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Ações da Novo Nordisk despencam após medicamento para doenças cardíacas fracassar em teste clínico

Publicado 31/07/2026 • 15:45 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • As ações da Novo Nordisk caíram após seu medicamento experimental ziltivekimab não demonstrar redução estatisticamente significativa em eventos cardiovasculares graves em pacientes com determinadas doenças.
  • "Isso não muda nosso compromisso estratégico com as doenças cardiovasculares", afirmou o diretor científico da companhia, Martin Holst Lange.
  • O resultado representa mais um revés para a farmacêutica dinamarquesa, que tenta recuperar a confiança dos investidores em seu pipeline de medicamentos e na capacidade de execução, especialmente no mercado americano.

SERGEI GAPON/AFP

Novo Nordisk

As ações da Novo Nordisk chegaram a cair 10% nesta sexta-feira (31), após a companhia anunciar que um estudo clínico de fase avançada com seu medicamento experimental para doenças cardiovasculares não atingiu o principal objetivo.

Segundo a empresa, o ziltivekimab apresentou alguns efeitos biológicos positivos, mas não conseguiu demonstrar uma redução estatisticamente significativa dos chamados eventos cardiovasculares adversos maiores (MACE, na sigla em inglês) — categoria que inclui morte por causas cardiovasculares, infarto não fatal e acidente vascular cerebral (AVC) não fatal — em pacientes com determinadas doenças.

O resultado representa mais um desafio para a farmacêutica, que busca recuperar a confiança do mercado em seu portfólio de novos medicamentos e em sua capacidade de execução, sobretudo nos Estados Unidos.

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“Embora o ziltivekimab não tenha alcançado o benefício sobre eventos cardiovasculares que esperávamos, isso não muda nosso compromisso estratégico com as doenças cardiovasculares”, afirmou Martin Holst Lange, diretor científico da Novo Nordisk.

As ações negociadas na Bolsa de Copenhague recuavam 7,4% durante a sessão, enquanto os ADRs da companhia caíam 8,6% no pré-mercado em Nova York. Caso as perdas se confirmem no fechamento, será o pior desempenho diário dos papéis desde fevereiro, quando a empresa divulgou resultados abaixo do esperado em um estudo comparando seu medicamento para obesidade CagriSema ao tratamento concorrente da Eli Lilly.

Analistas do Jefferies e do Citi avaliaram que a reação do mercado parece exagerada, considerando que o ziltivekimab representa uma parcela relativamente pequena do portfólio da companhia.

Ainda assim, o Jefferies afirmou que o resultado tem impacto estratégico negativo, por eliminar uma das principais oportunidades de crescimento da Novo Nordisk fora do mercado de medicamentos para obesidade. Segundo o banco, o episódio reforça a dependência da empresa do desempenho comercial de seus tratamentos para perda de peso e da incorporação de inovações externas para sustentar o crescimento.

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Estudo envolveu mais de 6.300 pacientes

O estudo avaliou se o ziltivekimab, medicamento que bloqueia a via inflamatória da interleucina-6 (IL-6), seria capaz de reduzir o risco do primeiro grande evento cardiovascular quando administrado em conjunto com o tratamento padrão.

O ensaio clínico envolveu mais de 6.300 pacientes com doença cardiovascular aterosclerótica, doença renal crônica e elevados níveis de inflamação.

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As taxas gerais de eventos adversos foram semelhantes entre os grupos, embora infecções graves tenham ocorrido com maior frequência entre os pacientes tratados com o ziltivekimab. A pesquisa também não identificou diferenças na mortalidade geral.

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Mercado segue atento ao pipeline

O novo revés ocorre em um momento de cauteloso otimismo entre investidores, impulsionado pelo lançamento bem-sucedido da versão em comprimidos do Wegovy, primeiro medicamento oral da classe GLP-1 para tratamento da obesidade, lançado nos Estados Unidos em janeiro.

A Eli Lilly lançou o comprimido concorrente, Foundayo, em abril, mas a adoção do produto tem ocorrido em ritmo mais lento.

Durante o verão no hemisfério norte, a Novo Nordisk também iniciou a comercialização do Wegovy oral nos Emirados Árabes Unidos e no Reino Unido, buscando replicar internacionalmente o sucesso obtido no mercado americano.

Apesar desse avanço, as ações da companhia permanecem bem abaixo dos níveis registrados há dois anos. Antes da sessão desta sexta-feira, os papéis acumulavam queda de 7% em 2026 e estavam cerca de 70% abaixo do pico alcançado em meados de 2024. A farmacêutica enfrenta uma concorrência crescente dos medicamentos da Eli Lilly, que vêm conquistando rapidamente participação de mercado.

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Mesmo com o crescimento da categoria de medicamentos orais — que, segundo Novo Nordisk e Eli Lilly, amplia o mercado de tratamentos com GLP-1 em vez de substituir os injetáveis —, a empresa segue pressionada por preços mais baixos, enquanto os comprimidos ainda representam apenas uma pequena parcela das vendas totais.

Nesse contexto, o desenvolvimento de novos medicamentos tornou-se ainda mais importante para os investidores. A Novo Nordisk aposta em produtos como versões de maior dosagem do Wegovy, formulações orais de seus tratamentos e o CagriSema para fortalecer sua posição competitiva.

A companhia divulgará seus resultados do segundo trimestre na próxima semana, quando investidores buscarão novos sinais sobre a evolução do mercado global de medicamentos para obesidade.

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