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Ataques no Mar Vermelho afastam perspectivas de paz e elevam custo do conflito
Publicado 05/08/2026 • 13:45 | Atualizado há 58 minutos
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Publicado 05/08/2026 • 13:45 | Atualizado há 58 minutos
KEY POINTS
Os novos ataques no Mar Vermelho ampliam os riscos sobre rotas marítimas essenciais ao comércio de energia e tornam mais distante uma solução para o conflito no Oriente Médio. A avaliação é de Rodrigo Medina Zagni, professor e chefe do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em entrevista ao Real Time, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Zagni afirmou que não há evidências concretas de que as negociações para a reabertura do Estreito de Ormuz estejam avançando ou sequer ocorrendo nos termos anunciados pelo governo americano.
Para o professor, as declarações de autoridades dos Estados Unidos sobre um acordo próximo também podem ter o objetivo de reduzir a especulação nos preços internacionais dos combustíveis.
“Não temos indicações de nenhuma fonte crível de que as negociações estejam a bom termo ou sequer em curso”, afirmou.
O Irã tem negado a existência das conversas anunciadas por Washington. Na avaliação de Zagni, Teerã aposta no aumento do custo econômico do confronto para ampliar a pressão internacional por um recuo militar dos Estados Unidos.
Os ataques no Mar Vermelho abrem novas frentes de tensão e atingem diretamente as cotações internacionais do petróleo, segundo Zagni.
Os episódios também afastam as possibilidades de paz porque agravam a disputa pelo controle das rotas marítimas no Estreito de Ormuz e no Estreito de Bab-el-Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico.
“Abrem-se novas frentes, com impactos severos no mercado mundial, porque atingem diretamente as cotações internacionais de petróleo e colocam numa distância maior as possibilidades de paz”, disse.
O professor explicou que uma negociação precisaria definir regras para o tráfego de entrada e saída, formas de gestão das rotas e eventuais cobranças sobre embarcações.
No caso de Ormuz, também seria necessária a desminagem da região para restabelecer condições mínimas de segurança para navios, tripulações e cargas.
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Siga o Times | CNBCLeia também: Tráfego marítimo em Ormuz e Bab El-Mandeb permanece baixo em meio à crise no Oriente Médio
Zagni afirmou que a insegurança nas rotas dificulta o restabelecimento dos seguros de embarcações e cargas. De acordo com ele, o frete marítimo aumentou cerca de 400%.
Esse avanço afeta a formação dos preços de combustíveis, querosene de aviação, alimentos e outros bens de consumo transportados pelas cadeias globais, avaliou.
O professor disse ainda que não vê a criação de corredores seguros de navegação em um horizonte próximo.
Na avaliação de Zagni, a guerra contra o Irã foi iniciada sem uma perspectiva clara de saída e pode se transformar em um “atoleiro militar” para o governo de Donald Trump.
Ele afirmou que o conflito não produziu as condições para a queda do regime iraniano esperadas por setores em Washington, cenário que, segundo o professor, já havia sido considerado improvável pela inteligência americana.
O prolongamento da guerra também pode aumentar o desgaste de Trump antes das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, especialmente diante da margem estreita de apoio do governo no Congresso.
Para Zagni, o cenário continua marcado por incerteza e pelo risco permanente de uma escalada fora de controle.
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