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G7: Brasil tenta estreitar relações com UE após veto à carne e crise do petróleo no radar
Publicado 16/06/2026 • 21:06 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 16/06/2026 • 21:06 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou sua participação como convidado na cúpula do G7, realizada nos Alpes franceses, para intensificar o diálogo com líderes da União Europeia e do Japão em busca de novas oportunidades comerciais e maior cooperação internacional. Entre os temas centrais da agenda brasileira estão o avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia e a diversificação de mercados diante das tensões comerciais globais.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, o analista de relações internacionais e doutor em Ciência Política pela USP, Pedro Costa Júnior, destacou que Lula acumula uma longa trajetória de participação nas reuniões do G7. Segundo ele, o presidente brasileiro compreende a necessidade de ampliar parcerias em um cenário marcado pela rivalidade entre Estados Unidos e China. “É importante esse diálogo com as outras economias prósperas do Ocidente”, afirmou.
Para o especialista, a aproximação entre Mercosul e União Europeia ganha relevância não apenas econômica, mas também estratégica. Costa Júnior observou que o acordo comercial negociado há mais de duas décadas avançou nos últimos anos, mas ainda enfrenta obstáculos, especialmente devido à resistência de setores agrícolas europeus. “Os países europeus são muito protecionistas, sobretudo nas áreas em que têm menos competitividade, como o agro”, disse.
O analista avaliou que a parceria entre os dois blocos ocorre em um momento de reconfiguração da ordem internacional. Segundo ele, tanto Europa quanto América do Sul buscam ampliar espaços de cooperação em meio à crescente polarização entre Washington e Pequim. “Trata-se de um fortalecimento econômico, mas também de um fortalecimento político nesse momento”, afirmou.
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Siga o Times | CNBCAlém das questões comerciais, a situação no Oriente Médio dominou parte dos debates do G7. Costa Júnior comentou o acordo provisório firmado entre Estados Unidos e Irã, que prevê um período de negociações de 60 dias. Apesar de considerar o entendimento um passo importante, ele alertou para as incertezas que ainda cercam sua implementação. “É um acordo provisório, nebuloso e imperfeito”, avaliou.
Segundo o especialista, um dos pontos mais delicados continua sendo o futuro do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo. Na visão dele, a reabertura plena da passagem marítima é uma condição fundamental para Washington reduzir as pressões inflacionárias provocadas pelo conflito. “Do ponto de vista dos Estados Unidos, a condição sine qua non é a abertura do Estreito de Ormuz”, afirmou.
Costa Júnior também ressaltou que a estabilidade do acordo depende da contenção das tensões envolvendo Israel, Líbano e o Hezbollah. Para ele, a continuidade das operações militares na região pode comprometer os esforços diplomáticos em curso. “Sem uma interrupção dos confrontos entre Hezbollah e o governo Netanyahu, esse acordo sequer tende a ficar de pé”, concluiu.
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