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Assembleia Geral da ONU: ameaça de Trump e recados sobre soberania marcam repercussão; veja o que esperar desta quarta
Publicado 23/09/2026 • 10:48 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 23/09/2026 • 10:48 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Mehmet Ali Ozcan / Anadolu / Anadolu via AFP
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump discursa na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, na terça-feira (22).
A ameaça de destruição do Irã, a defesa da soberania brasileira e os alertas contra a “lei da selva” marcaram a cobertura internacional dos discursos de terça-feira (22) na Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Nesta quarta-feira (23), as expectativas se voltam para os pronunciamentos dos presidentes do Irã, Masoud Pezeshkian, e da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, além de um debate sobre inteligência artificial no Conselho de Segurança.
Donald Trump disse que tinha uma “grande decisão” a tomar. Afirmou que precisava escolher entre chegar a um acordo com o Irã ou mandar o país “para o inferno”. O Financial Times e o Guardian colocaram a ameaça de aniquilação no centro de suas reportagens.
Outros discursos também chamaram a atenção dos jornais. Lula, que falou antes de Trump, disse que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”. Emmanuel Macron alertou contra a “lei da selva” nas relações entre países. Já António Guterres, em seu último discurso à Assembleia Geral como secretário-geral da ONU, defendeu a cooperação para enfrentar as crises globais.
A maioria dos líderes evitou confrontar Trump diretamente, observou o New York Times. O jornal identificou, porém, recados indiretos aos Estados Unidos na fala de Lula. Já o El País tratou a frase sobre o “quintal” como uma resposta do presidente brasileiro a Washington.
Leia também: Crise da hegemonia dos EUA abre espaço para Brasil, avalia especialista
Lula afirmou que o mundo voltou a presenciar ingerência externa em processos eleitorais. “A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos”, disse.
O El País tratou a declaração sobre o “quintal” como um recado a Trump. O jornal relacionou o discurso à defesa do multilateralismo, às tarifas impostas pelos Estados Unidos e à proximidade das eleições brasileiras. Lula não mencionou o presidente americano pelo nome.
O presidente brasileiro também rejeitou a possibilidade de transferir a outros países a responsabilidade pelo combate ao crime organizado. “Não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras”, afirmou. “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas.” Em vez disso, pediu cooperação para interromper o fluxo de armas e de dinheiro que abastece os grupos criminosos.
No mesmo dia, Trump afirmou que os Estados Unidos não permitirão que ameaças avancem no Hemisfério Ocidental. “Se necessário, usaremos nosso poderio militar inigualável para assegurar os interesses nacionais vitais dos Estados Unidos”, disse. As duas declarações mostram as diferentes posições dos presidentes sobre a atuação dos EUA na região.
Lula criticou ainda a incapacidade da ONU de impedir guerras e defendeu uma reforma do Conselho de Segurança. Ao resumir a escolha que, segundo ele, se apresenta aos países, afirmou: “Somos chamados a optar entre o unilateralismo ou multilateralismo, soberania ou subordinação”.
O Wall Street Journal descreveu o pronunciamento de Trump como um discurso em estilo de campanha. O presidente exaltou o que chamou de “era de ouro” dos Estados Unidos e defendeu suas intervenções militares.
Já o Le Monde interpretou a alternativa entre acordo e destruição do Irã como parte da tentativa de Trump de defender uma guerra que o jornal descreveu como impopular entre os americanos.
Trump afirmou que as eleições legislativas não influenciam sua decisão sobre o Irã e disse: “Eu não sou candidato”. Na mesma fala, porém, sugeriu que Teerã aguarda o resultado da votação para decidir sobre um acordo. “Acredito que chegaremos a um acordo logo após as eleições”, afirmou, em referência ao pleito de novembro.
Em uma checagem das declarações de Trump, o El País questionou afirmações sobre a economia americana e contestou a alegação de que ele teria encerrado oito guerras.
O New York Times também ressaltou que Trump reivindicou o fim da guerra em Gaza, embora o plano para desarmar o Hamas e retirar as tropas israelenses continue emperrado e a situação humanitária permaneça grave.
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Siga o Times | CNBCEmmanuel Macron defendeu o direito internacional e pediu que os países resistam ao retorno da “lei da selva”. O presidente francês não citou Trump, mas o Le Monde interpretou sua fala como um contraponto ao discurso americano. Macron também criticou a tentativa de mudar governos de outros países pela força e a situação em Gaza e na Cisjordânia.
As críticas mais diretas feitas por outros líderes foram dirigidas a Israel. O presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, condenou o que chamou de “mentalidade genocida” do país em Gaza. O emir do Catar, Tamim bin Hamad Al Thani, também classificou a situação no território palestino como genocídio, segundo o New York Times. São acusações feitas pelos líderes em seus discursos.
A ameaça de Trump ao Irã também provocou uma resposta das Forças Armadas iranianas. Em declaração divulgada pela imprensa estatal e relatada pelo New York Times, os militares acusaram o presidente americano de usar a tribuna da ONU para justificar a agressão contra o país. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, discursa nesta quarta-feira (23).
Em seu último discurso à Assembleia como secretário-geral da ONU, António Guterres alertou para os limites do poder das grandes potências. “O poder militar, sozinho, não pode garantir a paz”, afirmou, ao defender que a organização se torne mais representativa.
O Guardian destacou ainda suas críticas à ausência de um representante permanente da África no Conselho de Segurança e seu pedido de regras internacionais para a inteligência artificial.
Guterres não mencionou Trump, mas advertiu que as divisões geopolíticas se aprofundaram justamente quando guerras, crise climática e novas tecnologias exigem respostas conjuntas.
Depois da ameaça de Trump, as atenções se voltam nesta quarta-feira (23) para o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que tem um discurso previsto na Assembleia Geral. Ele chega à ONU em meio a novos contatos diplomáticos com Washington e à pressão de setores do governo iraniano contrários a concessões aos americanos.
Segundo o The National, Trump afirmou que seus enviados, Steve Witkoff e Jared Kushner, participaram de uma reunião de três horas com o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, na terça-feira. O presidente americano avaliou o encontro positivamente e disse haver impulso para um acordo. A
O Guardian informou que Teerã confirmou contatos mediados pelo Catar, mas negou ter abandonado suas condições para reabrir o Estreito de Ormuz.
Também está previsto o discurso de Volodymyr Zelensky. Na terça-feira, o presidente ucraniano se reuniu com Trump nos bastidores da Assembleia e disse esperar que a guerra com a Rússia termine antes do inverno no Hemisfério Norte. Segundo o New York Times, ele afirmou contar com a ajuda do governo americano para encerrar o conflito.
A programação inclui ainda o discurso do presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, segundo o Jerusalem Post.
Em paralelo à Assembleia Geral, o Conselho de Segurança debate os impactos da inteligência artificial sobre a segurança internacional. O Financial Times informou que o presidente-executivo da OpenAI, Sam Altman, deve apresentar propostas de cooperação entre países para avaliar os riscos dos sistemas e estabelecer padrões de segurança.
A agenda também prevê uma reunião pelos 40 anos da Declaração sobre o Direito ao Desenvolvimento, de acordo com a programação oficial da ONU. O documento reconhece o direito de todas as pessoas de participar do desenvolvimento econômico, social, cultural e político e de usufruir de seus benefícios.
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