outros segmentos

Apesar de não ser o segmento líder de 2025, as fintechs continuam sendo consideradas o ‘porto seguro’ do mercado de venture capital.

No Top 10 Rodadas LatAm (2025), as startups financeiras ocupam 50% da lista, com participação das brasileiras Omie e Creditas.

Em paralelo, as startups de saúde (healthtechs) conquistaram US$ 187,7 milhões em aportes ao longo de 40 rodadas, o que demonstra resiliência e maior volume de atividades.

Venture Capital no Brasil

O Brasil acumulou 367 rodadas de investimentos em venture capital ao longo de 2025. Sendo assim, o País se mantém na liderança do VC na América Latina e encerrou o ano com US$ 2,1 bilhões em aportes.

Em relação a 2024, o volume total de investimentos no Brasil aponta que o mercado nacional está se estabilizando. Além disso, conseguiram US$ 20 milhões em comparação ao ano anterior.

Dadas as mudanças no cenário de venture capital na América Latina, que teve uma redução de 12% no número de rodadas, essa estabilização pode ajudar o país a navegar um possível período de retração.

“O que observamos é uma transição significativa no venture capital latino-americano. Após um período de retração, o mercado entra em um novo ciclo, marcado por maior disciplina e foco em eficiência”, afirma Gustavo Araújo, cofundador e CIO do Distrito.

“Os investidores estão priorizando startups com modelos validados, maior previsibilidade e capacidade comprovada de execução. Do outro lado, já vemos startups brasileiras nesse lugar de maturidade, que já concretizaram ou caminham para a internacionalização”, completa.

Por fim, o cofundador da Distrito acredita que o mercado de venture capital em 2026 exigirá ainda mais rigor. “Startups que utilizam a IA de maneira superficial tendem a enfrentar mais dificuldade para captar, ao passo que aquelas que constroem soluções com forte base de dados, governança e impacto direto na operação terão maior capacidade de atrair capital. A tese evolui de gerar insights para a execução de processos completos com eficiência e sustentabilidade econômica”, conclui o cofundador e CIO do Distrito.

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