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Protestos no Irã: Apagão de internet e violência marcam escalada contra o regime

Publicado 09/01/2026 • 17:45 | Atualizado há 21 horas

KEY POINTS

  • O Irã sofreu um apagão nacional de internet nesta quinta-feira (8), enquanto uma onda de protestos se espalha por dezenas de cidades.
  • Manifestantes ocuparam as ruas de Teerã, Mashhad e Shiraz, exigindo a destituição imediata do governo islâmico.
  • O bloqueio digital, confirmado pela plataforma NetBlocks, é visto por especialistas como uma ferramenta de repressão estatal para isolar o país e dificultar a comunicação entre os grupos de oposição.

O Irã sofreu um apagão nacional de internet nesta quinta-feira (8), enquanto uma onda massiva de protestos se espalha por dezenas de cidades. Manifestantes ocuparam as ruas de Teerã, Mashhad e Shiraz, exigindo a destituição imediata do governo islâmico.

O bloqueio digital, confirmado pela plataforma NetBlocks, é visto por especialistas como uma ferramenta de repressão estatal para isolar o país e dificultar a comunicação entre os grupos de oposição.

A interrupção do acesso à rede global ocorreu logo após ameaças severas das forças de segurança, que prometeram medidas duras contra os participantes. No entanto, as intimidações não impediram que multidões enfrentassem a polícia em bairros nobres e áreas de classe média.

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Testemunhas relataram cânticos de “liberdade” e pedidos de morte ao líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, evidenciando o nível de insatisfação popular com o regime autoritário.

A violência escalou durante a noite, com vídeos verificados pelo The New York Times mostrando prédios governamentais em chamas na capital. Em áreas como a Praça Kaj e o bairro de Sadeghiyeh, manifestantes incendiaram carros e objetos para criar barricadas contra o avanço policial.

Relatos indicam que forças de segurança utilizaram gás lacrimogêneo e disparos de advertência, mas a avalanche de protestos continuou a crescer a cada hora, mobilizando famílias inteiras.

Cenário de guerra: mortes confirmadas e repressão nas províncias

A Anistia Internacional denunciou que a repressão já resultou em pelo menos 28 manifestantes mortos, incluindo crianças, nos últimos dias. Organizações de direitos humanos como a HRANA estimam que o número real de vítimas possa ultrapassar 40 mortos.

Em Karaj, subúrbio de Teerã, há relatos de disparos diretos contra a multidão, enquanto em Bushehr a massa humana foi tão grande que as forças de segurança foram forçadas a recuar.

O clima de instabilidade atingiu também os bazares tradicionais, o coração econômico do país. Comerciantes em Tabriz, Isfahan e Mashhad fecharam as portas em solidariedade aos protestos e em revolta contra a desvalorização da moeda.

A paralisação dos mercados agrava a crise econômica e sinaliza uma ruptura entre a classe comercial histórica e os clérigos islâmicos que comandam o país desde 1979.

Reações do regime: acusações de conspiração externa e ameaça de força

O governo iraniano atribui a revolta a uma suposta orquestração por parte de Israel e de grupos de oposição no exílio. Ebrahim Azizi, do Parlamento, afirmou que um “quebra-cabeça da desestabilização” foi acionado pelo que chamou de regime sionista.

Por outro lado, o chefe do Judiciário alertou que o Estado não terá misericórdia, declarando que, desta vez, ninguém será poupado das consequências judiciais e militares.

Diante da incapacidade da polícia convencional em conter os distúrbios, o Corpo da Guarda Revolucionária deve assumir o controle total da segurança interna. Enquanto isso, ativistas e prêmios Nobel, como Narges Mohammadi, continuam a enviar mensagens de resistência de dentro das prisões.

A demanda por democracia no Irã parece ter atingido um ponto de não retorno, desafiando décadas de controle rígido dos clérigos.

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