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‘Ao pedir para ser abençoado, o Papa inverte a lógica do poder’, avalia professor da USP
Publicado 23/04/2025 • 12:41 | Atualizado há 2 anos
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Publicado 23/04/2025 • 12:41 | Atualizado há 2 anos
KEY POINTS
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC — na terça-feira (22), o professor Luiz Alberto de Farias, da Universidade de São Paulo (USP), especialista em Análise do Discurso, comentou a marca política e comunicacional do Papa Francisco ao longo de seu pontificado.
Segundo ele, os lugares por onde o Papa passou, as escolhas simbólicas feitas e a forma como conduziu suas ações refletem uma diplomacia com forte viés político e social, que deixa uma assinatura clara de renovação na forma de se comunicar com os fiéis e com o mundo.
Desde o início de seu papado, o Papa Francisco trabalhou com inteligência a chamada “economia da atenção”, conseguindo colocar em pauta temas que anteriormente não eram centrais para a Igreja Católica. Segundo Farias, ele compreendeu que era necessário resgatar a essência da instituição e dialogar com as bases, especialmente diante da perda de fiéis para outras denominações religiosas.
“Ele sempre fez manifestações muito claras, seja na escolha dos caminhos que percorreu, seja nas vestimentas que usou. Optou por símbolos de fé, como crucifixos de madeira, em vez de símbolos de poder. E talvez a grande pérola do discurso dele tenha sido logo em sua primeira fala como pontífice, quando disse: “Ao invés de eu abençoá-los, peço que vocês me abençoem”. Uma frase simples, mas com uma inversão poderosa na lógica da autoridade religiosa — explicou.
Para o professor, essa inversão trouxe um “novo oxigênio” à Igreja, dando espaço para o acolhimento de fiéis que antes se sentiam excluídos.
Outro ponto destacado por Farias foi a capacidade do Papa de dialogar com os marginalizados e pautar temas sensíveis, como união entre pessoas do mesmo sexo, abusos dentro da Igreja e transparência nas finanças do Vaticano.
“Ele trouxe à tona questões que já estavam batendo à porta da Igreja e soube tratá-las com cuidado e eficiência. Normalmente, preferimos varrer esses assuntos para debaixo do tapete. Ele não. Encarou esses temas, que colocavam em risco a credibilidade da Igreja, e entendeu que não era possível pregar fé sem resolver problemas internos há muito conhecidos”, afirmou.
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Siga o Times | CNBCSegundo o especialista, a postura do Papa Francisco representa um rompimento com práticas anteriores e uma aproximação com a realidade contemporânea.
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