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China anuncia um aporte de US$ 54 bilhões em bancos e seguradoras nacionais, mas mercado acha pouco e ações caem
Publicado 07/09/2026 • 07:57 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 07/09/2026 • 07:57 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: Unsplash
O Ministério das Finanças da China está à frente de uma injeção de capital de US$ 54 bilhões (R$ 277,02 bilhões) em bancos e seguradoras estatais (um valor abaixo do esperado pelo mercado) enquanto Pequim busca sustentar o crescimento com estímulos moderados.
Três bancos estatais e cinco seguradoras receberão, juntos, 360 bilhões de yuans (R$ 273,6 bilhões) de instituições estatais, lideradas pelo Ministério das Finanças e pela gigante chinesa do setor de tabaco. É a primeira vez que Pequim inclui seguradoras em um programa de recapitalização, num momento em que as pressões sobre o sistema financeiro chinês se intensificam. Com uma base de capital mais robusta, essas instituições também poderão ser chamadas a desempenhar um papel maior na mobilização de recursos nos mercados de capitais, inclusive por meio da compra de títulos e ações, afirmou Gary Ng, economista sênior da Natixis.
Segundo o Citi, o volume da recapitalização ficou abaixo do que o mercado esperava para essas instituições. “O tamanho mais modesto do pacote reforça a percepção de que as seguradoras chinesas estão em uma situação de capital relativamente mais confortável, o que indica uma necessidade menor, de modo geral, de uma recomposição agressiva.”
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As ações de bancos e seguradoras listados em Hong Kong despencaram na segunda-feira, com desempenho bem pior que o do mercado como um todo. O índice Hang Seng recuou menos de 1%, enquanto Agricultural Bank of China e Industrial and Commercial Bank of China caíram 2,7% e 2,3%, respectivamente. A China Taiping Insurance perdeu quase 4%, enquanto People’s Insurance Company of China e China Life Insurance recuaram mais de 2% cada.
As medidas dão continuidade aos 500 bilhões de yuans (R$ 380 bilhões) injetados nos quatro grandes bancos estatais no ano passado e à promessa, feita em março, de emitir 300 bilhões de yuans (R$ 228 bilhões) em títulos especiais do Tesouro neste ano para reforçar o capital dos maiores bancos estatais.
O setor bancário chinês atravessa há vários anos um período de margens cada vez mais apertadas, enquanto Pequim pressiona os bancos a manter os empréstimos baratos para clientes em dificuldades financeiras. As margens líquidas de juros (a diferença entre o que os bancos ganham com empréstimos e o que pagam aos depositantes) caíram para níveis recordes neste ano.
Pequim está preparando os bancos para financiar o próximo ciclo de investimentos estratégicos do país, “especialmente as enormes necessidades de capital nos setores de inteligência artificial e tecnologia avançada”, disse Han Shen Lin, diretor para a China do The Asia Group. “Na prática, a China está usando capital estatal para reforçar os colchões de segurança do sistema bancário contra eventuais choques.”
Agricultural Bank e ICBC, dois dos maiores bancos estatais do país, planejam levantar até 160 bilhões de yuans (R$ 121,6 bilhões) e 100 bilhões de yuans (R$ 76 bilhões), respectivamente, por meio de ofertas privadas de ações A para um grupo de instituições que inclui o Ministério das Finanças, a China National Tobacco Corp. e suas subsidiárias. Segundo comunicados divulgados pelos bancos no domingo, todo o dinheiro captado será destinado ao reforço de capital.
O Export-Import Bank of China receberá uma injeção direta de 30 bilhões de yuans (R$ 22,8 bilhões) do Ministério das Finanças. O objetivo é fortalecer a capacidade do banco de “apoiar a economia real e enfrentar riscos potenciais”.
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Siga o Times | CNBCA China Life, maior seguradora de vida do país, receberá 35 bilhões de yuans (R$ 26,6 bilhões), enquanto a China Taiping Insurance receberá 7 bilhões de yuans (R$ 5,32 bilhões). A People’s Insurance pretende levantar até 15 bilhões de yuans (R$ 11,4 bilhões) por meio de uma oferta privada de ações A para o Ministério das Finanças. O ministério também injetará 10 bilhões de yuans (R$ 7,6 bilhões) na China Export and Credit Insurance Corp., seguradora estatal de crédito à exportação conhecida como Sinosure. Já o China Reinsurance Group levantará 3 bilhões de yuans (R$ 2,28 bilhões).
A queda das taxas de juros no mercado reduziu a capacidade dos bancos de reforçar seu capital com os próprios lucros, tornando indispensáveis as injeções de recursos externos, disse Bruce Pang, membro do Chief Economist Forum in China. Segundo ele, o apoio estatal aumentará a capacidade de crédito dos grandes bancos estatais e permitirá um suporte financeiro “de maior qualidade” à economia e aos setores considerados prioritários.
A recapitalização também dará aos bancos mais espaço para acelerar a venda e a baixa de empréstimos inadimplentes, ajudando a compensar uma “possível deterioração da qualidade dos ativos no futuro”, disse July Zhang, analista do Citibank.
“A pressão sobre o capital dos grandes bancos chineses pode começar a diminuir”, afirmou Zhang. Segundo ela, isso ocorre num momento em que os formuladores de políticas passam a priorizar um crescimento de maior qualidade e reduzem a pressão sobre os bancos para expandir rapidamente os empréstimos, enquanto a demanda por crédito permanece fraca.
As seguradoras chinesas também viram seus índices de solvência piorarem à medida que as taxas de juros persistentemente baixas pressionam a rentabilidade. O índice de solvência do setor de seguros caiu para 180,6% no fim do segundo trimestre, ante 204,5% no ano passado. Ainda assim, o número permanece bem acima do mínimo regulatório de 100%.
É provável que as injeções de capital tenham “um impacto muito limitado sobre a economia no curto prazo”, disse Larry Hu, economista-chefe para a China da Macquarie. Segundo ele, o principal obstáculo à expansão do crédito não é a falta de capital dos bancos, mas a baixa demanda por empréstimos.
O crescimento desacelerou ainda mais na segunda maior economia do mundo no terceiro trimestre deste ano. O discurso de Pequim também mudou e passou a reconhecer “dificuldades e desafios” na economia, uma mudança significativa em relação à linguagem adotada anteriormente, que classificava o crescimento como “melhor do que o esperado”, disse Hu.
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Em resposta, o apoio fiscal aumentou, com o governo acelerando a emissão de títulos e dando novo impulso aos projetos de infraestrutura, afirmou Hu. Ainda assim, ele não espera uma grande rodada de estímulos.
“Esperamos que os formuladores de políticas façam apenas o necessário para atingir a meta de crescimento deste ano”, disse. “O estímulo adicional deverá ser suficiente.”
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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